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O que está realmente em jogo nas eleições para a Eurocâmara?

2019-05-22T20:27:00

22/05/2019 20h27

Lara Malvesí.

Bruxelas, 22 mai (EFE).- A União Europeia (UE) decidirá a partir desta quinta-feira e até domingo, nas urnas, se quer continuar apostando na integração entre os integrantes do bloco ou se prefere o fortalecimento dos países, o que pode levar à busca de alianças fora da região.

Mais de 500 milhões de cidadãos europeus estarão aptos a votar. Segundo as pesquisas, 100 milhões estão indecisos, e nas mãos deles está nada menos que o futuro da Europa.

O último levantamento feito pela pesquisa oficial Eurobarômetro aponta que 62% dos cidadãos da UE consideram "algo positivo" fazer parte da UE. Além disso, 68% dos entrevistados acham que seus países se beneficiaram de fazer parte do bloco.

No entanto, 17% responderam que votariam para deixar a UE caso houvesse um referendo, e outros 17% cogitam essa possibilidade. Menos da metade dos eleitores, 41%, sabem a data das eleições para a Eurocâmara no país em que vivem.

Mas, o que realmente está em jogo nas eleições para a Eurocâmara?

Por um lado, a prosperidade de uma UE que continue garantindo direitos aos seus cidadãos, que vão desde viajar dentro dos países signatários do Acordo de Schengen sem passaporte até o direito de trabalhar em outros locais sem barreiras.

De outro, a opção de fazer parte de um bloco que transcende as fronteiras nacionais no tabuleiro global, uma opção para enfrentar em nível de igualdade das grandes potências mundiais que exercem poder com crescente desprezo ao multilateralismo.

A formação da UE garantiu a paz no continente durante os últimos 70 anos, algo excepcional na história da Europa, responsável pelo início das duas grandes guerras mundiais. No entanto, isso não é suficiente para que muitos achem que seria melhor deixar a aliança regional de lado para apoiar países como Estados Unidos e Rússia.

Se as urnas revelarem uma opção majoritariamente eurocética, os novos eurodeputados devem devolver mais competências aos países integrantes do bloco. Além disso, outras iniciativas supranacionais, como a união bancária, uma estratégia para evitar futuras crises de dívida na zona do euro, devem ficar pelo caminho.

Outro assunto discutido em Bruxelas que pode sofrer retrocessos é a garantia da livre concorrência para evitar monopólios e práticas desleais. A Comissão Europeia, por exemplo, aplicou dezenas de multas só nos últimos anos contra gigantes digitais, como o Google.

Propostas como as novas normas de conciliação trabalhista e familiar e a implementação de cotas para mulheres nas diretorias de empresas públicas e privadas também estão ameaçadas.

Nas mãos dos eleitores está a manutenção das atuais políticas da UE ou a opção por recuar de um sistema que exige denominadores mínimos de progresso para os mais atrasados, devolvendo aos países parte do poder que eles cederam ao aderir ao bloco.

Os principais países europeus vivem cenários diferentes. Na Espanha, por exemplo, só o Vox - que recentemente garantiu, pela primeira vez desde a queda da ditadura, a presença de um partido de extrema direita no parlamento nacional - estuda se aliar aos eurocéticos.

Em outros países, no entanto, a força dos críticos da UE é maior. Dois dos casos mais relevantes são o da França, com Marine Le Pen, e da Itália, com a Liga Norte, liderada pelo vice-primeiro-ministro do país, Matteo Salvani, que podem ser os mais votados.

Além do resultado efetivo das urnas, será essencial para dimensionar o poder da ameaça antieuropeia a capacidade política para formar alianças na nova composição da Eurocâmara.

Está diante dos cidadãos europeus a opção de continuar fazendo parte do projeto comunitário ou de ouvir o canto da sereia do "Brexit" em outros países, ameaçando o bloco como um todo. EFE

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