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Guia prático sobre questões-chave das eleições para o Parlamento Europeu

2019-05-22T20:29:00

22/05/2019 20h29

Miriam Burgués.

Madri, 22 mai (EFE).- Mais de 500 milhões de pessoas dos países-membros da União Europeia (UE) estão aptas a votar nas eleições para o Parlamento Europeu, consideradas cruciais para o futuro do bloco.

Reino Unido e Holanda serão os primeiros a abrir as urnas, nesta quinta-feira (23). No dia seguinte, será a vez de Irlanda, Letônia e Malta, e no domingo, dia 26, dos demais países.

A Itália encerra o pleito às 22h GMT (19h em Brasília), quando a Eurocâmara começará a divulgar os primeiros resultados parciais.

Os trabalhos da oitava legislatura do Parlamento foram concluídos no último dia 18 de abril. Os novos eurodeputados tomarão posse no dia 2 de julho para um mandato de cinco anos.

Com a saída anunciada do Reino Unido da UE, os países decidiram que parte das 73 cadeiras que pertenciam aos britânicos ficaria vazia e as demais seriam divididas entre os outros 27 que compõem o bloco. Dessa forma, o Parlamento passaria de 751 membros para 705.

No entanto, o acordo foi desfeito, pelo menos temporariamente, já que Reino Unido e UE ainda não chegaram a um acordo para concretizar o "Brexit". Como consequência, os britânicos participarão do pleito.

DIVISÃO ATUAL DE CADEIRAS E PROJEÇÕES.

Alemanha e França são os países com mais representação no Parlamento Europeu, com 96 e 74 deputados cada, respectivamente. Caso o Reino Unido deixe a UE, a Itália passará a ocupar sozinha o terceiro posto no ranking, com 73. A Espanha ocupa a quarta posição, com 54, e a Polônia vem na sequência, com 50.

Na atual legislatura, a maior bancada é a do Partido Popular Europeu (EPP), com 217, seguida pela da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (SD), que elegeu 186 parlamentares. Os Reformistas e Conservadores Europeus (ECR) se tornaram a terceira maior força, com 76 cadeiras, à frente da Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa (ALDE), com 68 representantes.

As pesquisas mais recentes apontam que EPP, SD e ECR devem perder representação no próximo pleito e que a ALDE terá um leve crescimento.

Pela primeira vez na história, os dois grupos de centro não terão maioria na Eurocâmara e, além disso, a plataforma VoteWatch Europe projeta que até 60% dos parlamentares serão estreantes.

AS BANCADAS POLÍTICAS E A ESCOLHA DA COMISSÃO EUROPEIA.

Para se tornar um partido político de abrangência europeia, uma legenda precisa ser composta por partidos nacionais baseados em pelo menos um quarto dos países-membros do bloco. Decisivo para o futuro da UE, o pleito deste ano deve marcar a entrada de novas bancadas na Eurocâmara.

Um dos políticos que têm essa meta é o vice-primeiro-ministro da Itália, Matteo Salvini, líder da Liga Norte, que quer formar uma bancada de extrema direita no Parlamento Europeu. Os principais aliados devem ser Marine Le Pen, principal opositora de Emmanuel Macron na França, e o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán.

Salvini também busca o apoio da Alternativa para a Alemanha (AfD) - que chegou ao parlamento do país pela primeira vez nas últimas eleições - e o Partido Popular Dinamarquês.

A maioria dos partidos políticos europeus elegeu os cabeças de chapa durante congressos realizados no final de 2018.

Manfred Weber é o candidato do EPP. Frans Timmermans liderará a SD, e Khan Zahradil representará os ECR. Já a ALDE apresentou uma equipe de vários candidatos e a batizou como "Equipe pela Europa", e o Grupo dos Verdes manteve a tradição de nomear duas lideranças: Ska Keller e Bas Eickhout.

Um deles pode ser suceder Jean-Claude Juncker na presidência da Comissão Europeia. A escolha será feita com base nos resultados das eleições de maio após uma proposta formal dos chefes de Estado e de Governo dos países-membros do bloco.

O processo de nomeação de um candidato principal foi utilizado pela primeira vez em 2014, quando Juncker, então líder do EPP, acabou sendo indicado para comandar a Comissão Europeia.

Pesquisas recentes mostram que 67% dos entrevistados considera que o novo método representa uma melhora do processo democrático. Além disso, 63% afirmam que a mudança deixou a eleição do presidente da Comissão Europeia mais transparente.

TEMAS QUE MAIS PREOCUPAM OS ELEITORES EUROPEUS.

As eleições de maio darão sinais sobre os temas que mais preocupam os cidadãos da UE. Segundo dados do último Eurobarômetro (pesquisa de opinião pública realizada pela Comissão Europeia), imigração, terrorismo, situação econômica e desemprego eram os assuntos que mais alarmavam a população do bloco em 2014.

Outro desafio do bloco é elevar a participação no pleito.

Por esse motivo, a Eurocâmara lançou um site, em 24 idiomas, para ajudar os mais de 150 mil voluntários de todos os países-membros que se comprometeram a incentivar a população a votar.

Outro site trará aos eleitores a apuração dos votos em tempo real, com detalhes dos resultados do pleito e informações separadas por cada país-membro da UE.

O portal mostra também a composição da Eurocâmara desde 1984, a distribuição por partidos nacionais e grupos políticos desde 1979, e de todos os resultados em nível nacional desde 2009. EFE

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