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Fantasma do euroceticismo volta a assustar eleitores pró-UE

22/05/2019 20h28

Lara Malvesí.

Bruxelas, 22 mai (EFE).- O fantasma do euroceticismo, que já havia assustado os eleitores pró-União Europeia nas eleições para o Parlamento Europeu de 2014, volta a assombrar no pleito deste ano, com a previsão de que seus representantes conseguirão mais cadeiras, mas com a mesma divisão interna e incapacidade de bloquear os grandes temas.

Há cinco anos, com a crise econômica ainda bastante recente e um populismo antieuropeu que terminaria se cristalizando em fenômenos como o Brexit e a radicalização do partido Fidesz, do húngaro Viktor Orbán, muitos analistas políticos vislumbravam a chegada dos eurocéticos ao Parlamento Europeu como uma espécie de 'Cavalo de Troia' que destruiria a União Europeia (UE).

Se em 2014 eles conseguiram em torno de 100 cadeiras, nestas eleições calcula-se que os eurocéticos, em maior ou menor intensidade, ocuparão cerca de 175. Um número que não pode ser ignorado, mas que continua distante de causar o risco de um travamento de pautas em um plenário que conta com 751 eurodeputados.

A pesquisadora do Centro Europeu de Ciência Política (CEPS, na sigla em inglês), Sophia Russack, disse à Agência Efe que os eurocéticos, "em nenhum caso, serão a principal ou até mesmo a segunda ou terceira maior bancada na Eurocâmara", mas reconheceu que antecipar a magnitude da ascensão do populismo "é quase impossível".

"Com os extremismos as pesquisas sempre se equivocam, porque é sempre imprevisível, já aconteceu com o Brexit e com (o presidente dos Estados Unidos, Donald) Trump em 2016", disse.

A saída do Reino Unido - inicialmente marcada para 31 de outubro, embora ainda não seja garantida - terá grande influência no peso final dos eurocéticos no plenário. Atualmente, os conservadores britânicos e o Ukip (Partido de Independência do Reino Unido) são carros-chefe da terceira e da sexta maiores bancadas da Eurocâmara, respectivamente a dos Reformistas e Conservadores Europeus (ECR) e do Europa da Liberdade e da Democracia Direta (EFDD).

Mas não faltam candidato a sucessores de outras nacionalidades e partidos. O grupo Europa das Nações e da Liberdade (ENF), liderado pelo partido francês Reagrupamento Nacional, de Marine Le Pen, e pelo italiano Liga, de Matteo Salvini, vêm há meses trabalhando para criar um grande grupo eurocético. Em suas fileiras estarão os partidos Alternativa para a Alemanha (AfD), FPÖ e Vlams Belang, os dois últimos de Áustria e Bélgica.

Além do grupo de Salvini e Le Pen restam o ECR e o EFDD, este último com o italiano Movimento Cinco Estrelas à frente.

Sobre a possibilidade de todos os partidos eurocéticos formarem um supergrupo anti-UE, fontes parlamentares e a própria analista política descartam o cenário.

"Não serão capazes de se unir, há muita divisão interna e, na realidade, eles têm agendas políticas muito diferentes", afirmou Russack.

"Os eurocéticos não querem abolir o Parlamento Europeu, porque politicamente é vantajoso para eles ter um inimigo contra o qual lutar", ressaltou.

A especialista em política europeia também assinalou que, "depois do Brexit, outros populistas já não se atrevem a ir tão longe como pedir a saída de seus países da UE".

Todas as pesquisas de intenção de voto apontam que a maior bancada na Eurocâmara será do PPE, seguida pela da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D). O terceiro lugar deve ficar com a Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa (ALDE) - reforçada pelos eurodeputados do partido de Emmanuel Macron, que será chave para que essa tríade siga no comando da Comissão Europeia, desenvolvendo a agenda pró-Europa. EFE

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