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Espanha tem chances reais de ampliar influência no Parlamento Europeu

2019-05-22T20:31:00

22/05/2019 20h31

Miriam Burgués.

Madri, 22 mai (EFE).- A Espanha tem chances reais de aumentar seu peso político no Parlamento Europeu após as eleições desta semana, sobretudo se conseguir que os candidatos do país desenvolvam uma estratégia nacional, não partidária, e consolidem alianças com outros eurodeputados do sul do continente, como de Portugal.

A análise foi feita em um estudo divulgado pelo Real Instituto Elcano, que avalia o papel da Espanha no Parlamento Europeu desde a entrada do país na União Europeia (UE) em 1986. A pesquisa inclui prognósticos sobre as próximas eleições regionais e dá uma série de recomendações para ampliar a influência espanhola em Bruxelas.

A própria conjuntura europeia, com o Brexit e um governo italiano crítico ao bloco, pode elevar a Espanha à condição de "aliada indispensável" para França e Alemanha, que desejam ampliar a integração entre os países que fazem parte da UE.

Ainda há chance, segundo Ilke Toygür, uma das autoras do estudo, de o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), do atual presidente interino do governo da Espanha, Pedro Sánchez, ser o partido mais votado nas eleições europeias, superando o Partido Trabalhista do Reino Unido. Isso daria à legenda a chance de liderar a bancada social-democrata do Parlamento Europeu.

"Estão se preparando no PSOE para exercer esse papel, o de presidir o grupo social-democrata. Na última convenção do Partido Socialista Europeu, realizada em Madri, se via claramente esse desejo", afirmou a pesquisadora do Real Instituto Elcano.

A hipótese ganhou ainda mais força depois que os líderes socialistas europeus elegeram Sánchez para ser o representante do grupo nas negociações sobre a nova divisão institucional da UE.

Após as eleições e a posse dos novos eurodeputados, o Parlamento Europeu terá que decidir quem serão os novos presidentes da Comissão Europeia, o órgão executivo do bloco, e do Conselho Europeu, que reúne os líderes dos 28 membros da UE, incluindo o Reino Unido.

A Espanha elegeu o presidente do Parlamento Europeu em três oportunidades, perdendo apenas para a Alemanha: Enrique Barón (1989-1992), José María Gil Robles (1997-1999) e Josep Borrell (2004-2007), atual ministro de Relações Exteriores do país e cabeça de chapa do PSOE no pleito do próximo domingo.

Analisando os vice-presidentes, o estudo do Real Instituto Elcano mostra a Espanha como líder. Os representantes do país exerceram o cargo em 28 oportunidades, contra 27 da Alemanha e da Itália.

No entanto, o país perde influência na hora de presidir comissões do Parlamento Europeu, essenciais para influenciar a agenda e a tramitação de medidas no órgão. Apenas 32 eurodeputados espanhóis exerceram tal função. A Alemanha lidera a lista, com 52, seguida de Itália, com 50, Reino Unido, com 40, e França, com 39. E o único espanhol que chegou a presidir um grupo político dentro do Parlamento Europeu foi Baron, entre 1999 e 2004.

"Pensando no papel dos partidos espanhóis na próxima legislatura, uma das aspirações mais importantes deve ser a de conseguir alguma presidência de grupo. É esperar para ver se os partidos terão a capacidade de se unir e colocar as diferenças de lado para ter uma influência em nível europeu", afirmou Toygür.

O estudo afirma que os partidos espanhóis devem montar uma estratégia estatal, não partidária, para aumentar o peso da Espanha em Bruxelas, que, por enquanto, é inexistente.

Os autores da análise também afirmam que a resolução do conflito com a Catalunha potencializaria a influência da Espanha no exterior.

"Se o país continuar refém das tensões independentistas na Catalunha, os esforços na política europeia serão afetados", ressaltou a avaliação do Real Instituto Elcano.

Outra recomendação do relatório fala sobre estratégias que a Espanha deve adotar após as eleições europeias, entre elas a elaboração de uma aliança regional, mirando primeiro em Portugal e depois nos demais países do sul do continente.

O estudo também sugere que os partidos expliquem aos eleitores a visão da legenda sobre o futuro da Europa e o papel que o Parlamento Europeu tem na vida dos espanhóis.

"Sem isso, é impossível que os cidadãos entendam a importância do seu voto", concluiu a análise. EFE

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