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Músico foi baleado por militares 8 vezes mesmo desacordado, diz denúncia

7.abr.2019 - Evaldo Rosa dos Santos foi baleado por militares no bairro de Guadalupe, no Rio - Reprodução/Facebook
7.abr.2019 - Evaldo Rosa dos Santos foi baleado por militares no bairro de Guadalupe, no Rio Imagem: Reprodução/Facebook
do UOL

Igor Mello

Do UOL, no Rio

21/05/2019 14h49

O músico Evaldo Rosa dos Santos foi atingido por oito tiros depois de já estar desacordado, afirma a denúncia do MPM (Ministério Público Militar) sobre o caso. Ao todo, o carro da vítima foi atingido por 83 tiros, segundo laudo feito durante as investigações.

A informação consta na denúncia do MPM lida durante audiência do processo respondido pelos 12 militares envolvidos na ocorrência, no dia 7 de abril --eles são acusados de dois homicídios, uma tentativa de homicídio e omissão de socorro. De acordo com a denúncia, os militares efetuaram disparos em três momentos diferentes, a primeira delas ao presenciar uma tentativa de assalto nas proximidades do viaduto de Deodoro.

Após o suposto confronto, os militares seguiram em perseguição e efetuaram disparos na direção do carro de Evaldo, que passava pelo local. Um tiro atingiu o músico, que dirigia o Ford Ka branco. O sogro de Evaldo, Sérgio Gonçalves de Araújo, guiou o veículo até parar. Já com o veículo imóvel, outra rajada foi disparada, e oito tiros atingiram o músico no tronco e na cabeça. Sérgio, que se abaixou entre o banco do carona e o painel, foi atingido de raspão nas costas e no glúteo.

Testemunhas de acusação

A Justiça Militar começa hoje a colher os depoimentos das testemunhas do caso. Na ação também foi morto o catador de materiais recicláveis Luciano Macedo.

Na audiência de hoje serão ouvidas oito testemunhas de acusação arroladas pelo MPM. São réus 12 militares acusados de matar Evaldo e Luciano. A guarnição dos acusados disparou 257 tiros durante a ocorrência. Evaldo seguia com a família para um chá de bebê em Guadalupe, zona norte do Rio. Luciano foi atingido ao tentar ajudar as vítimas.

Os militares alegaram ter confundido o carro de Evaldo, um Ford Ka branco, com o veículo utilizado por criminosos que praticaram um assalto na região.

Em depoimento, os réus acusaram o catador Luciano Macedo de atirar contra a guarnição do Exército. Segundo eles, essa foi a justificativa para a segunda rajada disparada em direção ao carro, que atingiu Luciano. No entanto, nenhuma arma foi apreendida no local e testemunhas disseram não ter havido troca de tiros.

Pedido de habeas corpus

No dia 8 de maio, o STM (Supremo Tribunal Militar) começou a julgar um pedido de habeas corpus dos nove militares presos. O julgamento estava 4 a 1 em favor da libertação dos militares quando o ministro José Barroso Filho pediu vista. A previsão é que o julgamento seja retomado nesta quinta-feira, segundo a defesa dos presos. O tribunal tem 15 ministros.

Entre os 12 militares acusados, nove seguem presos preventivamente: o 2° tenente Ítalo da Silva Nunes, o 3° sargento Fabio Henrique Souza Braz da Silva, o cabo Leonardo Oliveira de Souza, além dos soldados Gabriel Christian Honorato, Matheus Sant'Anna Claudino, Marlon Conceição da Silva, João Lucas da Costa Gonçalo, Gabriel da Silva de Barros Lins e Vitor Borges de Oliveira. Respondem em liberdade e os soldados Wilian Patrick Pinto Nascimento e Leonardo Delfino Costa e o cabo Paulo Henrique Araújo Leite.

Morador filmou parte da ação

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