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Pesquisadores de Minas fazem árvores nativas darem flores em seis meses

Divulgação/Universidade Federal de Viçosa
Arvores cultivadas pela Universidade Federal de Viçosa Imagem: Divulgação/Universidade Federal de Viçosa
do UOL

Daniel Leite

Colaboração para o UOL, em Juiz de Fora (MG)

2019-05-18T04:00:00

2019-05-20T09:24:52

18/05/2019 04h00Atualizada em 20/05/2019 09h24

Uma técnica desenvolvida por pesquisadores da UFV (Universidade Federal de Viçosa), em Minas, possibilita que plantas nativas da Mata Atlântica, da Amazônia e de outros sistemas se desenvolvam em tempo recorde. O período pode cair de 20 anos para um ano e, em alguns casos, para apenas seis meses.

É a primeira vez que o procedimento é aplicado em espécies nativas. Antes, a aplicação era restrita a eucaliptos.

A redução drástica no tempo de desenvolvimento da planta foi possível graças à enxertia (união de uma planta a outra) e ao uso de reguladores de crescimento.

A enxertia possibilita o surgimento de plantas "anãs", baixas, com altura entre 80 cm e 1 metro. Ao serem aplicados, os reguladores induzem à floração das plantas em vasos fazendo com que se desenvolvam precocemente. Dessa forma, em até um ano a planta florescerá e estará pronta para ser replantada.

O novo método não acarreta prejuízo para a planta, segundo o pesquisador Gleison dos Santos, engenheiro florestal, professor e pesquisador do Departamento de Engenharia Florestal. "Consegue-se produzir mais flores e mais rápido. O processo é benéfico do ponto de vista ambiental", diz Santos, que prefere não falar em custos do processo. Segundo ele, há variáveis na aplicação da técnica que influenciam no custo final. Ele garante, porém, que a técnica compensa financeiramente. "O preço é significativamente menor porque se tem acesso a sementes em um período muito menor."

O experimento durou um ano e meio. A ideia da universidade é divulgar de forma ampla a técnica de fazer as plantas florescerem em tempo recorde para passar a ser aplicada, por exemplo, em locais que sofreram desastre ambiental ou que necessitem de reflorestamento por algum outro motivo.

Segundo o pesquisador, grandes empresas já procuraram a universidade com o objetivo de conhecer a nova técnica e contratar o serviço para recuperação de áreas degradadas. O foco da UFV no momento é oferecer o serviço à mineradora Vale, cujas barragens provocaram os maiores desastres ambientais do país, em Mariana (2015) e Brumadinho (2019).

Em casos assim, antes das árvores atingidas pela lama morrerem, elas podem ser enxertadas. Com isso, preservadas, as mudas seriam levadas para reprodução em pomares em estufas. "Em um tempo recorde é possível ter uma cópia fiel de uma planta que iria morrer por causa do desastre", diz Santos. Em seguida, ela seria replantada no local.

A técnica pode ser colocada em prática mesmo meses após o desastre já que, de acordo com o professor, a planta suporta por um tempo o contato, por exemplo, com lama, metais pesados e outros resíduos.

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