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Extrema direita se reúne na Itália pela conquista da Europa

2019-05-18T17:28:00

18/05/2019 17h28

Milão, 18 Mai 2019 (AFP) - Milhares de simpatizantes dos partidos nacionalistas e xenófobos, liderados pelo líder italiano Matteo Salvini, pela francesa Marine Le Pen e pelo holandês Geer Wilders, reuniram-se neste sábado (18) em Milão para fortalecer seus laços com o objetivo de conquistar a União Europeia (UE).

"Não se trata de extrema direita, mas de um sentimento comum. Os extremistas são aqueles que governaram a Europa nos últimos 20 anos", declarou Salvini no palco montado na Piazza del Duomo.

Faltando uma semana para as eleições europeias, Salvini e sua principal aliada, Marine Le Pen, líder da Reunião Nacional (RN, ex-Frente Nacional), tentam construir uma aliança de extrema direita com cerca de 12 siglas, para se tornar a principal força política no Parlamento Europeu.

"Não queremos esta União Europeia que alimenta uma globalização selvagem, sem regras, que faz escravos trabalharem para vender mercadorias para desempregados", disse a líder da extrema direita francesa.

A grande manifestação conta com a participação de delegações da Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Dinamarca, Eslováquia, Estônia, Finlândia, França, Holanda e República Tcheca.

Milhares de simpatizantes viajaram para a capital financeira da Itália para marchar até a Piazza del Duomo, famosa por sua catedral gótica, onde também discursou Wilders, líder do holandês Partido pela Liberdade (PVV).

"Chega de Islã, chega de Islã", gritou várias vezes o líder holandês, famoso por suas posições islamofóbicas.

Bandeiras azuis, cartazes com o slogan "Itália Primeiro" e centenas de fotos de Salvini, com a frase "Obrigado Matteo", destacavam-se.

"Não aos burocratas, às embarcações de imigrantes e ao politicamente correto", dizia outro.

"Quero outra Europa", afirmou o siciliano Cino Maddaloni, no meio da multidão que resistia apesar da chuva.

A poucos quilômetros dali, no parque Sempione, manifestantes antifascismo começavam a ocupar o espaço para protestar.

Considerada pelos adeptos da extrema direita como o modelo a ser seguido na UE, a coalizão de direita e extrema direita no poder na Áustria explodiu neste sábado, após a divulgação de um vídeo comprometedor, expondo o vice-chanceler e líder do Partido da Liberdade (FPO), Heinz-Christian Strache.

O eurodeputado Harald Vilimsky, cabeça da lista do FPÖ para as eleições europeias, cancelou sua viagem a Milão e foi substituído por seu homólogo Georg Mayer, que não abordou o assunto e pediu que se "contenha a imigração da África e do Oriente Médio".

- Diferenças e divergênciasA internacional ultraconservadora está, no entanto, muito dividida, já que, entre as legendas, há grandes divergências sobre questões como orçamento, ou sobre a distribuição dos migrantes na UE.

O principal objetivo é assegurar que o grupo Europa das Nações e das Liberdades (ENL) se torne a terceira força do Parlamento Europeu, contando com a Liga, a RN, o Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ) e o flamengo Vlaams Belang, para, assim, superar os liberais.

Salvini, vice-primeiro-ministro e ministro do Interior da Itália, multiplicou seus comícios eleitorais nas últimas semanas.

"Dê-nos uma mão para que possamos nos tornar a primeira força na Europa e recuperar as chaves da nossa casa. As eleições europeias são um referendo entre a vida e a morte, entre passado e futuro, entre uma Europa livre e um Estado Islâmico baseado no medo", exclamou o italiano, que acusou todos os abstencionistas de serem "cúmplices" de Angela Merkel, Emmanuel Macron e George Soros.

"A Europa é forte, se suas nações são fortes", sustenta Le Pen, defensora, como Salvini, de uma "Europa de nações e cooperação", em vez de uma União Europeia federalista.

O jornal italiano "La Repubblica" estima que Salvini pode obter um bom resultado nas eleições. Reconhece, contudo, que há muitas dúvidas sobre sua liderança no nível do Parlamento Europeu, diante da "irrealizável" aliança internacional de várias siglas soberanistas.

"Os primeiros a fechar a porta para Salvini foram, precisamente, aqueles que a Liga considerava seus interlocutores: a direita austríaca, bávara e finlandesa", lembra o jornal.

As diferenças, de fato, são muitas. Pesa bastante o relacionamento com a Rússia, já que tanto Le Pen quanto Salvini são considerados próximos a Moscou, enquanto os partidos nacionalistas dos antigos países comunistas são refratários a essa ideia.

Para Sven Giegold, que lidera a lista dos Verdes na Alemanha, uma aliança entre Matteo Salvini e George Meuthen, líder do Alternativa para a Alemanha (AfD), que confirmou sua presença em Milão, é "totalmente impossível".

"Salvini quer a redistribuição de refugiados na Europa. Meuthen não quer receber nenhum e não quer dar dinheiro para a Europa do sul", explicou Giegold à agência de notícias AGI.

Salvini reconhece essas divergências em voz baixa, embora as minimize.

"Com novos resultados no Parlamento Europeu e novos equilíbrios na Comissão, poderemos mudar as regras que estrangulam a economia", disse ele à imprensa na sexta-feira, após defender uma maior flexibilidade orçamentária.

De acordo com as pesquisas mais recentes, a Liga obteria 26 deputados para o Parlamento Europeu, 20 a mais do que hoje; a RN chegaria a 20 (+5); e o AfD, a 11 (+10).

Outros partidos, alguns nanicos e com poucas chances, como o Volya búlgaro, ou o eslovaco Sme Rodina, conseguiam um assento. Todos participarão da grande marcha milanesa.

O primeiro-ministro húngaro, o ultraconservador Viktor Orban, estará ausente, já que recusa qualquer aliança com Le Pen. O Partido da Lei e da Justiça da Polônia também não será representado, outra importante deserção.

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