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Vítimas de abusos processam Vaticano exigindo a revelação dos padres acusados

Vaticano via Reuters
21.fev.2019 - Primeira cúpula do Vaticano para discutir abusos sexuais cometidos por padres Imagem: Vaticano via Reuters

2019-05-15T06:20:00

15/05/2019 06h20

Cinco supostas vítimas de padres católicos nos Estados Unidos, incluindo três irmãos, entraram com uma ação ontem contra o Vaticano para que sejam divulgados os nomes dos milhares de clérigos que foram acusados de abuso sexual.

Os três irmãos são supostamente vítimas de Curtis Wehmeyer, um padre de Minnesota que em 2012 foi condenado a cinco anos de prisão após se declarar culpado de vários crimes, incluindo abuso sexual e posse de pornografia infantil, em um caso que ele teve grande repercussão no país.

"Eu tenho sobrinhos e sobrinhas para permitir que isso aconteça novamente com outra pessoa", disse, em entrevista coletiva, Stephen Hoffman, um dos três irmãos vítimas de abusos por parte de Wehmeyer entre 2006 e 2012, em uma entrevista coletiva que, com o processo, divulgaram publicamente historia.

Outro dos litigantes foi supostamente vítima, entre 1978 e 1984, do ex-padre Fidencio Silva-Flores, que os Estados Unidos acusaram de abusar de menores em 2003, mas nunca foi julgado, pois ele estava no México na época.

A ação acusa o Vaticano de encobrir os 3,4 mil religiosos em todo o mundo que admitem receber relatos de abusos e os contextos em que ocorreram, disse o jornal de Minnesota "Star Tribune".

"Histórias que só o Vaticano conhece", disse Jeff Anderson, o advogado das vítimas, Jeff Anderson.

"Apresentamos um conjunto de evidências que mostram que todos os caminhos levam a Roma", acrescentou Anderson sobre o processo atual.

Em 2014, o Vaticano disse ter expulsado 3.420 religiosos acusados de abusos sexuais do sacerdócio, mas não informou seus nomes nem os entregou às autoridades.

Esse número, no entanto, está longe de ser real, já que somente nos EUA a Igreja Católica admitiu mais de 6 mil casos.

Na semana passada, o papa Francisco ordenou a todos os membros da Igreja que denunciem qualquer caso de abuso sexual e também o encobrimento dos bispos.

Decreto do Papa obriga denúncias de abusos na igreja

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