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Quem é quem nas eleições da Austrália

2019-05-15T21:21:00

15/05/2019 21h21

Sydney (Austrália), 15 mai (EFE).- A Austrália realiza neste sábado eleições que, ao que tudo indica, terão uma disputa acirrada, após seis anos de governo da coalizão conservadora dos partidos Liberal e Nacional, pelos quais passaram três primeiros-ministros devido a brigas e intrigas internas.

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O primeiro-ministro da Austrália:.

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Scott Morrison, que assumiu as rédeas do governo em agosto de 2018 após uma revolta interna no Partido Liberal para desbancar Malcolm Turnbull, tenta liderar a coalizão governista rumo à vitória, apesar das pesquisas serem desfavoráveis ao atual premiê.

De ideias socialmente conservadoras e defensor do liberalismo econômico, "ScoMo", de 51 anos e cristão praticante, fez da redução de impostos e do bom manejo da economia nacional sua principal carta de apresentação. Por outro lado, não hesita em ser linha-dura em temas como a imigração ilegal e o retorno de combatentes jihadistas.

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O líder da oposição:.

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Bill Shorten chega ao pleito como elemento unificador do Partido Trabalhista depois de um período de revoltas internas ocorridas durante a passagem da legenda pelo poder entre 2007 e 2013, que resultaram na alternância no cargo de primeiro-ministro entre Kevin Rudd e Julia Gillard.

Shorten, ex-líder sindicalista e favorável à transformação da Austrália em uma república, defende nesta campanha eleitoral a igualdade de gênero, o acesso gratuito às creches, melhorias na saúde e na educação públicas, assim como ações drásticas contra a mudança climática.

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O ex-primeiro-ministro conspirador:.

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O ex-coroinha e jornalista Tony Abbott - que tenta manter a cadeira que ocupa desde 1994 pelo distrito de Warringah - orquestrou no ano passado a revolta contra Malcom Turnbull como uma revanche depois que o correligionário o desbancou do poder em 2015.

Liderança visível da ala conservadora, Abbott se opôs abertamente à legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, aprovado em 2018, e é um dos principais defensores da exploração do carvão para geração de energia e um negacionista da mudança climática.

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O líder do Partido Verde:.

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Richard di Natale, líder do Partido Verde, entra no pleito com o risco de perder terreno devido aos votos que os independentes poderão obter, uma possibilidade que coincide com a maior conscientização da população sobre a luta contra a mudança climática.

Desde que assumiu as rédeas do partido, em 2015, o ex-médico de família e filho de pais italianos foi crucial para promover a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, as investigações sobre os bancos e o setor que zela pelos incapacitados, e um melhor tratamento aos solicitantes de asilo e refugiados detidos em centros situados nas ilhas do Pacífico.

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A ultranacionalista Pauline Hanson:.

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Ex-proprietária de uma lanchonete especializada em peixe com batatas fritas, Hanson causou alvoroço desde a primeira aparição na política, em 1996, com sua posição contra a imigração, e em seu retorno, dez anos depois, primeiro contra os imigrantes chineses e agora contra os muçulmanos.

O partido Uma Nação, dirigido por essa política controversa que compareceu com uma burca ao Senado como protesto, promoveu a moção "Está tudo bem ser branco" e questionou um massacre que em 1996 levou à proibição de armas na Austrália, ao mesmo tempo em que foi acusada pelo canal de televisão "Al Jazeera" de buscar financiamento da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), o maior grupo de lobby em defesa da posse e do porte de armas nos Estados Unidos.

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O excêntrico milionário:.

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O magnata dos setores da mineração e imobiliário Clive Palmer, que em 2016 foi considerado como uma das 200 pessoas mais ricas do país, volta à disputa eleitoral com o Partido Unido da Austrália com um discurso populista e conservador e o lema "Vamos fazer a Austrália grande", similar ao de Donald Trump nos Estados Unidos.

No complexo sistema eleitoral, no qual os votos das cédulas com múltiplas opções variam até que um candidato alcance 50%, Palmer fechou um acordo com o Partido Liberal, o que poderia lhe dar uma passagem para o Parlamento, no qual se espera que os independentes tenham papel-chave. EFE

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