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Em maior desafio a Bolsonaro, milhares vão às ruas em defesa da educação

2019-05-15T21:11:00

15/05/2019 21h11

São Paulo, 15 mai (EFE).- Milhares de pessoas saíram às ruas de todo o Brasil nesta quarta-feira para protestar contra o corte de verbas para a educação pública anunciado pelo governo de Jair Bolsonaro, na maior manifestação realizada contra políticas do presidente desde que ele assumiu o poder, em janeiro.

Todos os 26 estados e o Distrito Federal registraram manifestações nos principais centros urbanos, onde se concentraram estudantes, professores, membros de sindicatos e outras organizações que criticam não só o bloqueio de recursos, como a reforma da previdência e a flexibilização do comércio e do porte de armas, defendidas pelo governo.

"Tudo vai ser afetado, não serão só as áreas estratégicas, porque o conhecimento tem que ser pensado como um todo e todas as áreas são estratégicas", afirmou à Agência Efe Homero Santiago, professor de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com Santiago, que participou da manifestação na Avenida Paulista, áreas de ciências sociais e humanidades, como a Filosofia, não serão imediatamente afetadas, mas sim as de ciência básica, que exigem laboratórios, pesquisadores e investimentos em equipamentos.

"No médio prazo, todas as áreas serão afetadas", antecipou o professor universitário, para quem o principal problema da educação é a falta de uma proposta.

"Quando se diz que há muito dinheiro para o ensino universitário e pouco para a educação fundamental isso é uma falácia", completou.

As manifestações aconteceram enquanto o ministro da Educação, Abraham Weintraub, falava no plenário da Câmara dos Deputados, que ontem o convocou para explicar os cortes nas despesas das universidades públicas,

Em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP), mais de cem mil pessoas se concentraram, segundo os organizadores, para marchar cerca de três quilômetros até a Assembleia Legislativa do estado.

No Rio de Janeiro não foi diferente e milhares de pessoas se reuniram na Candelária, no centro da cidade, aos gritos de "Educação não é esmola" e "A nossa luta se unificou, é estudante junto com trabalhador".

Uma estudante de 19 anos que se identificou à Efe apenas como Clarissa disse que decidiu participar do protesto por "todos os atropelos contra os negros, os bolsistas e todo o povo brasileiro, que não se está sentindo representado pelo presidente".

O também estudante Mateus, por sua vez, declarou que o povo deve tomar as ruas "para que este governante, que é um ditador, preste atenção e veja que a educação é a base de um país".

Apesar do caráter pacífico em todas as cidades, a manifestação do Rio foi marcada por confrontos entre a polícia e alguns manifestantes, que chegaram a incendiar um ônibus e foram dispersados com tiros de balas de borracha. EFE

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