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Grávida que morreu afogada ao tentar salvar filho sonhava em ter uma menina

Arquivo pessoal
Camila e o filho Erick Miguel morreram afogados em represa de Itaí (SP) Imagem: Arquivo pessoal
do UOL

Bruna Alves

Colaboração para o UOL, em São Paulo

2019-04-23T11:06:54

2019-04-24T09:16:12

23/04/2019 11h06Atualizada em 24/04/2019 09h16

Uma mãe excepcional, lutadora e amorosa. É assim que amigos e familiares descrevem Camila Bianca Pereira da Silva, 24, que morreu afogada ao tentar salvar a vida do filho Erick Miguel da Silva Christofalo Alves, 5, no último dia 18. Ambos se afogaram numa represa em Itaí, interior de São Paulo.

De origem humilde, Camila perdeu a mãe aos 16 anos de idade e acabou ajudando a família nos cuidados com os três irmãos. Aos 15, ela já trabalhava, fazendo bicos como garçonete para reforçar o orçamento em casa. Ela tinha um amor imenso por sua irmã mais nova, Vera Lúcia, chamada carinhosamente por todos de Verinha.

As irmãs não moravam mais juntas, mas continuavam muito próximas. "Sempre que podia eu estava presente. Final de semana eu ia ficar com eles, e a gente brincava. Éramos muito felizes mesmo. Dói muito", diz Vera Lúcia. A irmã se emociona ao lembrar da tragédia e relembra os bons momentos com o sobrinho.

É um princípe. Amoroso que só
Vera Lúcia, irmã de Camila, falando do sobrinho Erick

"Ela amava a irmã e sempre lutou para ter o que queria sem precisar de ninguém", relembra Poliane Taís Marcelino, 23, que era amiga de Camila há oito anos.

Segundo os amigos e familiares, Camila era calma, brincalhona, adorava conversar sentada na calçada de sua casa com os amigos e era querida na região onde morava, na cidade de Avaré, interior de São Paulo.

Arquivo Pessoal
Camila trabalhava como tatuadora e estava grávida de sete meses Imagem: Arquivo Pessoal
Mãe de dois filhos, um de cinco anos e um de sete, estava sempre atenta às crianças. Camila estava grávida de sete meses, e em breve nasceria sua filha, com o então namorado Erick Oliveira de 23 anos.

"Guerreira, fazia o impossível para cuidar dos filhos. Eles não se desgrudavam", conta Poliane, que diz que um dos sonhos da amiga era poder ajudar a sua irmã mais nova e dar um futuro melhor para os seus filhos.

A amiga relata que Camila havia começado o relacionamento com Oliveira há pouco tempo, mas que eles mostravam estar muito felizes. "Um dia antes dela morrer estava aqui em casa. Ela me disse que estava feliz com o namorado e que o seu sonho era ser mãe de menina. Disse também, que ele [o namorado] cuidava muito bem dela", diz.

Camila era aluna de um curso de tatuagem e já havia começado a trabalhar como tatuadora. Vizinho e amigo de infância, Samuel Aparecido dos Santos, 23, ainda não consegue acreditar no que aconteceu. "Ela era cuidadosa e não largava as crianças para nada...Para nós que morávamos de frente ficou muito triste. Ela era única, calma e brincalhona. Agora do outro lado da rua está uma tristeza", lamenta.

Reprodução
Camila tentou salvar o filho Erick, mas os dois acabaram se afogando Imagem: Reprodução
Santos explica que era muito apegado com Camila e os seus filhos, que, ao menor sinal de perigo já o chamavam. "Quando ela sentia dores e precisava ir ao médico, eu ficava olhando as crianças na casa dela, porque eles eram acostumados comigo e não ficavam com os outros. Ela era como uma irmã, eu cresci junto com ela", recorda.

Tia do namorado de Camila, Maria José de Oliveira explica que o casal já tinha o enxoval do bebê pronto. "Ela era uma menina muito esforçada e trabalhadeira. Tinha muita preocupação com ele [Erick Oliveira] e cuidava muito bem das crianças", diz. Segundo a tia, eles moravam juntos há quase um ano e, desde a morte de Camila e do filho de 5 anos, o namorado está em estado de choque. O caso foi registrado como morte acidental pela delegacia seccional de Avaré.

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