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Justiça do Peru ordena prisão preventiva do ex-presidente Kuczynski

Cris Bouroncle/AFP
1.set.2017 - O ex-presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski na porta do palácio presidencial em Lima Imagem: Cris Bouroncle/AFP
do UOL

Do UOL*, em São Paulo

2019-04-19T19:01:25

19/04/2019 19h01

Um tribunal peruano ordenou hoje a prisão preventiva do ex-presidente do país Pedro Pablo Kuczynski, que está internado numa clínica em Lima por conta de problemas cardíacos. O processo é mais um desdobramento da investigação de suposta lavagem de dinheiro no escândalo Odebrecht, revelado pela Operação Lava Jato no Brasil. Ainda segundo o Judiciário do país, Kuczynski terá de cumprir três anos de prisão preventiva.

No texto em que determinou a prisão do ex-presidente, o juiz Jorge Chávez disse que existem evidências de que Kuczynski cometeu o crime de lavagem de dinheiro, ocultou e deu informações fiscais falsas e não tem garantia de permanência no Peru, já que a esposa e a família do político vivem nos Estados Unidos.

No caso de Gloria Kisic Wagner e José Luis Bernaola, secretária e motorista do ex-presidente, respectivamente, e que também eram acusados dos crimes, o juiz rejeitou o pedido de prisão preventiva e ordenou que os dois se apresentem regularmente à Justiça.

A ordem de prisão preventiva contra Kuczynski foi apoiada pelo promotor José Domingo Pérez, que, depois de avaliar o relatório médico do ex-chefe de Estado, afirmou que não mudará o pedido inicialmente formulado para prisão domiciliar.

Kuczynski, de 80 anos, será informado da decisão do juiz na clínica de Lima, onde está internado após passar por uma intervenção cardíaca derivada de uma crise hipertensiva.

César Nakazaki, advogado de Kuczynski, informou que vai apelar da decisão por "considerá-la injusta com uma pessoa com problemas de saúde".

A procuradoria especial responsável pela Lava Jato, que investiga os esquemas de suborno envolvendo a empreiteira brasileira, havia requisitado na última segunda-feira (15) a prisão preventiva do ex-presidente peruano, em uma audiência de apelação da detenção do ex-banqueiro de Wall Street, num caso que atinge quatro ex-chefes de governo do país.

No mesmo dia, a própria procuradoria disse que a detenção prévia poderia ser de 36 meses. "Espero que me deixem em liberdade se houver citação amanhã, eu espero voltar para minha casa como fiz tantas vezes", disse o ex-presidente durante sua defesa na segunda-feira.

"Destruíram minha reputação, de um homem que trabalha há 60 anos", acrescentou Kuczynski, que descartou fugir do país. "Estou neste momento sem fundos porque minhas contas estão bloqueadas há muitos meses", lamentou no começo da semana.

Suicídio de Alan García

Além de Kuczynski, o suposto escândalo de lavagem de dinheiro atingiu também o ex-presidente peruano Alan García, que se suicidou com um tiro na cabeça na última quarta-feira (17). García fez o disparo assim que recebeu uma ordem de prisão da justiça peruana.

García era alvo de um pedido de prisão temporária, por dez dias. O ex-presidente era investigado por supostamente ter recebido propina da construtora Odebrecht, segundo o jornal peruano El Comercio.

García foi levado ao hospital Casimiro Ulloa, mas não resistiu ao ferimento. Mais cedo, a ministra da Saúde peruana, Zulema Tomás, disse que o político havia sofrido três paradas cardíacas.

Ainda de acordo com o jornal El Comercio, a polícia chegou à casa dele, em Lima, às 6h25 (horário local). Ao ser avisado da prisão, García pediu para falar com seus advogados. Em seguida, os policiais ouviram o disparo, encontraram o ex-presidente ferido e o levaram para o hospital.

García foi presidente da nação entre 1985 e 1990 e novamente de 2006 a 2011. Como outros membros do alto escalão da América do Sul, ele foi envolvido no escândalo da Odebrecht e estava sob investigação por suspeita de recebimento de suborno da gigante de construção brasileira. Ele negava irregularidades.

Cinco ex-presidentes acusados de corrupção

Além de García e Kuczynski, o Peru tem outros três presidentes eleitos envolvidos em casos de corrupção. Um deles, Alejandro Toledo, é considerado foragido. O ditador Alberto Fujimori cumpre pena por crimes contra a humanidade, mas também foi acusado e condenado por corrupção.

Ollanta, Humala, outro ex-presidente acusado, dirigiu o país entre 2011 e 2016 e permaneceu preso por nove meses por suspeitas de US$ 3 milhões em propina da Odebrecht durante a campanha presidencial. Sua mulher, Nadine Heredia, também foi encarcerada em função do mesmo delito.

Já Alejandro Toledo (2001 - 2006) fugiu para os EUA, onde enfrenta um pedido de extradição. A Odebrecht afirma que pagou US$ 20 milhões a Toledo pela licitação de trechos da rodovia interoceânica Peru-Brasil. A construção da rodovia continuou no governo de Alan García até dezembro de 2010.

*Com informações de agências
*Com reportagem de Talita Marchao, do UOL em São Paulo

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