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Como robôs ajudam a acabar com incêndios como o de Notre-Dame

Colossus, robô da francesa Shark Robotics, que ajudou a combater o incêndio da catedral de Notre-Dame - Reprodução/YouTube/L
Colossus, robô da francesa Shark Robotics, que ajudou a combater o incêndio da catedral de Notre-Dame Imagem: Reprodução/YouTube/L'Obs
do UOL

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL, em São Paulo

17/04/2019 15h06

Uma cena chamou a atenção durante o combate ao incêndio que destruiu boa parte da Catedral de Notre-Dame, em Paris, na última segunda-feira (15). Enquanto bombeiros trabalhavam para extinguir as chamas, um robô entrava em ação para ajudar na tarefa.

Trata-se do Colossus, um robô cuja principal função é atuar em eventos que apresentam risco a seres humanos. Quer um exemplo de uma situação dessas? Uma construção de 850 anos em chamas sob risco iminente de colapsar, como ocorreu com a catedral parisiense.

Na ocasião, Colossus manipulou uma mangueira de incêndio de grande porte, usada para resfriar a estrutura e apagar possíveis focos de incêndio, e, com isso, liberou bombeiros humanos para fazer outras atividades.

Fabricado pela francesa Shark Robotics, o Colossus não é só um robô feito para apagar incêndios. Com peso de meia tonelada, ele tem uma estrutura modular que o permite transportar equipamentos e até mesmo pessoas machucadas.

Para tal, o Colossus é capaz de transitar por diversos tipos de terreno, graças às esteiras que fazem com que ele lembre um tanque de guerra. Ele também consegue rebocar até duas toneladas, o que permite que ele retire obstáculos de seu caminho. E tem autonomia de 6 a 8 horas.

Ele pode realizar diversas missões como extinguir fogo, evacuar feridos, carregar equipamento ou fazer reconhecimento em vídeo e também por sensores de gás
Cyril Kabbara, co-fundador da Shark Robotics

Kabbara falou à agência AFP. O Colossus é comandado à distância, por controle remoto. A Shark Robotics diz que basta um treinamento durante a metade de um dia para aprender a controlar as funções do robô. Como auxílio para o "piloto", o robô conta com uma câmera de alta definição, função para visão noturna e câmera térmica -- no caso das chamas, esse recurso ajudou a direcionar jatos de água aos focos de calor. Ele pode ser equipado ainda com sensores capazes de detectar radiação, entre outros tipos de ameaças.

Segurança e eficiência

A lógica de se utilizar robôs em ambientes hostis como construções em chamas é simples: diminuir o risco à vida dos bombeiros. Seja no caso do Colossus ou no uso de outros dispositivos, a presença de robôs em situação perigosas acaba tendo outra consequência que vai além da segurança em si: tornar o trabalho mais eficiente.

Além de aparelhos no estilo do Colossus, há diversas versões de robôs criados para auxiliar os seres humanos em situações como a ocorrida em Paris. E eles assumem formas bem diferentes.

Um exemplo é o THOR, desenvolvido pela norte-americana Virginia Tech para um programa da Marinha dos Estados Unidos destinado a criar robôs autônomos que combatessem chamas dentro de embarcações. Ele tem uma forma humanóide e, com a companhia de um humano, já conseguiu apagar incêndios em testes.

Um exemplo de robô destinado a outras atividades não relacionadas ao combate do fogo é o SmokeBot. Criado pela Orebro University, na Suécia, esse robô se movimenta por esteiras e tem a função de mapear locais repletos de fumaça e poeira. Com isso, é possível aumentar a eficiência em resgates. Além disso, o SmokeBot é capaz de detectar e analisar gases, o que permite avaliar previamente se o local corre o risco de explosão.

Por fim, o uso de aparelhos mais simples como drones também se mostra fundamental em situações de risco. No caso do incêndio na capital francesa, eles captaram imagens como a vista abaixo.

Além de ajudar a dar uma dimensão do estrago, o uso de drones em situações do tipo ajuda no planejamento das ações a serem tomadas. Segundo o porta-voz dos bombeiros de Paris, Gabriel Plus, foram essenciais para que o fogo fosse controlado a tempo de evitar a destruição total da catedral. "Esses drones nos auxiliaram a fazer escolhas táticas e usar adequadamente os meios [de combate ao incêndio] que estavam à nossa disposição".

É improvável que vejamos robôs assumindo completamente o lugar de humanos na hora de combater incêndios ou resgatar pessoas. Na função de equipamento auxiliar, no entanto, eles já demonstraram e muito a sua capacidade.

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