Duque pede que Chancelaria verifique carta da Rússia sobre crise na Venezuela
Bogotá, 2 abr (EFE).- O presidente da Colômbia, Iván Duque, pediu à Chancelaria que verifique a autenticidade de uma carta do embaixador russo ao Congresso na qual adverte que uma incursão militar na Venezuela será considerada uma ameaça à paz e à segurança internacional.
"Eu acabo de ser notificado sobre essa comunicação. Não a conheço, pedi à Chancelaria que verifique a veracidade e que fale com o embaixador (da Rússia)", afirmou Duque aos jornalistas nesta terça-feira durante um pronunciamento na Casa de Nariño, sede do governo.
O líder respondeu assim a uma informação do jornal "El Tiempo", que aponta que o presidente da Câmara dos Representantes, o liberal Alejandro Chacón, recebeu em seu gabinete uma carta assinada pelo embaixador da Rússia em Bogotá, Serguei Koshkin, com advertências à Colômbia quanto ao seu papel na busca por uma saída para a crise venezuelana.
"O uso ilegítimo da força militar contra a Venezuela por parte de outros Estados que respaldam a oposição será interpretado pelo Conselho da Federação da Assembleia Federal da Federação da Rússia somente como um ato de agressão contra um Estado soberano e uma ameaça à paz e à segurança internacional", afirma a carta.
O Congresso é o encarregado de autorizar o Executivo a enviar tropas a outros países, segundo a Constituição, por isso Chacón considera que a carta é de "suma importância e gravidade".
Diante disto, Duque explicou que a Colômbia não planeja "agredir nenhum Estado, mas está no seu dever de defender a Carta Democrática Interamericana e de denunciar com clareza e contundência os desmandos da ditadura da Venezuela".
Além disso, o presidente colombiano manifestou que seu país procura "aprofundar o cerco diplomático" contra o presidente Nicolás Maduro e disse que, com a pressão internacional, espera que "o povo venezuelano seja o impulsor dessa transição institucional".
A Colômbia lidera junto aos Estados Unidos a pressão internacional contra o regime de Maduro e foi um dos primeiros países a reconhecer Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, após sua autoproclamação em janeiro.
Por sua vez, Rússia e China reiteraram apoio a Maduro e o primeiro enviou à Venezuela na semana passada dois aviões militares com quase cem solados e 35 toneladas de material não especificado. EFE
