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Ucranianos vão às urnas para escolher entre a velha e a nova política

29/03/2019 16h05

Nadjejda Vicente.

Kiev, 29 mar (EFE).- Os ucranianos vão às urnas neste domingo para decidir se querem mais cinco anos de Petro Poroshenko na presidência ou uma mudança representada pelo ator e comediante Vladimir Zelenski ou pela ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko.

As pesquisas apontam que a divisão na sociedade ucraniana é tamanha depois de cinco anos de governo Poroshenko que é muito provável que o vencedor só seja definido em um segundo turno, no dia 21 de abril.

Após duas revoluções e várias crises econômicas nos últimos 15 anos, a decepção com a corrupção e a falta de mudanças substanciais na vida diária gerou desconfiança entre os cidadãos.

Pela primeira vez na história do país, um novato sem experiência política, Zelinski, lidera as pesquisas. É um indicativo de que muitos ucranianos estão dispostos a usar o voto de protesto contra o sistema, alimentado por elite política que parece oferecer mais do mesmo.

Segundo os últimos levantamentos da ONG Rating, o comediante tem 25% das intenções de voto. Poroshenko e Yulia lutaram pelo segundo lugar, com 18% da preferência do eleitorado cada.

"Essas são as eleições mais imprevisíveis na história democrática da Ucrânia. Não se pode confiar nas pesquisas porque o alto índice de indecisos pode fazer a diferença", disse à Agência Efe o cientista político Vladimir Fesenko, diretor do centro ucraniano de estudos políticos Penta.

No próximo domingo, os quase 36 milhões de ucranianos com direito a voto terão diante de si um número recorde de candidatos - 39 no total -, veículos de imprensa dominados por oligarcas e um inusitado ativismo político nas redes sociais, cuja influência é difícil de mensurar.

As pesquisas mostram um eleitorado fragmentado: Zelenski atrai os eleitores jovens e de meia-idade das grandes cidades; Poroshenko é visto com bons olhos por aqueles que consideram que o mais importante é acabar com a invasão russa; e Yulia conta com partidários entre os mais velhos, que anseiam melhorias sociais.

A campanha patriótica de Poroshenko em torno da lema "exército, língua e fé" e sua aproximação à Europa conta com adeptos no oeste e no sul do país.

Enquanto os aposentados costumam comparecer em grandes números às urnas, a passividade dos jovens pode desbancar Zelenski e colocar Tymoshenko no primeiro lugar em sua terceira disputa pelo poder.

Zelenski, de 41 anos, é a estrela do programa de televisão satírico "O servo do povo", no qual interpreta um professor que acaba sendo eleito presidente depois que um vídeo em que ele aparece reclamando da corrupção na Ucrânia se torna viral.

"Os ucranianos estão fartos da política. Zelenski se transformou em um símbolo de protesto, alguém em quem votar se você for contra os demais candidatos. Sua candidatura é uma 'banana' à velha-guarda", opinou Fesenko.

Por outro lado, sua falta de experiência política preocupa. "Ele não tem uma equipe sólida, suas propostas são provavelmente utópicas, mas sua liderança é real. Ninguém pode adivinhar o ele que é capaz de fazer", acrescenta.

Outros não hesitam em estabelecer paralelismos entre Zelenski e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. "Apesar de serem diferentes em essência e estilo, ambos são empresários alheios à política com grande popularidade na televisão que prometem mudanças radicais em termos simples", explica à Efe o analista geopolítico e jornalista Dimitri Frolovski.

Tymoshenko e Yulia acreditam que o fenômeno Zelenski não irá se impor nas urnas e os eleitores acabarão optando pela experiência política. No entanto, a similaridade dos seus programas eleitorais faz com que ambos se atrapalhem.

Os dois prometem tolerância zero com a corrupção, reformas constitucionais, o fim do conflito com a Rússia e uma maior aproximação à União Europeia (UE). Ao mesmo tempo, enfrentam acusações de compra de votos durante a campanha eleitoral.

Entre os demais candidatos, também aparecem nas pesquisas Anatoly Grytsenko, chefe do partido Posição Civil e ex-ministro da Defesa, descrito pelos observadores como uma cara nova para a política, e o pró-Rússia Yuri Boiko, ex-ministro de Energia. EFE

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