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Avaliação: Ford Ecosport Titanium vem sem estepe; mas e se furar o pneu?

do UOL

João Anacleto

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

2019-03-19T07:00:00

19/03/2019 07h00

Resumo da notícia

  • EcoSport Titanium 1.5 parte de R$ 103.890
  • Versão elimina totalmente o uso do estepe
  • SUV usa pneus "run flat" que podem rodar furados e até com pequenos rasgos

Ford EcoSport entra na linha 2020 (sim, a Ford já tem linha 2020 em março de 2019) atendendo aos pedidos daqueles que se incomodavam com o estepe na tampa traseira atrapalhando em balizas, ao provocarem pequenas colisões, ou demandando gastos extras quando eram furtados ou vandalizados. Como a própria marca já fazia com o EcoSport vendido na Europa e nos Estados Unidos, o modelo brasileiro perde o estepe e, para isso, finalmente adota pneus "run flat" (aqueles que podem rodar mesmo furados) na versão Titanium, por ora, a única a contar o equipamento, solução inédita em carros produzidos no Brasil.

Neste pacote, temos o preço de R$ 103.890, válido para o pacote fechado da versão na cor sólida "Vermelho Arpoador". Quem quiser o SUV em "Branco Ártico" desembolsa mais R$ 700, e quem optar por cores metálicas ou perolizadas, gasta R$ 1.450 extras, elevando o preço final a R$ 105.340.

Mais uma vez, temos exemplo da inventividade que marcou a vida da Ford com o EcoSport. Primeiro SUV compacto nacional brasileiro, ele também levantou a bandeira da vanguarda quando veio equipado com injeção direta no motor, depois com tração nas quatro rodas e, finalmente, quando uniu essa versão ao câmbio automático.

Já em quesitos, digamos, estilísticos ele foi para o fim da fila, levando 16 longos anos para retirar o estepe da tampa do porta-malas. Até os chineses perceberam isso antes (vide o Chery Tiggo 2). Mas não foi por capricho ou por manutenção de "marca registrada". Foi impossibilidade de colocar um estepe sob o assoalho sem matar o porta-malas, bem como a suspeita de rejeição do consumidor. Até então.

Além dos pneus exclusivos, a versão Titanium passa a usar o motor 1.5 de três cilindros, que gera 137 cv de potência com etanol e 132 cv com gasolina, deixando o 2.0 16V de até 176 cv apenas para o EcoSport Storm, topo de linha, com tração integral por demanda.

"É uma questão de demanda, caso seja perceptível uma aceitação acima da expectativa, podemos estender a aplicação do 'run flat' para outras versões", explica Maurício Greco, diretor de marketing da Ford.

Murilo Góes/UOL
EcoSport sem estepe ficou com mesmo visual do SUV vendido nos EUA e Europa Imagem: Murilo Góes/UOL

Como funciona o pneu "run flat"?

Desenvolvidos pela Michelin, exclusivamente para o EcoSport, os pneus da série Primacy HP ZP contam com reforços estruturais tanto nas laterais, quanto na banda de rodagem. Essa alteração nos "ombros" do pneu os deixam mais rígidos e permitem com que suportem o peso do carro, mesmo sem ar, e sem deixar com que a roda torque a banda de rodagem.

Para estes pneus, a Ford também fez modificações na roda, que agora conta com um filete metálico em sua estrutura que agarra melhor a banda interna, como se fosse o trilho da porta de correr do seu armário.

Equipado assim, ele pode rodar por até 80 quilômetros com velocidade máxima limitada a 80 km/h. A limitação de velocidade é em virtude da temperatura do composto que caso fique muito quente, apesar das modificações, podem se escapar das rodas.

Caso você precise rodar mais, há um kit de reparo, exigido por lei, no porta-malas: ele é composto por um material selante e um compressor que pode ser ligado à tomada 12V no painel. Para aplicá-lo você deve colocar o pneu com a válvula posicionada no ponto mais alto, ou seja, mais próximo do para-lamas. Com isso, é possível rodar por mais 200 km.

Quanto custa o pneu "run flat"?

O maior inconveniente é que o pneu só resiste a um reparo, depois disso você tem de comprar outro. E se isso não é uma boa notícia com pneus tradicionais, com os "run flat" a situação piora para o seu bolso.

Oferecidos na medida 205/50 R 17, custam 35,6% a mais, de R$ 663 em média para R$ 899. É o preço da comodidade.

Testamos o EcoSport com pneus furados

Dentro do Campo de Provas da Ford, em Tatuí (SP), foi possível ter uma ideia de como o EcoSport se comporta com os pneus "run flat". Inclusive em situação de problema real. Com furos feitos na banda de rodagem, o sistema de monitoramento de pressão dos pneus indicava apenas 1 libra nos pneus dianteiro esquerdo e traseiro esquerdo, situação na qual mesmo usando o estepe do carro você ficaria parado na rua.

Rodando com velocidades entre o limite indicado de 80 km/h, e extrapolando a 100 km/h em linha reta, a mudança de comportamento entre um EcoSport com pneus cheios, e com pneus "run flat" vazios ficam mais pelo ruído e por uma leve trepidação no volante. Ao fazer curvas, aí sim, você agradece de o carro ter controles de estabilidade. Abaixo dos 50 km/h, em curvas leves você praticamente não sente grande diferença. No entanto, ao acertar alguma imperfeição, como um buraco na estrada, você sente a pancada mais seca que o habitual.

Com os pneus em estado normal, ou seja, cheios, o EcoSport mantém a boa dirigibilidade que o consagrou. Seu motor 1.5, apesar dos três cilindros, consegue dirimir rapidamente a trepidação inicial das baixas rotações e, em ponto morto mantém um comportamento silencioso. O câmbio automático de seis marchas com conversor de torque é outro aliado do conforto a bordo, ainda que não seja tão ligeiro para as trocas de marchas.

No geral, o desempenho se torna apenas razoável. Mesmo com boa potência específica de 91,5 cv/litro do 1.5, os 1.310 kg de peso e o torque de 16,8 kgfm chegando a apenas 4.500 rpm complicam um pouco acelerações e retomadas. Ele leva 11,8 segundos para ir de 0 a 100 km/h. Isso é, por exemplo, 0,6 s mais lento que um Honda HR-V.

Murilo Góes/UOL
Pneus "run flat" 205/50 R 17 podem rodar vazios, mas custam R$ 899, contra R$ 663 do pneu comum Imagem: Murilo Góes/UOL

Equipamentos do EcoSport Titanium

Fora os novos pneus e o motor menor, a versão Titanium ganhou nova tampa traseira, claro, com desenho refeito, mas que não recebeu um sistema de abertura mais prático. Continua com a maçaneta dentro da lanterna traseira direita e se abrindo da direita para a esquerda. Um sistema mais convencional, com abertura de baixo para cima, ajudaria na comodidade, especialmente para aqueles que se deparam com vagas cada vez mais apertadas em shoppings e condomínios.

A Titanium é a topo de linha com motor 1.5, e traz como principais equipamentos sistema de entretenimento SYNC com tela de 8", sistema de monitoramento de ponto cego, faróis de xênon com luzes diurnas em LED, bancos de couro, teto-solar elétrico, sete airbags e, obviamente, o sistema de monitoramento ativo dos pneus.

Segundo a Ford, a estratégia agressiva da linha 2020 se estende também às manutenções e preços de peças. As três primeiras revisões com preço fechado saem por R$ 1.837, contra R$ 2.076 do Jeep Renegade, por exemplo. Mas vale lembrar que a Hyundai, por exemplo, cobra apenas R$ 1.442 pelos mesmos serviços no Creta.

Já o pacote de peças composto por radiador, bombas de água, combustível e óleo, correia, motor de partida, amortecedores, rolamento de cubo de uma roda e o jogo de palhetas do limpador de para-brisa sai por R$ 6.696 no novo EcoSport, enquanto a Jeep cobra R$ 11.294 pelos itens do Renegade, e a Hyundai R$ 15.228 se o seu carro for um Creta.

Ficha técnica

Ford EcoSport Titanium 2020
Motor: 1.5 flex, três cilindros
Potência: 137/130 cv (etanol/gasolina)
Torque: 16,2/15,6 kgfm (etanol/gasolina)
Câmbio: seis marchas, automático
Velocidade máxima: 180 km/h
0-100 km/h: 11,8 s
Dimensões: 4,09 m de comprimento, 2,51 m de entre-eixos
Porta-malas: 356 litros
Peso: 1.310 kg
Preço: R$ 103.890

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