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Incidentes com militares na fronteira Venezuela-Brasil deixa dois mortos

2019-02-22T19:27:00

22/02/2019 19h27

Caracas, 22 Fev 2019 (AFP) - Duas pessoas morreram e 15 ficaram feridas em um confronto entre indígenas e militares venezuelanos nesta sexta-feira (22) no estado de Bolívar, na fronteira com o Brasil, que o governo do presidente Nicolás Maduro mandou fechar para impedir a entrada de ajuda humanitária internacional no país.

Uma mulher e um homem indígenas, da etnia pemon, morreram no confronto registado no assentamento Kumarakapay, situado no estado de Bolívar (sul), a pouco mais de uma hora da fronteira com o Brasil, informou o deputado opositor Américo De Grazia no Twitter.

Indígenas pemones tentaram impedir que uma caravana de veículo militares avançasse para a fronteira com o Brasil para bloqueá-la, depois que Maduro ordenou fechá-la, denunciando eventuais "provocações" com a entrada de ajuda humanitária anunciada para sábado.

Outros 15 membros da comunidade indígena ficaram feridos no enfrentamento, após a "arremetida de um comboio da Guarda Nacional", informou à AFP Armado Obdola, da ONG Kapé Kapé. Destes, "três ficaram gravemente feridos", denunciou De Grazia.

Quatro militares e um veículo jipe que faziam parte de uma caravana militar foram retidos por líderes indígenas, revelou um informe da Polícia ao qual a AFP teve acesso.

O líder opositor Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino por 50 países, determinou o próximo sábado para a entrada de remédios e alimentos, a maior parte enviada pelos Estados Unidos para centros de armazenamento na Colômbia, Brasil e a ilha de Curaçao.

Guaidó denunciou no Twitter que dois efetivos militares dispararam "contra pemones que estavam no posto de controle da fronteira", e ordenou aos soldados que se entregassem.

- Feridos são levados ao Brasil -Duas ambulâncias venezuelanas cruzaram nesta sexta-feira a fronteira brasileira, fechada desde a noite anterior, levando cinco feridos por arma de fogo a um hospital do estado fronteiriço de Roraima.

Do lado brasileiro, não se confirmou se os feridos procediam deste fato.

No posto fronteiriço, Génesis Valencia, de 26 anos, destacou que muitos indígenas venezuelanos cruzaram o Brasil por vias informais ante o fechamento da fronteira.

"Os guardas nacionais fecharam toda a fronteira. Toda a comunidade indígena teve que passar por trilhas. Viemos comprar aqui no Brasil porque na Venezuela não tem nada, não tem comida, não tem remédio, o povo está morrendo de fome", afirmou a mulher.

- Condenação ao ataque -O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, condenou "energicamente" o ataque contra a comunidade. "Exigimos o fim dos ataques contra as populações", segundo um comunicado postado no Twitter.

O senador americano Marco Rubio, outro feroz opositor de Maduro, também repercutiu o incidente e disse que havia indígenas feridos.

A cúpula das Forças Armadas venezuelanas, que mantém sua "lealdade irrestrita" a Maduro, declarou que está em "alerta" nas áreas fronteiriças para impedir "violação" do território do país.

Guaidó está em Táchira (na fronteira com a Colômbia) para liberar a operação de entrada da ajuda, e até o momento não apareceu em público.

Maduro ordenou também a suspensão de voos e saída barcos para Curaçao, acusando as autoridades de dar voz às "provocações" para desestabilizar a Venezuela.

Segundo o governo, a ajuda humanitária é um "show" para promover uma invasão dos Estados Unidos.

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