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Homem que revelou assédio de padres em Boston pede transparência ao Vaticano

2019-02-19T13:27:00

19/02/2019 13h27

Roma, 19 fev (EFE).- O americano Phil Saviano, que denunciou ter sido vítima de abusos sexuais por parte do clero e que foi uma das testemunhas do jornal "Boston Globe" na revelação de anos de encobrimento dos crimes por parte da Igreja Católica, pediu transparência ao Vaticano nesta terça-feira, exigindo que a Santa Sé publique os nomes dos padres que sejam condenados por pedofilia.

"Queremos que nos revelem os nomes de padres que cometeram abusos sexuais e dos bispos que os encobriram. O Vaticano tem isso e não revelou", lamentou Saviano em um evento realizado na sede da Associação de Imprensa Estrangeira de Roma.

O americano disse que tentará enviar essa mensagem na reunião que terá amanhã, com outras 12 vítimas de abuso, com o comitê organizador da histórica cúpula sobre assédio sexual que reunirá representantes da Igreja Católica e da comunidade eclesiástica.

Saviano, de 64 anos, foi um dos primeiros a revelar sua história ao jornal americano "Boston Globe", que publicou uma série de matérias sobre o silêncio da Igreja Católica sobre os abusos.

O caso foi contado em "Spotlight: Segredos Revelados", que ganhou o Oscar de melhor filme em 2016.

Na entrevista coletiva, Saviano criticou o Vaticano por falar em transparência e não exercer essa mesma transparência, mantendo sob sigilo as informações sobre os religiosos pedófilos. E lamentou que a ausência do papa Francisco na reunião.

"Disseram para que não esperássemos falar com ele. Mas seria muito bom que ele se aproximasse e nos dissesse algo. Se eu fosse o papa, faria isso", afirmou o americano.

Saviano mostrou pessimismo sobre a cúpula que será realizada no Vaticano entre os dias 21 e 24 de fevereiro. "Mas ela servirá para tornar visível essa epidemia e poderá ajudar outras vítimas, para que elas vejam que não foram as únicas", afirmou.

"Além disso, ela colocará pressão sobre o papa Francisco para que ele faça um trabalho melhor. Muita gente me diz que estou fazendo tudo isso para destruir a Igreja, mas eu sempre respondo que só estou ajudando os bispos a fazer um trabalho melhor", disse.

Anne Barrett, diretora da BishopAccountability, organização que registra os casos de abuso sexual na Igreja Católica, disse que espera pouco da cúpula. "O máximo seria uma mudança muito tímida de política, que será apresentada como grande progresso, mas que, de fato, ficará distante da reforma necessária", avaliou.

Para a ativista, a Igreja Católica poderia criar uma política universal para agir em casos como esse, tornando-a capaz de também punir os bispos que encobrem os crimes. Além disso, ela concorda com a divulgação dos religiosos condenados por abusos sexuais.

"O Vaticano admitiu em 2014 ter encontrado 3,4 mil padres culpados de abusos sexuais contra crianças. Eles poderiam ter dito quem eles são", afirmou Barrett. EFE

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