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Vinland surfa nas baixas e altas das ações da Vale após acidente

Felipe Marques e Cristiane Lucchesi

12/02/2019 07h00

(Bloomberg) -- Um dos gestores de fundo multimercado de maior destaque no Brasil aproveitou a queda recorde das ações da Vale no mês passado - e sua recuperação subsequente - para ganhar dinheiro.

A Vinland Capital Management Gestora de Recursos, que atraiu R$ 1,2 bilhão em recursos sob gestão em menos de um ano, comprou ações da gigante de minério de ferro depois que elas caíram devido ao colapso fatal da barragem de propriedade da empresa, em Brumadinho. A aposta valeu a pena quando a gestora vendeu a participação depois que as ações reduziram suas perdas, segundo Andre Laport, sócio responsável pela carteira de ações.

As ações da Vale caíram 25% em reação ao rompimento da barragem no mês passado e, em seguida, ganharam cerca de 10% nos dias subsequentes. Laport preferiu não dizer quanto o fundo investiu na aposta.

Laport, ex-sócio do Goldman Sachs Group e co-fundador da Vinland, disse que a tragédia provavelmente significará uma escassez global de minério de ferro. "Estamos comprados na Rio Tinto por causa disso", disse ele em entrevista, referindo-se ao exportador australiano de minério de ferro. As ações da empresa subiram cerca de 13% desde que o colapso da barragem em 25 de janeiro matou pelo menos 150 pessoas e destruiu parte da cidade de Brumadinho.

A Vale, que está sob risco de perder seu grau de investimento, suspendeu a distribuição de dividendos e declarou força maior em alguns de seus contratos de minério de ferro depois de interromper temporariamente as operações em outra mina para melhorar a segurança. O nervosismo resultante no mercado global de minério de ferro levou os preços ao maior nível em dois anos.

Embora a Vale, maior produtora mundial da commodity, também possa se beneficiar do aumento dos preços, permanece a incerteza sobre como o acidente afetará suas finanças, disse Laport. Em consequência, ele está adotando uma postura mais "tática" em relação à Vale, negociando mais em cima dos movimentos do mercado do que considerando os fundamentos da empresa, disse.

"Agora não é hora de ficar comprado em Vale - o ruído estará lá", disse ele, acrescentando que espera multas significativas para a mineradora, que está com o volume de "produção ainda incerto".

Laport não foi o único gestor de fundos multimercado a identificar uma oportunidade de compra depois que as ações da Vale caíram. Rogério Xavier, que ajuda a gerir R$ 19 bilhões em recursos na SPX Nimitz, disse, em um evento, que começou a construir sua posição logo após a catástrofe porque a queda de ações foi "exagerada".

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