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Ministra canadense envolvida em escândalo na Justiça renuncia ao cargo

12/02/2019 17h42

Toronto, 12 fev (EFE).- A ministra de Militares Veteranos do Canadá e ex-titular da pasta de Justiça, Jody Wilson-Raybould, anunciou nesta terça-feira sua renúncia, em meio a um escândalo pela possível interferência do governo no sistema judiciário.

A renúncia foi anunciada 24 horas depois que o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, expressou que tinha total confiança na ex-ministra e que ela não tinha nenhum problema ético com as atuações do governo.

Trudeau é acusado de pressionar Jody quando ela era ministra da Justiça para que chegasse a um acordo com a empresa SNC-Lavalin a fim de evitar a acusação criminal da maior companhia de engenharia e construção do país.

A SNC-Lavalin, por sua vez, é acusada de subornar funcionários do antigo regime de Muamar Kadafi, na Líbia, para conseguir contratos no país árabe.

Uma condenação criminal por corrupção contra a SNC-Lavalin impediria a empresa de participar durante anos de contratos públicos no Canadá, uma das principais fontes de receita da companhia.

O Ministério Público mantém a intenção de processar a SNC-Lavalin pelas acusações de corrupção.

Trudeau negou ter pressionado a então ministra da Justiça, mas Jody foi realocada ao cargo de ministra de Militares Veteranos de forma inesperada no dia 14 de janeiro.

O comissário federal de Ética, Marion Dion, anunciou ontem que investigará o gabinete de Trudeau por possíveis pressões a favor da SNC-Lavlin.

Jody se negou a declarar se foi pressionada pelo primeiro-ministro para que a SNC-Lavalin não fosse processada em troca de um acordo extrajudicial argumentando que tem que manter em segredo as deliberações que teve com o seu cliente, nesse caso o Governo do Canadá.

Na carta enviada a Trudeau na qual comunica sua renúncia, Jody afirma estar "consciente de que muitos canadenses querem que fale sobre assuntos que saíram na imprensa há uma semana".

"Estou no processo de obter conselho legal sobre quais tópicos sobre este assunto posso discutir legalmente", acrescentou a ex-ministra. EFE

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