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Hafter assume controle de principal jazida de petróleo no oeste da Líbia

12/02/2019 13h43

Trípoli, 12 fev (EFE).- Tropas lideradas pelo marechal Khalifa Hafter, homem forte da Líbia, assumiram o controle da jazida de petróleo de Al Sharara, a mais importante do oeste do país e explorada pela empresa espanhola Repsol e pela francesa Total.

As milícias ligadas ao marechal, que protege o governo instalado em Tobruk, tomaram os principais poços, escritórios e as salas técnicas da jazia, essencial para a sobrevivência do Executivo apoiado pela ONU em Trípoli.

Fontes de segurança disseram à Agência Efe que a ação só ocorreu graças a um acordo entre Hafter e tribos da minoria étnica tubu, que teriam mudado de lado no confronto vivido pela Líbia.

A notícia já tinha sido antecipada na noite de ontem pelo porta-voz do Exército Nacional Líbio (LNA), Ahmad Mismari, que afirmou que suas tropas tinham entrado pacificamente em Al Sharara.

"Sem encontrar resistência, o LNA tomou o controle da jazida de Al Sharara e de todas suas instalações. Agora, nos dispomos a garantir a segurança em coordenação com os responsáveis da direção administrativa", afirmou o militar.

O governo apoiado pela ONU em Trípoli não confirma a perda da jazida de Al Sharara. No entanto, as ações de Hafter no sul da Líbia foram condenadas e denunciadas ao Conselho de Segurança.

A Repsol também não confirmou a invasão do local.

Na semana passada o diretor da Repsol na Líbia, Luis Polo Navas, se reuniu com o diretor da Companhia Nacional de Petróleo da Líbia (NOC), Mustafa Sanallah, para discutir a exploração da jazida.

Após o encontro, eles anunciaram que a produção no local, interrompida desde dezembro do ano passado, não seria retomada até que a segurança na jazida fosse restabelecida.

A jazida de Al Sharara produz cerca de 300 mil barris de petróleo por ano e essencial para o fornecimento de energia elétrica em Trípoli e para financiar o governo apoiado pela ONU.

Confirmada a notícia, Hafter terá conseguido dominar toda a indústria petrolífera da Líbia. Antes da queda de Muammar Gadafi em 2011, o país produzia 1,6 milhões de barris por dia.

Além disso, representaria um golpe para o plano de reconciliação promovido pelo enviado especial da ONU para a Líbia, Ghassam Saleme, que prevê organizar uma conferência nacional antes de convocar novas eleições presidenciais e legislativas. EFE

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