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Chanceler da Venezuela pede que oposição pare de escutar EUA e aceite diálogo

12/02/2019 18h19

Nações Unidas, 12 fev (EFE).- O chanceler da Venezuela, Jorge Arreaza, pediu nesta terça-feira à oposição do país que pare de seguir as ordens dos Estados Unidos e se sente para dialogar e solucionar a crise, um processo do qual o governo de Nicolás Maduro participaria sem nenhuma condição.

"Em uma mesa de negociação todas as opções devem ser avaliadas. Nós não impomos condições para a negociação", disse Arreaza em entrevista coletiva na sede das Nações Unidas.

O titular de Relações Exteriores venezuelano insistiu que o que ocorre no país é um golpe de Estado que está liderado "abertamente" pelo governo dos EUA e pediu à oposição que inicie um "processo de independência" das diretrizes de Washington.

Arreaza declarou ainda que espera que não haja uma guerra civil nem uma intervenção militar no seu país, e que também não "corra sangue dos jovens fuzileiros navais americanos, que se veriam em uma situação tão ou mais complicada que a do Vietnã", segundo advertiu.

De acordo com Arreaza, o Executivo de Nicolás Maduro está disposto a sentar-se com a oposição em qualquer lugar e em qualquer momento e trabalhar em uma solução política.

Até agora, os líderes opositores rejeitaram essa oferta ou declararam que só participariam de uma negociação que implicasse na saída de Maduro.

Segundo destacou Arreaza, estimular esse processo de diálogo "é o que tem que fazer qualquer governo que queira ajudar a Venezuela".

"A alternativa é colocar-se do lado dos Estados Unidos. É colocar-se do lado errado da História", afirmou, mostrando-se muito crítico com o apoio dado pela União Europeia e vários de seus Estados-membros ao chefe do parlamento e autoproclamado presidente em exercício, Juan Guaidó.

Arreaza, que na segunda-feira se reuniu com o secretário-geral da ONU, António Guterres, assegurou que o diplomata português lhe transferiu seu apoio a "um mecanismo de diálogo", seja o impulsionado em Montevidéu ou outro complementar.

O porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, reiterou nesta terça-feira que a ONU quer uma solução dialogada e que o secretário-geral segue oferecendo seus "bons ofícios" às duas partes.

Com relação à ajuda humanitária organizada pelos EUA e que o governo de Maduro rejeita, o ministro considerou "absurdo" que alguém possa acreditar que Washington atue com boas intenções.

"É sério que vamos acreditar que o governo que te ameaça com o uso da força, que te ameaça com uma invasão, que te bloqueia, que dá ordens aos demais países para que te encurralem, para que te bloqueiem, quer te dar ajuda humanitária?", questionou.

Arreaza salientou, além disso, que "na Venezuela não há uma crise humanitária", mas uma "economia bloqueada e cercada" pelas sanções dos Estados Unidos e de seus aliados e que o que se necessita é o fim dessas medidas.

Em todo caso, explicou que seu governo está buscando "aprofundar a cooperação com as Nações Unidas naqueles âmbitos nos quais a economia venezuelana foi muito impactada por toda esta agressão internacional dirigida de Washington".Nesta segunda-feira, após seu encontro com Guterres, Arreaza tinha apontado que essa cooperação incluiria questões de alimentação, saúde e outras necessidades do povo.

Também nesta terça-feira, o chanceler venezuelano se reuniu com membros do Movimento dos Países Não Alinhados, que, segundo disse, transferiram a Caracas sua "solidariedade" e deixaram clara sua oposição ao uso da força. EFE

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