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Segredos que nos envergonham nos atormentam mais que os de culpa

11/02/2019 22h01

Washington, 11 fev (EFE).- Os segredos que nos envergonham costumam nos atormentar mais do que aqueles que nos fazem sentir culpados de algo, segundo um estudo da Universidade de Columbia, em Nova York, divulgado nesta segunda-feira na revista científica "Emotion".

"Quase todos nós guardamos segredos, e eles podem ser prejudiciais para o nosso bem-estar, nossas relações sociais e nossa saúde", disse Michael L. Slepian, médico da universidade e autor principal do estudo.

No entanto, de acordo com ele, "a forma como estes segredos nos prejudicam foi muito pouco estudada". Por isso, a equipe de pesquisadores entrevistou mil participantes sobre seus segredos e o nível de vergonha e de culpabilidade que associavam aos mesmos.

As perguntas para medir o grau de vergonha eram do tipo "sou insignificante e sem valor", e as referentes à culpa repetiam "sinto remorso por algo que fiz no passado".

Então, a equipe descobriu que os entrevistados que sentiam vergonha sobre seus segredos pensavam mais frequentemente neles do que quem sentia culpa ou não sentia nem uma coisa, nem outra.

"Examinamos a vergonha e a culpa, as duas emoções conscientes mais estudadas", disse Slepian.

"Ao contrário das emoções básicas, como a raiva e o medo, que se referem a algo situado fora de um indivíduo, a vergonha e a culpa se referem ao 'eu' mais interno", justificou.

Para os responsáveis pelo estudo, os pensamentos que lembram experiências traumáticas se referem à saúde mental ou à falta de autoestima pela aparência física tendem a evocar mais sentimentos de vergonha.

No entanto, as lembranças de ter mentido ou ferido uma pessoa causam mais culpabilidade.

Segundo a análise, lamentar-se por algo não faz com que uma pessoa pense tantas vezes nesse segredo como faria alguém com algo que lhe dá vergonha.

"Sentir culpa faz com que o indivíduo pense no que fazer em seguida, por isso mudar da vergonha para a culpa deveria ajudar as pessoas a lidar com seus segredos e seguir em frente", considerou Slepian, que pediu que estes pensamentos de não sejam encarados "forma pessoal" e para ser possível reconhecer uma forma de muda-los.

Assim, concluíram os pesquisadores, as pessoas não deveriam ser tão duras com elas mesmas quando pensam em si e nos seus próprios segredos. EFE

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