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China rejeita críticas de Turquia sobre uigures e nega morte de poeta

11/02/2019 08h38

Pequim, 11 Fev 2019 (AFP) - A China reagiu nesta segunda-feira (11) às críticas turcas sobre o tratamento dado aos uigures e negou a alegação de Ancara de que um renomado poeta desta minoria muçulmana tenha morrido sob custódia policial, chamando de uma "mentira absurda".

No sábado, o Ministério turco das Relações Exteriores divulgou uma declaração criticando severamente as detenções em massa na China de seus uigures de língua turca, e indicou que o poeta Abdurehim Heyit havia morrido enquanto cumpria uma sentença de oito anos de prisão como punição por "uma de suas canções".

Contudo, a China divulgou no domingo um vídeo mostrando um homem que se identificou como Heyit que dizia estar vivo e bem.

"A China já fez declarações solenes em relação à Turquia. Esperamos que os responsáveis turcos possam diferenciar o certo do errado e corrigir seus erros", declarou a porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Hua Chunying, durante uma coletiva de imprensa.

Ela chamou a declaração do Ministério turco das Relações Exteriores de "vil" e urgiu que Ancara retire suas "falsas acusações".

"Eu vi o vídeo dele (Heyit) na Internet ontem, mostrando que não está apenas vivo, mas também muito saudável", disse Hua.

Um painel de especialistas da ONU disse que cerca de um milhão de uigures e outras minorias turcas têm sido colocados em "campos de reeducação" na região noroeste de Xinjiang, onde vivem a maior parte dos 10 milhões de uigures do país.

A Turquia afirmou que o tratamento dado pela China aos uigures era "um grande constrangimento para a humanidade" - talvez a mais forte condenação de um país muçulmano.

O mundo muçulmano tem se mantido quieto sobre a questão dos uigures, possivelmente para evitar retaliações diplomáticas ou econômicas chinesas.

O sofrimento dos uigures da China é acompanhado de perto na Turquia devido a ligações linguísticas, culturais e religiosas compartilhadas, além da presença de dezenas de milhares de uigures em seu país.

- Bem de saúde -Em seu comunicado divulgado no sábado, a Turquia não informou como soube da morte de Heyit, mas disse que "a tragédia reforçou ainda mais a reação da opinião pública turca com relação às (sérias) violações aos direitos humanos" em Xinjiang.

Mas a Rádio Internacional da China (CRI, em inglês), controlada pelo Estado, divulgou um vídeo de 26 segundos em seu serviço turco no domingo.

"Meu nome é Abdurehim Heyit. Hoje é 10 de fevereiro de 2019", diz o homem no vídeo, segundo as legendas em inglês.

"Estou em processo de investigação por supostamente violar as leis nacionais", acrescentou, no que parecia ser a língua uigur.

Disse também estar bem de saúde e que nunca sofreu abusos, ainda de acordo com as legendas.

A AFP não pôde verificar imediatamente a autenticidade do vídeo ou quando foi filmado.

A CRI disse que o vídeo foi liberado para a mídia estatal pelo governo regional de Xinjiang.

Xinjiang tem sofrido com a intensificação da vigilância policial nos últimos anos, após repetidos tumultos, atentados a bomba e ataques a forças de segurança e civis chineses.

Inicialmente, Pequim negou a existência de quaisquer campos de detenção de Xinjiang, mas depois admitiu que pessoas estavam sendo enviadas para o que chama de "centros de educação vocacional".

Mas os críticos dizem que os uigures estão sendo pressionados nos campos para se assimilarem à sociedade chinesa e abandonarem as práticas religiosas e culturais que Pequim vê como possíveis fontes de resistência.

A declaração do Ministério turco das Relações Exteriores indica que os uigures estão sendo "submetidos à tortura e lavagem cerebral política em centros de concentração e prisões".

Hua, no entanto, parecia deixar a porta aberta para aliviar a tensão, dizendo que os dois lados deveriam se esforçar para manter a "confiança mútua e cooperação".

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