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Avaliação: Volkswagen Arteon e seus 280 cavalos seriam bem-vindos no Brasil

do UOL

Ricardo Ribeiro

Colaboração para o UOL, em Hamburgo (Alemanha)

2019-02-11T14:30:54

11/02/2019 14h30

Resumo da notícia

  • Cupê executivo é o carro de topo da Volkswagen
  • Motor 2.0 turbo tem 280 cv; câmbio é o DSG-7
  • Versão RLine testada custa 51.700 euros (equivalente a R$ 220 mil)
  • Arteon usa conforto, tecnologia e potência a preço mais em conta para competir com Audi, BMW e Mercedes
  • Infelizmente, Volkswagen do Brasil ainda não tem planos para o Arteon

O Volkswagen Arteon não está à venda no Brasil. A Volkswagen do Brasil diz que não tem planos para o modelo. Mas deveria. Desenvolvido para ser o carro-chefe da marca e brigar com os alemães de Audi, BMW e Mercedes, o Arteon entrega esportividade e equipamentos a um preço competitivo.

Este cupê executivo (quatro portas) parte de 38.400 euros, com opções mais mansas a diesel e a gasolina. UOL Carros testou a versão RLine, topo de gama em visual, motorização e equipamentos, que vai a 51.675 euros -- quase R$ 220 mil, numa conversão direta. Porém, rivais equivalentes custam cerca de 4 mil euros mais caro.

Para dar uma ideia, um rival característico no Brasil seria o Audi A5 Sportback, que tem 190 cavalos e custa R$ 197 mil.

Por ser o modelo topo da gama da VW, no lugar do descontinuado CC (que começou como Passat CC), o Arteon estreou tecnologias e linhas que agora começam a chegar aos outros lançamentos da marca. Motivos de sobra para conferirmos de perto o que o Arteon tem.

Como o Arteon é feito

A plataforma é a MQB, mesma de Golf, Polo, Tiguan, Audi A3... Como você sabe, ela pode ser bastante alterada por sua modularidade. No Arteon, então, a arquitetura é usada para entregar dirigibilidade e tecnologia parelhas às de Audi A5 Sportback, BMW Serie 4 Grand Cupé e Mercedes CLS.

Carroceria mais esguia e inclinação acentuada das colunas, principalmente da traseira, dão a combinação do tal cupê de quatro portas. Linhas arrojadas, mas harmônicas. Dianteira imponente e traseira esportiva são o cartão de visita deste que é o modelo mais bonito pensado em Wolfsburg. Também não há molduras nas janelas para, segundo a VW, buscar um visual de Gran Turismo.

Grade dianteira maior e mais rasgada, que aparece também na nova geração do Touareg e de onde vieram alguns dos traços do T-Cross, tem assinatura da nova escola de design da marca. Mesmo o facelift do Passat europeu, apresentado na última semana, traz um pouco desse visual.

Na versão RLine, vincos e gracejos a mais para ressaltar o visual esportivo não são essenciais, uma vez que o visual do Arteon acerta em cheio, mas completam bem o conjunto. Exceto pelas rodas 20 polegadas, opcionais. Há quem coloque maiores por um exagero estilístico, mas, neste caso, elas calçam melhor o cupê de quatro-portas do que as de aro 18 de série desta configuração.

Com alguns centímetros a mais que o Passat e bitolas mais generosas, o Arteon não fica só mais imponente, mas também ganha em espaço interno. São 4,86 metros de comprimento e 2,84 m de entre-eixos que se traduzem em conforto para motorista e passageiros do banco traseiro, mesmo com o caimento do teto. Mas o túnel central elevado garante: quatro adultos e mais nada. O porta-malas leva 563 litros.

O acabamento é refinado, apostando em texturas metálicas, além da iluminação ambiente de LED em portas e console. Poderíamos passar sem o relógio analógico no centro, que o Passat recém modificado perdeu (mas que lá ainda faria sentido). O quadro de instrumentos é totalmente digital e configurável, herdado da Audi, e o multimídia sensível ao toque e com maior interação com aplicativos e navegação, é a base dos novos sistemas de quase todos os veículos da marca, incluindo o Polo brasileiro. Só que o Arteon vem com som de alta definição da Dynaudio por padrão.

Couro Vienna, microtexturizado, e Alcantara se mesclam para completar tudo isso com uma aura também luxuosa e extramente suave ao toque.

Ricardo Ribeiro/UOL
Interior é o mais aprimorado da Volkswagen: couro texturizado, Alcantara, apliques metálicos e muita tecnologia Imagem: Ricardo Ribeiro/UOL

Como ele anda?

A unidade testada estava equipada com a opção mais forte de motor, na qual o conhecido 2.0 TSI é calibrado para entregar 280 cavalos com gasolina. Pois é, e o mexicano Jetta GLI se gaba de exibir 230 cv.

Câmbio DSG automático dupla embreagem de sete velocidades permite, junto ao motor, respostas rápidas e precisas, uma injeção de adrenalina. É quase óbvio que em cerca de 200 km de Autobahns, as estradas alemãs com alguns trechos sem limite de velocidade, entre Wolfsburg e Hamburgo, é possível aproveitar isso de forma adequada, diferente do que se poderia em outros países da Europa e no Brasil.

Sem perceber, logo se está acima de 220 km/h -- o Arteon tem máxima de 245 km/h. É importante notar que a sensação na cabine é de que o carro ia a 80 km/h, o que indica conforto em termos de isolamento acústico e a ótima estabilidade.

No entanto, não se trata apenas de andar rápido. Esse entrosamento de motor, câmbio e assistências também permitem retomadas tão boas quanto as acelerações. A direção direta e precisa combinada com a estabilidade, também reforçada pela carroceria baixa e larga, permite uma condução dinâmica e divertida. E, quando se abusa da sorte, a tração integral garante a aderência.

Especialmente em marca generalistas, colocar um modo esportivo no painel não passa de endurecer um pouco a direção. O sistema do Arteon, porém, altera o comportamento de direção, motor, câmbio, suspensão, amortecedores e até a resposta do ACC entre econômico, conforto, normal, esportivo e personalizado. A "melodia" do motor também muda, com roncos mais graves e frequentes no modo esportivo e um sensível silencio no modo conforto.

A opção personalizada permite configurações individuais para cada parâmetro. É possível, por exemplo, ficar com uma direção mais firme sem necessariamente ter as arrancadas fortes. Ou colocar o ACC no modo esportivo para que as retomadas em trechos de trânsito sejam mais rápidas, mas sem necessariamente endurecer os amortecedores.

Antes exclusiva do Arteon, a personalização da mecânica acaba de ser anunciada para o Passat 2019. Além do ACC, o cupê de quatro portas é equipado com auxílio em manobras de emergência e frenagens bruscas, além de faróis Full LED com acionamento inteligentes, recursos que foram integrados e aprimorados no Travel Assist. No Arteon, porém, tudo isso funciona de forma integrada a baixas velocidades, aguardando por uma atualização.

Em trechos urbanos, quando acionado o modo conforto, o Arteon absorve bem os até trechos de paralelepípedo, como nas ruas históricas de Hamburgo e indica boa versatilidade. Como não deve em esportividade e tem amplo espaço, é, na ponta do lápis, uma boa opção.

Há, claro, uma questão de imagens das marcas, mas, segundo executivos da VW, além do cliente mais racional, focado na diferença de preço, também cresceu o número de consumidores que buscam o mesmo desempenho de um modelo premium, mas preferem circular nas ruas com uma marca mais discreta e é nisso que o Arteon tem mirado.

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