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Moradores de duas cidades de MG deixam casas por risco em barragem

do UOL

Luciana Quierati, Mirthyani Bezerra e Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

08/02/2019 06h10Atualizada em 08/02/2019 13h50

Moradores de duas cidades mineiras (Barão de Cocais e Itatiaiuçu) precisaram deixar as suas casas na madrugada nesta sexta-feira (8) após barragens apresentarem risco. O fato acontece duas semanas após uma barragem da Vale se romper em Brumadinho, matando ao menos 157 pessoas e deixando outras 182 desaparecidas

Nas duas barragens, a Defesa Civil de Minas Gerais constatou o nível 2 no risco de rompimento da barragem, sendo que o nível 3 significa o colapso. Segundo o governo de Minas, a evacuação se deu como "medida preventiva para preservar vidas". 

O plano de emergência foi acionado pela ANM (Agência Nacional de Mineração) e houve toque de sirene para avisar a população de Barão dos Cocais. Em Itatiaiuçu, as sirenes não chegaram a tocar.

O coordenador adjunto da Defesa Civil, coronel Flávio Godinho, está na mina Serra Azul e confirmou o risco de rompimento. "De madrugada, além de acionarmos a sirene, batemos de casa em casa para a evacuação. Constatamos o nível 2 de segurança e, para preservar a vida dos mineiros, o governo do estado optou em agir preventivamente", disse em nota divulgada pela gestão estadual.

mapa-cidades evacuadas mg - Arte/UOL - Arte/UOL
Imagem: Arte/UOL

Segundo ele, as operações dos dois empreendimentos estão suspensas e as empresas só poderão retomar as atividades após apresentarem laudos comprovando a estabilidade das barragens.

Os bombeiros ainda trabalham para convencer algumas famílias que se recusam a deixar suas moradias. Além disso, há um trabalho para resgatar animais de estimação que ficaram dentro das casas durante a evacuação. 

Barão de Cocais

Em Barão de Cocais (distante 100 km de Belo Horizonte), 239 pessoas das comunidades de Socorro, Tabuleiro e Piteiras foram evacuadas, segundo Godinho. A ANM determinou que as pessoas que vivem próximas a barragem Sul Superior da mina Gongo Soco, que também pertence à Vale, saíssem de suas casas para local seguro. 

Godinho afirmou que a expectativa inicial era de que 500 pessoas precisariam ser retiradas de suas casas, mais que isso não foi necessário. Mais cedo, a prefeitura da cidade havia informado que a ação afetou 500 moradores. 

Todos os desalojados foram alocados em hotéis da região.

Cocais - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Famílias são acomodadas em ginásio poliesportivo de Barão de Cocais (MG) após serem orientadas a deixarem suas casas
Imagem: Arquivo Pessoal

Em sua página no Facebook, a prefeitura disse ter sido informada que houve um "desnível na estrutura" da barragem. Ao UOL, a Defesa Civil disse que a sirene foi acionada por precaução. Técnicos da Vale foram acionados para monitorar a alteração. 

Em nota, a Vale informou que a decisão foi "preventiva" e acontece após a consultoria Walm se negar conceder uma "declaração de Condição de Estabilidade à estrutura" da mina Gongo Soco. 

"Como medida de segurança, a Vale está intensificando as inspeções da barragem Sul Superior. Também será implantado equipamento com capacidade de detectar movimentações milimétricas na estrutura", informou a empresa no documento.

A Vale afirma ainda que consultores internacionais farão uma nova avaliação sobre a estrutura da barragem no domingo (10).

Em entrevista à rádio BandNews FM, o prefeito da cidade, Décio Geraldo dos Santos, disse que a barragem está desativada e não se rompeu. Informou que as pessoas foram levadas para escolas e um ginásio poliesportivo. Em nota divulgada por volta das 9h30, a prefeitura informou que as famílias já estão sendo realocadas para hotéis na região. Não são necessárias doações no momento. 

Itatiaiuçu

Em Itatiaiuçu, a 78 km de Belo Horizonte, os moradores do distrito de Pinheiros também receberam ordens de evacuação por causa do risco na barragem da mina de Serra Azul, que pertence à produtora de aço ArcelorMittal. Ainda não está claro qual o risco oferecido pela estrutura da mineradora e tampouco há previsão de quando as famílias poderão retornar às suas casas. Inicialmente o governo do Estado havia informado que 500 moradores foram mobilizados. Mas segundo Godilho, apenas 65 pessoas precisaram ser evacuadas. 

O major Joselito Oliveira, do 10° Batalhão do Corpo de Bombeiros de Divinópolis, que participou dos trabalhos de evacuação, contou que as famílias foram levadas para o município de Itaúna, distante a 26 km de Itatiaiuçu. "Elas estão hospedadas em hotéis em Itaúna, custeadas pela empresa ArcelorMittal", disse. Ao todo, 200 pessoas já estão no hotel. 

Segundo a empresa, a barragem de rejeitos é do tipo à montante e está desativada desde outubro de 2012. 

Em nota divulgada no seu site, a ArcelorMittal disse que tomou a decisão de evacuar a região próxima a barragem de Serra Azul como "medida de precaução", pois após inspeção e auditorias independentes na sua estrutura, necessárias para a expedição da declaração de estabilidade. O resultado mudou o fator de segurança da barragem para um nível mais "restritivo". 

"Baseado na variação do fator de segurança, a decisão tomada foi de evacuar todos os residentes enquanto testes adicionais estarão sendo tomados e qualquer medida de mitigação possa ser implementada", diz.

Ainda segundo a ArcelorMittal, em caso de colapso, os rejeitos percorreriam um trajeto de até cinco quilômetros e a comunidade evacuada situa-se a cinco quilômetros da barragem.

Benjamin Baptista, presdente da ArcelorMittal Brasil, pediu "desculpas à comunidade local pelo transtorno". "Porém, sabemos que esta é a decisão correta e sem dúvida a única decisão que poderíamos tomar. As autoridades locais concordaram. Procuraremos retornar as pessoas para suas casas o tão logo possível, embora à esta altura não seja possível dizer quando será", disse.

Errata: este conteúdo foi atualizado
Diferentemente do que foi informado neste texto, a Walm é uma empresa nacional. A informação foi corrigida.
Diferentemente do que foi informado neste texto, o nome da mina pertencente a Vale em Barão dos Cocais (MG) é Gongo Soco. O texto foi corrigido.

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