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Mãe acusada de vender filho por R$ 5 mil é indiciada por tráfico de pessoas

Getty Images
Segundo delegado, há indícios de maus-tratos de terceiros sobre o garoto, com consentimento da mãe Imagem: Getty Images
do UOL

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

24/01/2019 08h29

A mãe do garoto de 12 anos que foi encontrado pela Polícia Civil abandonado na rodoviária de Santa Maria da Vitória, região oeste da Bahia, foi indiciada por tráfico de pessoas, abandono de incapaz e comunicação falsa de crime. Segundo a polícia, Maria Rocha Roque vendeu o filho por R$ 5 mil a um agiota da cidade de Botuporã, município em que mãe e filho moram. A suspeita da polícia é que a criança seria levada ao Japão para pagar dívida de tio.

Acusado de comprar o menino, Sivaldo Lemos da Silva também foi indiciado por tráfico de pessoas. A polícia não conseguiu descobrir os suspeitos de comprar o garoto que moram no Japão. Maria Rocha Roque e Sivaldo Lemos da Silva estão presos preventivamente na cadeia pública de Santa Maria da Vitória por ordem judicial.

O inquérito policial foi concluído nesta terça-feira (22) e remetido ao Ministério Público. A promotoria de Santa Maria da Vitória tem cinco dias para oferecer denúncia à Justiça, além de requerer a manutenção da prisão ou soltura dos acusados. "Somando as penas máximas com os agravantes, dá um total de 15 anos de prisão", informou o delegado Leyvison Rodrigues, que investigou o caso e é autor do inquérito policial.

Até agora, os acusados não têm advogado para fazer a defesa deles, nem foram atendidos por defensor público.

Relembre o caso

O menino foi notado por uma investigadora da Polícia Civil que passava pelo local e o viu chorando no dia 11 de janeiro. Ela acionou o Conselho Tutelar e a delegacia para localizar a mãe. 

Segundo o garoto, ele e a mãe viajaram 250 quilômetros que separam a cidade em que moram, Botuporã, até Santa Maria da Vitória. Nessa rodoviária, a mãe desapareceu, sem que ele notasse. Ela foi presa na rodoviária de Bom Jesus da Lapa, município vizinho.

"Ela tentou ludibriar a polícia dizendo que foi sequestrada e estava sem documentos, mas encontramos a carteira dela. Ela entrou em contradição e acabou confessando que vendeu o filho", explicou Rodrigues.

A criança disse à polícia que a mãe receberia R$ 5 mil do atravessador e que o homem que o levaria para o Japão tinha R$ 65 mil para custear a viagem internacional. Segundo o delegado, foram encontradas no celular do garoto conversas com os possíveis compradores no Japão, que pediam que ele enviasse fotos. A mãe estaria a par de tudo.

"Em nenhum momento, a mãe demonstrou arrependimento. Ela alegou que vendeu o filho porque não gostava dele. Disse que o menino era hiperativo e não tinha paciência para criá-lo", contou o delegado. A criança está na casa de familiares em Botuporã.

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