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Grupo de 70 intelectuais pede que EUA não interfiram em assuntos da Venezuela

24/01/2019 22h59

Washington, 24 jan (EFE).- Um grupo de 70 intelectuais, historiadores e especialistas em política latino-americana pediu nesta quinta-feira ao governo dos Estados Unidos que não interfira na política interna venezuelana e apoie um diálogo entre o governo e a oposição.

"Ao reconhecer o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como o novo presidente da Venezuela, algo ilegal sob a Carta da OEA, o governo de (Donald) Trump acelerou a crise política da Venezuela com a esperança de dividir os militares venezuelanos e polarizar ainda mais a população, obrigando-os a escolher lados", disse o grupo de intelectuais em carta aberta.

Os signatários, entre os quais estão o filósofo e ativista Noam Chomsky e o relator independente da ONU, Alfred de Zayas, asseguraram que o reconhecimento de Guaidó como governante legítimo da Venezuela em detrimento do presidente Nicolás Maduro por parte dos EUA e de seus aliados piorará a situação nesse país e gerará "um sofrimento humano desnecessário, violência e instabilidade".

"Se o governo de Trump e os seus aliados continuarem seu curso imprudente na Venezuela, o resultado mais provável será o derramamento de sangue, o caos e a instabilidade", advertiram os intelectuais, entre eles vários professores de História nos EUA.

"O objetivo óbvio, e em algumas ocasiões declarado, é expulsar Maduro por meio de um golpe de Estado", acrescentaram os intelectuais, que disseram que os Estados Unidos deveriam ter aprendido algo das suas empreitadas de mudança de regime no Iraque, na Síria, na Líbia e do seu patrocínio histórico de mudança de regimes na América Latina.

O governo do presidente Donald Trump foi o primeiro a reconhecer nesta quarta-feira o líder do parlamento, Juan Guaidó, como governante legítimo da Venezuela, linha que foi seguida por mais de uma dezena de países do continente americano.

Em reunião realizada nesta quinta-feira na Organização dos Estados Americanos (OEA), um total de 16 países do continente, entre eles Brasil, Colômbia, Equador e Argentina, expressaram seu "pleno apoio" a Guaidó e pediram que se garanta sua segurança e a dos membros da Assembleia Nacional, de maioria opositora.

"Sob o governo de Trump, a retórica agressiva contra o governo venezuelano se disparou a um nível mais extremo e ameaçador, com funcionários falando de 'ação militar' e condenando a Venezuela, junto com Cuba e Nicarágua, como parte de uma 'troika de tirania", lembraram os intelectuais em referência ao assessor de segurança nacional da Casa Branca, John Bolton.

"Os EUA e os seus aliados, incluindo o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, e o presidente de extrema-direita do Brasil, Jair Bolsonaro, empurraram a Venezuela ao precipício", ressaltaram.

Finalmente, os signatários afirmaram que a única solução possível "é um acordo negociado, como ocorreu no passado em países latino-americanos quando as sociedades polarizadas politicamente não puderam resolver suas diferenças através das eleições". EFE

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