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Fez bolão na Mega, não levou, mas sofre ameaças; cidade teve 3 vencedores

Reprodução/Facebook
Alan Cleberton diz que enviou fotos dos bilhetes aos participantes do bolão para comprovar resultado Imagem: Reprodução/Facebook
do UOL

Alexandre Santos

Colaboração para o UOL, em Salvador

2019-01-12T18:21:39

2019-01-13T13:15:08

12/01/2019 18h21Atualizada em 13/01/2019 13h15

Às vésperas do Réveillon, Alan Cleberton Pereira de Jesus, 39, decidiu tentar a sorte grande. Assim como milhares de sonhadores país afora, o educador físico resolveu arriscar na Mega-Sena da Virada na esperança de se tornar o mais novo milionário de 2019. Dono de uma academia no interior da Bahia, reuniu alunos e funcionários e fez um bolão. Entraram no rateio 89 pessoas.

Ao todo, 52 apostas acertaram as seis dezenas, com direito a levar uma bolada de R$ 5.818.007,36. Coincidentemente, três apostas foram feitas na cidade de Alan, a pequena Euclides da Cunha, município baiano com 60 mil habitantes, situado a cerca de 320 km de Salvador. A lotérica Boa Sorte foi apelidada pela população de "pé quente".

Alan e seu grupo de apostadores fizeram apenas a quadra, segundo o educador físico. "O bolão da academia Eron Fitness não ganhou na Mega da Virada. Foram 89 apostadores. Cada um pagou R$ 20. Fizemos uma quadra, ganhamos o valor de R$ 240,17. Vamos continuar trabalhando. Quem sabe da próxima não seremos vencedores de verdade?", afirmou Alan.

Ele disse ter mandado todos os comprovantes dos jogos aos participantes via WhatsApp. Houve desconfiança, e Alan passou a ser visto como um "trapaceiro". Para alguns, ele teria escondido dos demais que ganharam o prêmio para não dividir o valor.

'Integridade ameaçada'

O educador físico diz ter sido alvo de ameaças e, "temendo por sua integridade física", registrou um B.O. (Boletim de Ocorrência) em 4 de janeiro.

Titular da 1ª Delegacia Territorial (Euclides da Cunha), o delegado Luiz Henrique Alves da Costa incumbiu-se de investigar o caso e chegar aos possíveis autores das intimidações. Até a publicação da reportagem, ninguém havia sido identificado.

Apesar de formalizar a ocorrência policial, Alan diz que as ameaças não cessaram, e que continua a receber ligações de "gente perguntando pelo dinheiro".

"Infelizmente, mesmo após o esclarecimento sobre o resultado, algumas pessoas continuam afirmando que o bolão foi premiado e imputando falsamente a nós que realizamos o bolão um crime: ficar com o dinheiro e não repassar. Isso é grave e não pode passar despercebido. Estamos com a nossa consciência tranquila sobre o resultado do bolão e temos como provar. Mas algumas pessoas, sem qualquer prova, insistem em nos caluniar", escreveu Alan em um comunicado nas redes sociais nesta sexta-feira (11).

"A alternativa que nos resta é o oferecimento de uma queixa-crime, para processar aqueles que insistem em afirmar que nós não repassamos o dinheiro de um suposto prêmio, que mais uma vez afirmamos, não ocorreu", acrescentou.

"Tem pessoas que não nasceram pra ser ricas porque são pobres de espírito", escreveu Alan. Mesmo sob desconfiança de alguns, ele diz que continua dando aulas na academia normalmente. Até este sábado (12), dois dos vencedores de Euclides da Cunha (BA) já haviam retirado o prêmio.

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