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Tribunal proíbe ex-procurador-geral do Peru de sair do país

12/01/2019 19h26

Lima, 12 Jan 2019 (AFP) - Um tribunal peruano decidiu que o ex-procurador-geral Pedro Gonzalo Chávarry, investigado por crimes de acobertamento e outros, não poderá deixar o país por nove meses, informou neste sábado (12) o Poder Judiciário.

"Ordena-se o impedimento de saída do país por nove meses contra o ex-procurador da Nação, Gonzalo Chávarry Vallejos, investigado pelos supostos crimes de acobertamento real e outros", destacou o organismo no Twitter.

A ordem ocorre a raiz de sua suposta participação na subtração de documentos, em 5 de janeiro, de um escritório lacrado pelo promotor José Domingo Pérez, no âmbito de uma investigação do partido Força 2011 (hoje Força Popular, liderada por Keiko Fujimori).

O pedido de impedimento de saída do país foi apresentado na sexta-feira pela nova procuradora-geral, Zoraida Ávalos, que assumiu o lugar de Chávarry depois de sua renúncia, na terça-feira.

Após assumir o cargo, Ávalos declarou em emergência o Ministério Público e ratificou o apoio às investigações do caso Odebrecht no combate à corrupção.

Chávarry renunciou, assediado pelos protestos de cidadãos autodenominados indignados, que exigem seu comparecimento na Justiça por supostos vínculos com a organização criminosa judicial 'Os Colarinhos Brancos do Porto', e suas ações contra promotores da equipe especial do caso Odebrecht Rafael Vela e José Domingo Pérez.

A crise interna na procuradoria peruana se aprofundou na quarta-feira passada, quando os promotores nomeados para substituir os destituídos Vela e Pérez rejeitaram a designação decidida por Chávarry em solidariedade a seus colegas.

A equipe chefiada por Vela é encarregada da investigação sobre os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), que fugiu para os Estados Unidos e agora enfrenta um pedido de extradição; Ollanta Humala (2011-2016), que esteve preso por nove meses com sua esposa, Nadine; Alan García (1985-1990, 2006-2011), que buscou sem sucesso asilo na embaixada do Uruguai; e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018), que renunciou em março, sufocado por denúncias de corrupção.

Chávarry é questionado porque considera-se que a suspensão de Vela e Pérez boicoteava um acordo judicial de colaboração eficaz (delação premiada) entre as Justiças brasileira e peruana para que os executivos da Odebrecht aportem as provas documentais de supostas propinas pagas a políticos locais em troca de favorecimentos.

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