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Merkel: 'assumimos a responsabilidade' por crimes nazistas na Grécia

Sakis Mitrolidis/AFP
Crianças e jovens depositam rosas no Memorial do Holocausto, em Tessalônica, Grécia Imagem: Sakis Mitrolidis/AFP

Da AFP*

11/01/2019 07h22

A Alemanha "assume completamente a responsabilidade pelos crimes" cometidos pelos nazistas na Grécia - declarou a chanceler Angela Merkel, nesta sexta-feira (11), em sua primeira visita oficial a Atenas desde 2014.

A reivindicação de indenizações à Alemanha como compensação por crimes cometidos durante a ocupação do país por parte dos nazistas (1941-1944) é um velho debate na Grécia, reavivado pela crise da dívida nesses últimos anos.

Em abril de 2013, um comitê do Ministério das Finanças calculou seu valor em 162 bilhões de euros (cerca de R$ 520 bilhões) - quase a metade da dívida grega, ou 80% do PIB -, somados o espólio e a destruição de infraestruturas (R$ 348 bilhões) e a devolução do empréstimo forçado (R$ 174 bilhões) que o Banco da Grécia teve que conceder a Berlim em 1942 para financiar a ocupação.

Como prova de que o assunto está há tempo sobre a mesa, em março de 2014 o presidente grego, Karolos Papulias - que quando jovem participou ativamente da resistência -, formulou a reclamação a seu homólogo alemão, Joachim Gauck, durante uma visita oficial deste a Atenas.

A memória da ocupação é transmitida de geração em geração. É o caso de Katerina Katragalos, 85 anos e moradora de Kesariani, que ainda recorda "o chiado dos eixos das carroças carregadas de mortos, a maior parte deles esqueletos de fome e miséria, que eram recolhidos como despojos das ruas" durante a invasão.

Esta foi uma das mais bárbaras da Europa e custou a vida de 200 mil a 300 mil gregos, segundo as fontes (só no inverno de 1941 a 1942 a fome acabou com cerca de 100 mil pessoas), aproximadamente 40 mil só na região de Atenas.

Também são recordados os espólios, o saque de colheitas, alimentos e bens, ou, enfim, a afronta da bandeira nazista ondulando no alto da Acrópole, de onde foi arrancada por Manolis Glezos, hoje nonagenário deputado do Syriza e há décadas o principal promotor dessa causa.

Também ocupa lugar de destaque nos livros de texto o rosário de atrocidades cometidas pelas SS contra a população: Dístomo, onde mataram em 1944 218 civis em reação a um ataque de "partisans"; Kalavryta, com mais de 700 vítimas mortais, ou Ligiadis, com centenas de caídos.

Alguns desses crimes de guerra, como o de Dístomo, foram levados à justiça internacional, sem resultado.

*Com El País

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