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Trump chega à fronteira com México para defender projeto de muro

10/01/2019 20h59

McAllen, Estados Unidos, 10 Jan 2019 (AFP) - O presidente Donald Trump chegou nesta quinta-feira (10) à colônia McAllen, na fronteira dos Estados Unidos com o México para defender seu projeto de muro, um dia depois de abandonar negociações para pôr fim ao "shutdown" federal com líderes democratas, contrários a financiar a construção da barreira na fronteira sul.

Em reunião com oficiais da patrulha de fronteira, Trump disse que muitos emigrantes centro-americanos "simplesmente vão para onde não há segurança, e sequer sabem a diferença entre México e Estados Unidos".

"Trazem mulheres amarradas, com fita adesiva na boca, fita isolante. Se tivéssemos uma barreira de qualquer tipo, uma barreira poderosa, seja de aço ou concreto (...) os deteríamos", declarou Trump.

A viagem do presidente ao Texas é mais um passo para fazer avançar seu plano de construir o muro, após seu primeiro discurso à nação na terça-feira e abandonar uma reunião com os democratas na quarta-feira.

Mas antes de desembarcar no Texas, Trump aumentou a pressão sobre os democratas ao anunciar via Twitter que, devido a sua "intransigência", cancelou sua viagem ao fórum econômico de Davos, que acontece de 21 a 25 de janeiro.

Trump quer 5,7 bilhões de dólares para erguer um muro que considera necessário para impedir uma crise de crimes violentos causada pela insegurança na fronteira sul. Os democratas dizem que o muro não resolve problemas de imigração e criticam que é apenas uma manobra política para satisfazer as bases de direita do presidente.

"Você pode ter toda a tecnologia do mundo, se não tiver uma barreira de aço ou um muro de algum tipo, forte, poderoso, vai ter tráfico de pessoas, vai ter entrada de drogas por toda a fronteira, vai ter gangues entrando", disse da Casa Branca antes de ir ao Texas.

O presidente pressionou o Congresso ao se recusar a assinar o orçamento do governo federal, que resultou no chamado "shutdown", devido ao qual centenas de milhares de funcionários, incluindo controladores de tráfego aéreo e membros da Guarda Costeira, não recebem salários há três semanas.

Uma paralisação prolongada do governo federal teria "um efeito considerável" sobre a economia mundial, advertiu Jerome Powell, presidente do Federal Reserve nesta quinta-feira.

Trump repetiu a ameaça de que, se os democratas não desistirem, ele declarará a emergência nacional para evitar a votação no Congresso.

"Se não chegarmos a um acordo, acho que me surpreenderia" não ser declarada emergência nacional, afirmou.

Os analistas alertam que a decisão de Trump seria contestada na Justiça, de modo que o projeto do muro poderia ser bloqueado.

No entanto, esse processo daria credibilidade política ao presidente ante suas bases, pois mostraria que ele fez o que pôde para construir o muro. Naquela época, Trump poderia acabar com o fechamento parcial do governo.

- Birra -Trump, que se orgulhava de suas habilidades de negociação devido ao seu passado como magnata do setor imobiliário em Nova York, não conseguiu fazer com que os democratas cedessem à sua demanda para investir os 5,7 bilhões de dólares em seu projeto.

Foi como "uma total perda de tempo" que Trump descreveu no Twitter sua reunião com a líder da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, e com o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer.

Chuck Schumer, o líder democrata no Senado, disse à imprensa que ele "bateu na mesa" e "se levantou e foi embora". "Vimos sua birra novamente porque ele não conseguiu o que queria", acrescentou.

"Eu não bati na mesa, isso é mentira", defendeu o presidente. "Eu não tenho birras, todas essas histórias são mentiras".

"A verdade é que um grande percentual das pessoas que entram no país, que pedem para entrar no país, não é de criminosos. São famílias, crianças, mães, que realmente pedem proteção", afirma a irmã Norma Pimentel, do Centro católico de ajuda humanitária em McAllen, no Texas.

Um migrante hondurenho de 23 anos que se identificou como Kevin disse que veio com sua jovem filha em busca de uma vida melhor.

"Saímos de lá por causa do crime, porque há muito desemprego, o sistema educacional é ruim e todos nós, os pais, queremos um futuro melhor para nossos filhos", explicou à AFP.

O "shutdown" atual está perto de se tornar o mais longo da história, batendo o recorde de 21 dias ocorrido entre o fim de 1995 e o início de 1996, no governo Bill Clinton.

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