PUBLICIDADE
Topo

Como Bill Gates quer mudar o mundo com novo reator nuclear

Bill Gates acredita que energia nuclear possa ser salvação para o mundo - Reuters
Bill Gates acredita que energia nuclear possa ser salvação para o mundo Imagem: Reuters
do UOL

Gabriel Francisco Ribeiro

Do UOL, em São Paulo

01/12/2018 16h07

Bill Gates vê a energia nuclear como uma solução em potencial para baixar os níveis de emissão de dióxido de carbono no mundo e assim diminuir os efeitos do aquecimento global. O multimilionário passou os úitimos dez anos financiando pesquisas para produção de energia renovável por um meio seguro e parece que finalmente tem conseguido alguns trunfos.

Cofundada por Bill Gates há dez anos, a empresa TerraPower corre atrás de um novo tipo de reator nuclear. A companhia está desenvolvendo uma linha de reatores que usa cloreto derretido como agente refrigerador, segundo o site Business Insider. Essa reação é uma invenção antiga, mas ainda não usada para reduzir custos e desperdícios. Os reatores mais comuns atualmente usam água como refrigerador.

Veja também:

A TerraPower conta com investimento de US$ 40 milhões do Departamento de Energia dos Estados Unidos e espera abrir um novo laboratório no próximo ano, O protótipo inicial do reator, contudo, ainda está um pouco longe: a previsão é que ele fique pronto até 2030, depois de testes neste novo laboratório.

"[Esse reator novo] Não só permitirá produzir eletricidade sem emissões de carbono, mas também, ao direcionar o calor diretamente a alguns processos de uma instalação industrial, você pode fornecer o calor necessário para causar reações no processo industrial (ou para o que você quer usar), sem emissões de carbono", explicou ao Business Insider John Gilleland, chefe de tecnologia da TerraPower.

Como o novo reator funciona

A energia nuclear ganhou fama depois de cientistas descobrirem no século 20 como controlar o poder dos átomos, mas o alto custo e a preocupação com segurança pelo perigo do lixo radioativo impediram o investimento nesse tipo de energia por parte de muitos países. Agora ela pode virar a bola da vez, já que cientistas apontam a energia nuclear como a mais barata para amenizar os gases do efeito estufa mas próximas décadas - atualmente, ela é responsável por 11% da energia no mundo.

Esse tipo de energia é produzido quando um combustível radioativo é colocado em um reator para gerar a fissão, processo no qual o núcleo de um átomo se divide dentro de um núcleo de um reator. Nas reações com água, o combustível sólido fica dentro do revestimento (metal resistente à corrosão) que impede que peças radioativas contaminem o agente refrigerador. A água ao redor do revestimento ajuda a transformar o calor de uma reação em vapor para as turbinas gerarem eletricidade.

Por outro lado, o projeto da TerraPower com o cloreto líquido coloca o combustível de urânio e o agente refrigerante no mesmo sal fundido, segundo Gilleland. A fissão pode aquecer os sais diretamente à medida que a mistura flui através do núcleo do reator. A mistura passaria pelos trocadores de calor para gerar calor ou eletricidade.

Os reatores de água não podem suportar reações a temperaturas muito altas porque o agente refrigerante iria evaporar. Com o cloreto fundido, a TerraPower poderia operar reatores a temperaturas muito mais altas do que antes. Além de gerar energia, a tecnologia poderia ser usada em processos de alta temperatura, como a produção de fertilizantes e o refino de petróleo.

Outro ponto positivo é que os reatores com a nova tecnologia produzem pouco lixo residual e teoricamente podem funcionar por anos sem a necessidade de adicionar combustível ou ser limpo - reatores com água têm degradação rápida e precisam ser trocados em média a cada 18 meses.

25.nov.2015 - Vapor emana das torres de resfriamento da usina de energia nuclear Electricité de France, em Nogent-Sur-Seine, França. O país abrigará a COP21 (Conferência sobre Mudança Climática das Nações Unidas de 2015), também conhecida como cúpula do clima da ONU (Organização das Nações Unidas) "Paris 2015", que acontece de 30 de novembro a 11 de dezembro, com o objetivo alcançar um acordo juridicamente vinculativo e universal sobre o clima entre todas as nações do mundo. A imagem foi feita no dia 13 de novembro e divulgada nesta quarta-feira (25) - Charles Platiau/Reuters - Charles Platiau/Reuters
Geração de energia nuclear atual pode ser muito melhorada com mudança no reator
Imagem: Charles Platiau/Reuters

Apesar dos testes só terem começado há alguns anos, a TerraPower se baseia experimentos da década de 60, na época da Guerra Fria. Na época, pesquisadores de um laboratório do Tennessee (EUA) desenvolveram um reator de sal fundido, mas o financiamento foi interrompido anos depois pela preocupação de corrosão e problemas de segurança.

Agora, com a ajuda de Bill Gates e do apoio governamental, a tecnologia está em voga normalmente. Segundo o Business Insider, o projeto tem parceria com vários laboratórios, mas várias startups competem com a companhia do multibilionário para comercializar reatores de sal fundido similares.

Necessidade de energia renovável é urgente

O uso de energia renovável tem crescido muito pouco para prevenir a humanidade de uma calamidade com as mudanças climáticas. Segundo relatório da Agência Internacional de Energia, as energias solares, eólicas e nucleares não estão conseguindo competir com a demanda de energia global.

Cerca de 25% da energia do mundo vem de fontes renováveis, de acordo com a agência. A previsão é de que o número aumente para 40% até 2040 e a energia nuclear é uma das soluções apontadas para que esse aumento ocorra.

A TerraPower e seus parceiros estão desenvolvendo um protótipo com a capacidade de produzir até 1.100 megawatts de eletricidade - o poder seria suficiente para dar energia a 825 mil casas, de acordo com a Comissão de Energia da Califórnia.

O laboratório de US$ 20 milhões da companhia deve ser inaugurado no próximo ano no Estado de Washington, com testes de materiais que sejam resistentes à corrosão. Bill Gates ainda é o presidente da Terra Power e já disse em entrevistas que menos pessoas morrem em desastres de plantas nucleares do que em minas de carvão ou acidentes com gás natural.

Notícias