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"Pacientes estavam me esperando", diz médico que atendeu na calçada de hospital no Ceará

Rodrigo Ferreira Gomes atende pacientes nas ruas de Itapajé, no CE - YouTube/Raphael Barros
Rodrigo Ferreira Gomes atende pacientes nas ruas de Itapajé, no CE Imagem: YouTube/Raphael Barros

Pedro Fonseca

do BOL, em São Paulo

01/11/2018 11h21

Imagens de um médico atendendo pacientes do lado de fora de um hospital municipal no Ceará ganharam as redes sociais esta semana. Em vídeo publicado no YouTube, o médico Rodrigo Ferreira Gomes, de 31 anos, aparece atendendo pacientes na calçada, com uma mesa e uma cadeira de plástico, porque, segundo ele, não foi avisado pelo Hospital Maternidade João Ferreira Gomes, em Itapajé (CE), de que havia sido demitido.

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"Quando eu cheguei para trabalhar simplesmente tinha outro sem sequer eu ter sido comunicado. E eu estou fazendo o meu papel. O plantão não era meu? Estou atendendo aqui meus pacientes que estavam me esperando", diz o médico em vídeo gravado do lado de fora do hospital. O caso aconteceu na última quinta-feira (25).

Rodrigo afirma no vídeo que havia sido alertado por um colega de que haveria mudança na direção clínica do hospital e que a condição da nova diretoria era tirá-lo de suas funções, mas que ele não recebeu nenhum comunicado oficial.

O hospital, no entanto, contesta a versão do médico, dizendo que Rodrigo foi demitido depois da atitude de atender às pessoas na rua. O diretor administrativo do Hospital Maternidade João Ferreira Gomes, Alex Pinheiro, afirmou ao BOL que Rodrigo atrasava ou faltava constantemente nos plantões, inclusive no dia do ocorrido: "Na semana anterior do que aconteceu, ele avisou que faltaria por conta de uma viagem. No dia que aconteceu o fato (25), ele estava atrasado e precisamos solicitar um médico substituto. Ao chegar no trabalho, o Rodrigo não gostou do que viu e não quis conversar com ninguém", disse Pinheiro.

Médico Rodrigo Ferreira Gomes - Facebook/Rodrigo Ferreira Gomes - Facebook/Rodrigo Ferreira Gomes
1.nov.2018 - Rodrigo após fazer um parto humanizado de gêmeos em Irauçuba, cidade próxima a Itapajé (CE)
Imagem: Facebook/Rodrigo Ferreira Gomes

O BOL entrou em contato com Rodrigo Ferreira Gomes, que negou as acusações: "Foi feita uma troca de favores em que eu e outros médicos, além do diretor clínico do hospital, servimos como moeda de troca. O novo diretor clínico só assumiria se fôssemos mandados embora", afirmou. O médico acredita que a situação está ligada a questões políticas: "Eu fui afastado por não apoiar o candidato a deputado estadual que a atual gestão do hospital apoia. Na verdade, cheguei para fazer o plantão normalmente quando me deparei com outro médico. A princípio, achei que era um substituto, mas ele me disse que estava escalado para trabalhar naquele dia", contou Rodrigo.

O médico, especializado em medicina comunitária, trabalhava no hospital municipal de Itapajé havia seis anos e tinha as quintas-feiras como dia fixo para atender aos pacientes naturais da cidade. "Ele alega que foi demitido por questões políticas, mas isso não é verdade. Eu ainda tentei falar com ele que sua atitude estava errada, mas ele não quis conversa", afirmou o diretor do hospital, Alex Pinheiro.

Pacientes lamentam demissão

Segundo Rodrigo, o fato de não ter sido avisado e já haver uma pessoa para trabalhar no dia 25 de outubro foi o fim da linha: "Meus pacientes estavam me esperando e eu avisei para eles que tinham me demitido de forma antiprofissional, mas que aguardassem pois eu ia atender a todos. Foi então que voltei para casa e peguei uma mesa e cadeira", explicou o médico. 

"Nessa situação quem perdeu foi a população de Itapajé", disse Pedro Bastos, paciente de Rodrigo. "Ele é um médico bem conceituado e bem conhecido não só na cidade", contou outro paciente, Pedro Emanuel. O profissional atua também em outros hospitais da região.

Rodrigo diz que ainda não recebeu um comunicado oficial de sua demissão. O médico acionou o Conselho Federal de Medicina (CFM) junto a um advogado particular para denunciar o caso e pedir providências: "A medicina me trouxe muitas amizades, principalmente com meus pacientes de Itapajé. Quero que o caso se resolva para que consiga voltar a trabalhar o quanto antes", disse.

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