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Viciada em crack, ex-modelo vive nas ruas do centro de São Paulo

A ex-modelo Loemy Marques, de 24 anos, ganhou repercussão nesta semana após sua história ser capa da revista Veja São Paulo. Sob o título "Eu preciso de ajuda", a matéria conta como a jovem, que saiu do interior de Mato Grosso para tentar a vida em São Paulo, acabou se tornando uma viciada em crack.

À publicação, Loemy fala sobre a primeira vez que teve contato com a droga. "Estava em um táxi e, em vez de ir direto para casa, desviei o caminho e desci perto da Praça Júlio Prestes para tentar comprar maconha", recorda.

Na bolsa, ela carregava 800 reais e dois celulares. Acabou sendo assaltada por dois bandidos, sentou-se no chão e começou a chorar. "Até que colocaram um cachimbo na minha boca. Foi como uma tomada para carregar", afirmou.

No sábado (22), a reportagem da Folha de S.Paulo foi até a cracolândia e encontrou a ex-modelo. Loemy parece agitada, senta-se e levanta-se várias vezes de uma cadeira de plástico na sede do Recomeço, projeto do governo estadual para tratar dependentes, enquanto é disputada por equipes de programas de TV.

"Não viemos explorar a tragédia dela", diz um produtor de TV. "O que estamos oferecendo é uma proposta de final feliz, ela vai para um hotel, para uma clínica. Mas queremos exclusividade."

Enquanto isso, o funcionário de outra emissora se oferece para comprar um maço de cigarros para ela. Para irritação do primeiro, ela sai por alguns minutos com o homem. Quando volta, segura um Marlboro vermelho e um chocolate Diamante Negro. Uma das equipes oferece que Loemy vá para um hotel.

"Não quero. Não consigo ficar sozinha lá", diz. "Estou acordada há dois dias. Vou ficar acordada até apagar e depois me interno no Cratod [centro estadual de referência de álcool e outras drogas]."

Procurada pela reportagem da Folha de S.Paulo, a preparadora de modelos, Debora Souza, 36, disse  que não sabia que a jovem tinha ido parar na rua. Da última vez que teve contato com Loemy foi na casa de um amigo. “Ela já estava em estado deplorável”, contou.

A jovem passou por cursos na Skin Model, onde Debora trabalha. "Foi em meados de 2012. Ela estava crua ainda. Mas tinha todo o potencial do mundo, uma beleza estilo anos 80", afirmou.

Debora conta que começou a receber queixas de indisciplina. "Ela ficava muito revoltada de não ser aprovada no casting [seleção] e tinha comportamentos súbitos de gritar com as pessoas", diz. "Outra vez, gostaram dela, mas no meio da prova de roupa ela saiu para fumar e voltou com a roupa cheirando cigarro."

Longe das passarelas, Loemy chegou a tentar se internar e voltar para o interior de Mato Grosso, onde vive a família. No fim, sempre acabava voltando à cracolândia.

No domingo (23), Loemy continua no fluxo - nome dado à aglomeração de viciados que hoje fica na esquina da rua Helvétia com a Alameda Cleveland, na cracolândia. Quando não está fumando crack, anda de um lado para o outro e, às vezes, abaixa-se para procurar algo no chão. Poucos ali a conhecem, mas muitos se identificam com a história dela.

"Eu era engenheiro mecânico até um ano e meio atrás. Saí com uma prostituta, fumei uma pedra e hoje não consigo sair daqui", diz um homem de 36 anos, ao ser questionado se a conhecia.

Apesar do 1,79 m de altura, Loemy passa despercebida no meio dos demais viciados. Com o cachimbo na mão, não quer conversa. Enfia-se entre as dezenas de barracas onde os viciados fumam e desaparece de vista.

(Com informações da Folha de S.Paulo)

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