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No ensino médio, Brasil gasta por aluno menos de um terço da média da OCDE

do UOL

Do UOL, em São Paulo

25/06/2013 13h38Atualizada em 25/06/2013 16h44

A despesa anual do governo brasileiro com alunos do ensino médio em 2010 foi de US$ 2.571 (R$ 5.715,33) por estudante, enquanto a média da OCDE foi de US$ 9.014 (R$ 20.038, 12) no mesmo ano. O gasto brasileiro equivale a 28,5% do custo em países desenvolvidos. O dado faz parte de um relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulgado nesta terça (25). 

Entre os 32 países com dados disponíveis e divulgados pelo relatório, o Brasil ocupa o último lugar no ranking de investimento anual por aluno.

O ensino médio, no Brasil, é tido como uma etapa problemática por sua alta taxa de abandono e evasão.

Na Finlândia, por exemplo, o gasto por aluno foi de US$ 9.162 (R$ 20.339,64) em 2010. No Chile, cada estudante do mesmo nível de aprendizagem custou US$ 3.110 (R$6.904,20).

 BrasilMédia da OCDE
Ensino FundamentalUS$ 2.778US$ 7.974
Ensino MédioUS$ 2.571US$ 9.014
Ensino SuperiorUS$ 13.137US$ 13.528
  • Fonte: OCDE

No ensino fundamental, a diferença diminui -- o Brasil investe US$ 2.778 (R$ 6.142,16) por ano enquanto os países da OCDE desembolsam US$ 7.974 (R$ 17.630,51).

O país só se aproxima do investimento médio dos demais no ensino superior: em 2010, foram empenhados US$ 13.137 (R$ 29.168,08) por aluno no Brasil e, em média, US$ 13.528 (R$ 30.036,22) nos países da OCDE.

O relatório destaca ainda que na última década o Brasil aumentou o investimento público em educação, passando de 3,5% do PIB em 2000 para 5,6% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2010. O número, porém, fica abaixo da média dos membros da OCDE, de 6,3% do PIB em educação em 2010.

Emperrado há mais de dois anos no Congresso, o PNE (Plano Nacional da Educação) prevê a destinação de 10% do PIB brasileiro para a educação. O texto está no Senado e, das 20 metas estabelecidas, o cálculo da porcentagem do investimento representa até agora o maior entrave.

Ensino Superior

Apesar de investir quase o mesmo que os demais países no ensino superior, o Brasil tem o menor percentual da população com diploma. Em 2011, apenas 12% da população entre 24 e 64 anos alcançou a graduação. A média da OCDE é de 32%.

A organização mostra também que concluir o ensino superior no Brasil significa um aumento salarial médio de 157%. A diferença de rendimentos entre os trabalhadores que possuem e que não possuem diploma é de 57% entre os membros da OCDE.

Outros dados

De acordo com o relatório, 95% das crianças brasileiras entre 5 e 14 anos estavam na escola em 2011. A taxa de matrícula entre 15 e 19 anos aumentou de 75%, em 2007, para 77%, em 2011, mas ainda está bem abaixo da média dos países da OCDE, que é de 84%.

Na educação infantil, o Brasil fica entre os cinco piores colocados, com apenas 36% das crianças de 3 anos e 57% de 4 anos matriculadas na escola. A média dos países membros da OCDE é de 67% e 85%, respectivamente.

OCDE

A OCDE é uma organização internacional para cooperação e desenvolvimento dos países membros. Fazem parte da OCDE: Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Chile, República Tcheca, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Irlanda, Israel, Itália, Japão, Coréia, Luxemburgo, México, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Polônia, Portugal, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia, Suíça, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.

O relatório "Education at a Glance 2013" ("Olhar sobre a Educação") analisa os sistemas de ensino dos 34 países membros da OCDE, bem como os da Argentina, Brasil, China, Índia, Indonésia, Rússia, Arábia Saudita e África do Sul.

A OCDE também é responsável pela aplicação e divulgação dos resultados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos).

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