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12 momentos em que Caetano Veloso soltou o verbo

Colaboração para o BOL

07/08/2018 08h00

O cantor baiano completa 76 anos nesta terça-feira (7/8/2018). Símbolo de resistência e ruptura, ele marcou a música brasileira com as críticas sociais e políticas em suas composições. Contudo, Caetano também não se exime de exprimir os pensamentos em entrevistas. Confira 12 vezes em que ele ultrapassou a fronteira musical, deixou as letras das canções de lado e soltou o verbo sobre assuntos diversos.


Leia também:

  • Reprodução/Site pessoal

    Crítica à juventude

    Em 1968, ao cantar "É Proibido Proibir" com os Mutantes no Teatro da Universidade Católica, Caetano foi vaiado e polemizou ao discursar no evento, questionando: "Que juventude é essa? Se vocês forem em política como são em estética, estamos feitos"

  • Rafael Andrade/Folhapress

    Contra Lula

    Em 2006, deu uma entrevista para o jornal Folha de S.Paulo criticando duramente o agora ex-presidente e ligando-o aos, na época, recentes escândalos políticos do país. "Eu não sou burro, nem maluco, então não vou votar nele. Não votei pela reeleição de Fernando Henrique, que nos deu de presente oito anos de esquerda marxista da USP. E como eu já estou com 64 anos e ele e Lula são a mesma coisa, eu acho que seria demais 16 anos com essa turma. Não sei em quem vou votar. Não gosto de votar nulo. Eu preferiria que Lula pelo menos não fosse eleito no primeiro turno", garantiu. "A esquerda é como torcida de futebol. As pessoas ficam cegas. Eu sou um simpatizante da esquerda por sede de harmonia, de dignidade e de Justiça. Mas vejo frequentemente que a esquerda é quem mais ameaça essas coisas que me levaram a me aproximar dela", refletiu

  • Rosane Bekierman/Folha Imagem

    Briga com Feliciano

    Em 2013, veio à tona um vídeo em que o deputado e pastor Marco Feliciano insinua que Caetano teria um pacto com o diabo. A réplica foi publicada em uma coluna do jornal O Globo, no qual Caetano afirmou: "É muita loucura demais. E muita desonestidade. Aprendi com meu pai os gestos da honestidade - e tomei o ensinamento de modo radical. Me enoja ver a improbidade. Feliciano sabe que eu nunca dei tal entrevista. Mas não se peja de impressionar seus ouvintes gritando que eu o fiz. Ele, no entanto, não sabe que eu jamais sequer mostrei qualquer canção minha à famosa ialorixá. Nem a Nossa Senhora da Purificação eu peço sucesso na carreira. Nunca pedi. Nem a Deus, nem aos deuses, e muito menos ao diabo. Decepciono muitos amigos por não ser religioso. Mas respeito cada vez mais as religiões. Vejo mesmo no cristianismo algo fundamental do mundo moderno, algo inescapável, que é o pano de fundo de nossas vidas. Mas não sou ligado a nenhuma instituição religiosa"

  • Reprodução/Instagram/paulalavigne

    Uso da crase

    Em 2015, o cantor divulgou um vídeo no qual dá uma bronca na equipe que cuida de suas redes sociais, dando uma aula em relação ao uso da crase. Explicando a união entre preposição e artigo que ocasionam o acento grave, ele cita o exemplo errado que foi postado em seu nome e mostra seu lado professor Pasquale para explicar a razão do mau uso da crase e quando, de fato, ela deve ser usada. "Eu não gosto desse erro. É um erro que eu acho idiota. Até os linguistas estimulam dizendo que não devemos ligar para a crase. Nada disso! Nada de deixar. Temos que saber português, saber trabalhar bem a língua portuguesa no Brasil e com responsabilidade"

  • Marlene Bergamo/FolhaPress

    A música salva

    Em junho de 2016, no tapete vermelho da 27ª edição do Prêmio da Música Brasileira, Caetano afirmou a importância de celebrar a música: "O Brasil tem uma história tão difícil e, quando aperta o cinto e o momento fica crítico para o país, através das décadas a música tem conseguido provar que é um ponto relativamente confiável da nossa história"

  • Reprodução/Instagram

    A favor da legalização das drogas

    Em março de 2017, depois que a produtora e esposa Paula Lavigne (à esquerda) postou fotos com cigarros de maconha, Caetano apareceu em um vídeo, gravado no Uruguai, falando sobre a droga. Ao ser indagado, durante a gravação, se é usuário, ele responde: "Não, Deus me livre. Tenho horror a maconha. A sensação que me provoca é péssima. Experimentei nos anos 60, mas odiei, detestei. Mas eu sou a favor da liberação e da legalização da maconha, aliás, de todas as drogas. Sou porque legalizado com imposto é melhor. Isso precisa de um amadurecimento da sociedade, eu até entendo, mas é um bom começo a maconha sair da turma das drogas pesadas, e passar a ser legal, sendo que o álcool é uma droga pesada e é legal", ponderou

  • Reprodução/TV Globo

    Contra a ditadura, a favor da arte

    Em outubro de 2017, durante uma passagem por Minas Gerais para visitar a exposição "Faça você mesmo sua Capela Sistina", no Palácio das Artes, Caetano criticou a censura em exposições artísticas em entrevista coletiva. No mesmo dia, ele havia lançado, ao lado de outros artistas, a campanha "342 Artes", contra o cancelamento da exposição "Queermuseu" e da performance "La betê", com um artista nu. "Tem alguns políticos querendo enganar o povo. Querendo chamar atenção. Em nenhuma dessas exposições que estão sendo discutidas não há nada que não seja tradição das artes, sobretudo das artes mais recentes", analisou. "Algumas pessoas podem estar enganadas, pensando que estão defendendo os bons costumes e a segurança da família, mas na verdade isso é um esboço de opressão. Se as pessoas aderirem a isso, a gente tem uma ameaça de situação opressiva e as pessoas vão ficar limitadas. Eu vivi o período da ditadura e não quero nada parecido com isso", afirmou ao defender a liberdade de expressão

  • Manuela Scarpa/Brazil News

    Opinião sobre religião

    Ainda em outubro de 2017, ele afirmou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que dois de seus filhos são evangélicos. "Zeca e Tom são cristãos. Moreno é religioso de modo abrangente: é do candomblé, atrai-se pelo hinduísmo, é católico franciscano e, tão ligado a Santo Amaro, não pode deixar de ser mariano. Eu não sou religioso. Mas não tenho medo da religiosidade dos meus filhos. Temos sempre conversas muito claras", disse. Contudo, não poupou os líderes das críticas: "De minha parte, não vejo o crescimento das igrejas evangélicas no Brasil como algo negativo. Nunca vi assim. Há um preconceito pseudo-chique contra os evangélicos com o qual eu nunca me identifiquei. Antes de Zeca e Tom nascerem eu já via programas evangélicos na TV e pensava que aquilo ia crescer e que poderia ganhar importância na caminhada do país. Isso não quer dizer que eu respeite qualquer mau-caráter que pregue alguma forma de fundamentalismo ou que use a religiosidade para dominar mesquinhamente as pessoas e para agredir outros grupos". Na imagem, ele aparece ao lado dos filhos Zeca (à esquerda), Moreno (ao lado direito de Caetano) e Tom (à direita)

  • Manuela Scarpa/Brazil News

    É golpe

    Em janeiro de 2018, ao conversar com a Carta Capital, o músico comentou sobre a juventude que tem usado verde e amarelo e batido panelas em protestos nos últimos tempos: "São jovens. Não são tão diferentes [daqueles que, durante a ditadura, lutavam pela democracia]. Podem estar de modo ingênuo contribuindo para organizações poderosas que os usam como peões. Quando vi aquela gente nas ruas de São Paulo no dia em que o grampo da conversa de Dilma com Lula saiu no Jornal Nacional, pensei: o golpe está dado. Mas as motivações que movem as muitas pessoas em tantas direções são complicadas e merecem atenção cuidadosa". Na mesma entrevista, ele opinou sobre a retirada de Dilma Rousseff do poder: "Fui e sou contra o impeachment. Aquilo pôs a Lava Jato num lugar de alarme amarelo em minha cabeça"

  • Felipe Assumpção / AgNews

    Críticas às celebrações pela prisão de Lula

    Em abril deste ano, o cantor comentou as comemorações decorrentes da prisão do ex-presidente Lula com um post no Instagram, relatando a própria prisão durante o período da ditadura militar. "Ouvi foguetes no Leblon. Eu me sinto mal se penso que soltam foguetes porque um homem foi preso. Talvez porque eu já tenha sido preso. Não fico feliz nem de ver Eduardo Cunha preso. E olha que ele está a milhões de anos luz de ter sido o presidente do país que saiu do segundo mandato com 80% de aprovação, retirou milhões da miséria e botou o Brasil na capa da bíblia liberal da imprensa anglófona. Detesto a polarização, mas os soltadores de foguete de hoje quase me põem a alma numa dessas bolhas mesquinhas. Recuso-me", escreveu ele

  • Fausto Candelaria /AgNews

    BRT? Nem pensar!

    Em maio, Caetano publicou um vídeo em suas redes sociais criticando o projeto de construção de um BRT (via expressa para ônibus) em Salvador, na Bahia. A ideia seria concretizada pela administração do prefeito ACM Neto (DEM), derrubando, para isso, 154 árvores, retirando e replantando em novos locais outras 169 e ainda o fechando dois rios para dar lugar a um elevado. Ao defender uma "conversa boa, produtiva, responsável e corajosa" da prefeitura de Salvador com urbanistas e ambientalistas, o cantor pontuou: "Salvador precisa que se plantem árvore nela, não que se cortem árvores. Sem o avanço dessas discussões, não se pode aceitar que se cortem árvores centenárias e que se danifique a paisagem urbana de Salvador, por uma opção de progresso duvidoso"

  • Reprodução/Instagram/unsproduções

    Prefere Anitta e Ludmilla a Rihanna

    Ainda em maio deste ano, o cantor soltou o verbo na coletiva de imprensa para o lançamento do DVD com os filhos, "Ofertório". Ao falar sobre o que anda escutando em termos de música, comentou: "O Zeca [Veloso, filho de Caetano] me mostrou James Blake e eu fiquei muito impressionado. Kayne West também é bom, mas ele falando é chato pra caramba. Ele fica três horas falando, é pior do que eu, e só fala besteira. Eu não falo besteira, eu só falo", opinou. O baiano ainda aproveitou para falar sobre suas preferências nacionais e citar as cantoras do momento: "Mesmo na época do tropicalismo, o Gil [Gilberto Gil] gostava de pensar em 'Strawberry Fields Forever', dos Beatles, e eu gostava de pensar em Roberto Carlos. Eu gosto da imitação brasileira do pop de língua inglesa. Sabe, eu adoro Rihanna, mas tenho muito mais interesse em Anitta (à direita) e Ludmilla. É um negócio do Brasil"

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