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Entenda por que o céu é azul e outras curiosidades sobre o cosmos

Celina Cardoso

Do BOL, em São Paulo

2019-02-13T10:08:04

2019-02-15T16:52:33

13/02/2019 10h08Atualizada em 15/02/2019 16h52

Em 2019, a astronomia, ciência que estuda os corpos celestes e os eventos que acontecem fora da atmosfera terrestre, comemora um século de descobertas. A seguir, o professor Roberto Costa, do departamento de Astronomia do IAG/USP (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo), ajuda a entender por que o céu é azul, o que é estrela cadente e outros fenômenos do cosmos.

  • Daniel Nunes Gonçalves/UOL

    Por que o céu é azul?

    A luz do Sol, na verdade, é branca, formada pela mistura de sete cores: violeta, azul, anil, verde, amarelo, laranja e vermelho. E, quando a luz entra na atmosfera da Terra, que é composta por uma mistura de gases, sendo 80% nitrogênio e 20% oxigênio, a cor azul é mais bem refletida que as outras seis por esses dois gases, então ela se espalha pela atmosfera da Terra.

  • Adobe Stock

    Por que o céu fica alaranjado quando o Sol se põe?

    O laranja é uma das cores que compõem a luz branca do Sol, assim como o violeta, o anil, o verde, o amarelo, o vermelho e o azul, que é refletido melhor pelos gases de maior presença na atmosfera, o nitrogênio e o oxigênio. Mas, quando o Sol se põe, "a luminosidade dele atravessa uma camada mais espessa da atmosfera da Terra, onde sua luz alaranjada passa com mais facilidade, deixando-o desta cor", conta o professor Roberto Costa. Além disso, essa luz alaranjada é refletida nas nuvens e nas partículas de poeira presentes na atmosfera terrestre, tornando o céu alaranjado.

  • ESO/VLT

    O cintilar das estrelas é ilusão

    As estrelas não cintilam, ou seja, o brilho delas não oscila. O cintilar que vemos aqui da Terra é um efeito que a luz delas sofre quando entra em nossa atmosfera. "A cintilação das estrelas é o efeito da turbulência da atmosfera da Terra, como vento e poluição, sob a luz que elas emitem, fazendo com que pareça que elas cintilam", diz o professor.

  • Wikimedia Commons

    Observatórios

    "Os observatórios astronômicos profissionais devem ficar em locais secos, fora de centros urbanos e idealmente a mais de 2 mil metros acima do nível do mar - onde fica a chamada camada de inversão atmosférica - porque a maioria das nuvens se formam abaixo desse nível", diz Costa. O deserto do Atacama, no Chile, concentra diversos observatórios porque reúne essas características, assim como o monte Mauna Kea, no Havaí, localizado 4 mil metros acima do nível do mar.

  • Nasa/SDO

    Sol, uma usina de energia

    O Sol nasceu há 4,57 bilhões de anos e deu origem a todo o Sistema Solar, que depende de sua energia para se manter. Essa energia vem de uma atividade que ocorre no núcleo do Sol, chamada fusão nuclear, um processo no qual o núcleo de dois ou mais átomos - a menor fracção de um elemento químico - se funde um com o outro, dando origem a mais um. "No núcleo do Sol acontece a transformação de quatro átomos de hidrogênio em um átomo de hélio. Esse processo libera uma quantidade muito grande de energia na forma de radiação eletromagnética, ou seja, luz, que fornece energia para todo o Sistema Solar", explica o professor Costa.

  • Arte/UOL

    As quatro estações

    As estações do ano são determinadas tanto pela órbita da Terra em torno do Sol, quanto pela inclinação do eixo terrestre em relação a esse movimento. O professor Costa explica: "Imagine que o eixo do Sol está alinhado em um ângulo reto ao plano de uma mesa, e a Terra está girando em torno dele. Contudo, enquanto gira, o eixo da Terra não está alinhado à mesa como o Sol, mas apresenta uma inclinação de 23,5° em relação ao plano da mesa".

  • Getty Images

    Estrela cadente

    Este é apenas o nome popular para um fenômeno luminoso que acontece quando um corpo celeste entra na atmosfera da Terra. "As estrelas cadentes são fragmentos de rocha que entram na alta atmosfera terrestre e queimam por conta do atrito causado pela queda", desmistifica Costa.

  • Nasa/JPL-Caltech

    Meteoro, meteorito e asteroide

    "Meteoro é uma rocha que entra na atmosfera terrestre. Meteorito é o fragmento de meteoro que sobrevive à passagem pela atmosfera e chega ao chão. E asteroides são fragmentos de rocha que orbitam o Sol. Os asteroides podem medir metros ou quilômetros de diâmetro. Os maiores chegam a ter centenas de quilômetros e ficam no cinturão de asteroides, localizado entre Júpiter e Marte", diz o professor.

  • Divulgação/NAsa

    Meteoros podem colidir com a Terra?

    "Todos os dias caem meteoros ou meteoritos na Terra, sem exceção. Mas em geral eles são muito pequenos, de poucos centímetros, e se queimam totalmente por atrito na passagem pela atmosfera. Meteoritos muito grandes que causem danos são extremamente raros. A possibilidade de um desastre de grandes proporções causado por uma colisão de um asteroide com a Terra é bem remota. Os meteoros nos quais se enxergou esse perigo tiveram sua órbita mapeada. Hoje não se verifica um perigo real de isso acontecer", esclarece Costa.

  • Reprodução

    Estações diferentes, estrelas diferentes

    "As estrelas que a gente vê no céu de verão, como as Três Marias, não são as mesmas que a gente vê no céu de inverno, como as constelações de Escorpião e Sagitário, por exemplo, por conta da órbita da Terra em torno do Sol", conta o professor Costa.

  • R. Sahai/S. Meunier/ESA/Hubble/Nasa

    Azul é a cor mais quente

    Segundo o professor Costa, a cor das estrelas tem a ver com sua massa e sua temperatura. "Algumas são mais azuis porque têm massa e temperatura maiores, e outras são mais avermelhadas, com menos massa e menor temperatura", explica.

  • ESA/IPEV/ENEAA/A. Kumar & E. Bondoux

    Auroras boreal e austral

    Auroras boreal e austral são fenômenos luminosos que acontecem nos Polos Norte e Sul da Terra e deixam o céu com tons de verde, uma das cores que compõem a luz branca da Sol, ao lado do azul, do anil, do violeta, do verde, do amarelo e do laranja. "Auroras são o efeito da interação de partículas carregadas emitidas pelo Sol com o campo magnético da Terra. Essas partículas colidem com os átomos da alta atmosfera e produzem uma luminosidade em tons de verde. As auroras só são vistas próximas dos polos terrestres justamente porque o campo magnético terrestre desvia para as regiões polares essas partículas carregadas", afirma Costa.

  • Wikipédia

    Corrida espacial

    "Quando Neil Armstrong pisou pela primeira vez na Lua, em 1969, todos acreditavam que até o final do século 20 haveria gente morando em Marte. A China pretende estabelecer uma base na Lua e o governo dos Estados Unidos pretende enviar uma missão tripulada a Marte. Atualmente, fala-se que esses dois projetos devem acontecer entre 2030 e 2040. Mas esses prazos são vagos e podem mudar por conta de trocas de prioridades", diz Costa.

  • Divulgação

    Lua, a saída ideal para o espaço

    "A porta de saída ideal para a exploração tripulada do Sistema Solar é a Lua porque lá não há atmosfera e a gravidade é muito menor, o que favorece a decolagem. Já se sabe também que na Lua há gelo. Gelo é água, composição química H2O, que tem combustível, hidrogênio e oxigênio, o gás que o ser humano respira", explica o professor Costa.

  • CNRI/SCIENCE PHOTO LIBRARY

    Vida extraterrestre

    "Estatísticas dizem que as condições de vida que existem na Terra podem existir em outros lugares. Há traços de que em Marte já houve rio, mas não se sabe o que se passou por lá e deixou o planeta como ele é hoje. A Terra tem cerca de 4,57 bilhões de anos, assim como o Sol. Por mais de 2 bilhões de anos o planeta só teve vida microscópica. Só há um bilhão de anos é que surgiu vida multicelular no nosso planeta", explica Costa.

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