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Entenda como a Venezuela chegou ao ponto de barrar ajuda humanitária

Colaboração para o BOL

24/02/2019 12h51

Neste sábado, 23/2/2019, conflitos violentos marcaram a tentativa de entrada de ajuda humanitária para a Venezuela nas fronteiras com o Brasil e com a Colômbia, levantando a questão: por que um país rejeita ajuda internacional sabendo que sua população está passando fome? A resposta não é simples, e ajudamos a esclarecer o assunto nestas 10 questões.

  • Reuters

    Por que a Venezuela está recusando ajuda internacional?

    Resumidamente, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, rejeita receber ajuda humanitária porque considera que isso seja um pretexto para uma intervenção militar dos Estados Unidos, ávidos pelo petróleo venezuelano. Enquanto isso, a população sofre com a hiperinflação e o desabastecimento causados, segundo os opositores, pela sua má gestão à frente do governo nos últimos seis anos. Maduro prefere administrar a crise a abrir mão da soberania do país que acha estar em risco

  • AFP

    Quem pediu ajuda internacional?

    Para resolver o problema do desabastecimento interno, onde faltam alimentos, remédios e itens de primeira necessidade, o presidente interino Juan Guaidó pediu ajuda humanitária internacional e garantiu sua entrada em território venezuelano. Porém Guaidó não tem apoio dos militares para garantir o acesso às fronteiras com Brasil e Colômbia, o que resultou nos conflitos desta semana

  • Reprodução/The Independent

    Por que aconteceu a crise de desabastecimento?

    Maduro e seus aliados atribuem o desabastecimento às barreiras comerciais e ameaças impostas pelos Estados Unidos a quem tentar ajudar o país. Os opositores atribuem toda a responsabilidade pelo problema à má gestão de Maduro

  • Reprodução/Político

    Por que a Venezuela tem dois presidentes?

    Nicolás Maduro foi eleito para seu segundo mandato em maio de 2018, mas a oposição boicotou a eleição, gerando uma abstenção às urnas de 54%, o que fez de Maduro um presidente eleito com 75% de rejeição da população. No dia seguinte, o presidente americano, Donald Trump, proíbiu cidadãos de seu país a investir na Venezuela. A partir daí, diversos países começaram a anunciar sanções econômicas contra a Venezuela - que na prática já vinham ocorrendo desde o ano anterior -, até que o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos - OEA, declarou não reconhecer Nicolás Maduro como presidente da Venezuela. Finalmente, Maduro toma posse em 10 de janeiro de 2019. Em 23 de janeiro, o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó (foto), se autoproclamou presidente da Venezuela, piorando a crise política do país. Para que um presidente assuma suas funções, é convencionado que ele precisa ser reconhecido pela comunidade internacional. Apenas 30 minutos após a autodeclaração de Guaidó, os Estados Unidos o reconheceram como mandatário da Venezuela. Em seguida, Canadá, Brasil, Colômbia e Peru reconheceram o novo presidente interino. Maduro continua como presidente "oficial", com apoio das forças armadas e de parte da população

  • Reprodução/Vox

    EUA x Venezuela: o que está em jogo?

    Os Estados Unidos acreditam que precisam garantir a democracia na Venezuela propondo o fim da ditadura de Nicolás Maduro. Por outro lado, Maduro tem convicção de que os EUA só estão interessados em abocanhar o petróleo venezuelano. O país tem a maior reserva petrolífera do mundo, mas está enfrentando dificuldades para sua extração e posterior abastecimento do mercado internacional

  • Reprodução/Andre Coelho/Bloomberg

    Por que a população está fugindo da Venezuela?

    Segundo a ONU, desde 2015, três milhões de pessoas deixaram o país espontaneamente devido à violência, à escassez de alimentos e remédios e à hiperinflação. Os principais destinos dos venezuelanos são Colômbia, Peru, Equador e Brasil

  • Reprodução/NBC News

    Por que a Venezuela está em crise?

    É preciso contar um pouco da história recente do país para explicar a crise. Até o final do século 20, a Venezuela era um dos países mais ricos e estáveis do continente graças, principalmente, à exploração de petróleo. O país havia sido governado durante 40 anos por um pacto entre os três principais partidos políticos, mas desde 1989 o pacto deixou de contar com o apoio popular devido à corrupção, às medidas de austeridade implantadas pelo presidente Carlos Andrés Perez e à redução dos dividendos do petróleo. Nesse cenário, o tenente-coronel do Exército Hugo Chávez, crítico do neoliberalismo e da política externa dos Estados Unidos, tentou aplicar um golpe de estado em 1992. Malsucedido, criou um movimento de esquerda que o ajudou a se eleger presidente em 1998. Seu governo foi de grande popularidade, com inclusão social e redução da pobreza, garantindo sua reeleição nos pleitos de 2000, 2006 e 2012. Deputados chavistas conquistaram a maioria no Congresso e, inconformados, os líderes da oposição boicotaram as eleições parlamentares, com o intuito de deslegitimizar os deputdos eleitos. A manobra não surtiu o resultado esperado, fazendo com que Chávez passasse a governar com a totalidade da Assembleia Nacional. Com o poder centralizado, Chávez passou a adotar medidas nacionalistas e de integração sul-americana, sendo acusado de perseguir adversários políticos e de implantar uma ditadura popular. Hugo Chávez governou sob preceitos socialistas, ou bolivarianos, até o final de 2012, quando já havia sido eleito para um quarto mandato, mas teve de se afastar por motivos de saúde, e morreu em março de 2013, em decorrência de um câncer. Seu vice, Nicolás Maduro, assumiu a presidência interinamente e convocou novas eleições, sendo ele mesmo eleito em abril de 2013, com pouco mais da metade dos votos. Maduro começou seu governo com medidas para o controle de armas e inaugurando moradias populares, além de cultuar a imagem do presidente morto Hugo Chávez, atingindo altos índices de popularidade. A partir de 2015, Maduro perde o controle da economia e o país entra em crise econômica. A área política também vai mal, com a oposição tentando destituir Maduro por um plebiscito em 2016, que acabou não acontecendo. Em janeiro de 2017, a Assembleia Nacional, já dominada pela oposição, tentou tirar Maduro do poder alegando "abandono de cargo", mas o ato foi considerado uma tentativa de golpe parlamentar e não deu certo. Desde então, Maduro tem governado por decretos, já que não consegue aprovar projetos na Assembleia Nacional, e a situação econômica do país se deteriorou ao ponto de faltar comida e papel higiênico nos supermercados. Maduro passou a ser criticado também por políticos do exterior e de sua própria base. O governo passou a reprimir protestos com violência e houve denúncias de tratamento desumano a detidos nessas manifestações. A comunidade econômica internacional acredita que a solução para a crise do país está em abandonar o controle de preços, unificar as múltiplas taxas de câmbio e o fim do subsídio à gasolina, que a torna uma das mais baratas do mundo

  • Reprodução/Rick Bajornas/ONU

    Como a Venezuela está se virando para comprar remédios?

    Condenando o oferecimento de ajuda pelos Estados Unidos, o governo de Nicolás Maduro já recorreu à ONU e à União Europeia em busca de recursos para adquirir remédios e alimentos para a população. A Europa ofereceu "assistência técnica" para conseguir os suprimentos, e Maduro fez uma solicitação de 2 bilhões de dólares para medicamentos e equipamentos médicos. Além disso, a Venezuela anunciou o recebimento de 7,5 toneladas de medicamentos e equipamentos da Rússia a fim de não deixar a população desassistida. A imagem mostra o presidente venezuelano Nicolás Maduro e o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, em novembro de 2018

  • Gabriela Biló/Estadão Conteúdo

    Qual o posicionamento do Brasil em relação ao governo da Venezuela?

    Um comunicado do Ministério das Relações Exteriores sobre os atos violentos de 23/2/2019 dá o tom do relacionamento do atual governo brasileiro com a gestão de Nicolás Maduro. A nota classifica que a violência foi causada pelo "regime ilegítimo do ditador Nicolás Maduro" e atribui a rejeição da ajuda humanitária ao "caráter criminoso do regime Maduro". Em governos anteriores, a relação era de amizade entre os dois países. Na foto, o chanceler brasileiro Ernesto Araújo

  • Tomaz Silva/Agência Brasil

    O Brasil pode entrar em guerra contra a Venezuela?

    Boatos espalhados pela internet falam que os Estados Unidos estão forçando Brasil e Colômbia a entrarem em guerra contra a Venezuela em revide ao fechamento das fronteiras, mas nada existe de concreto nesse sentido. Guerra é um recurso extremo, caro e prejudicial para todos os envolvidos. Perguntado sobre o assunto, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que o Brasil só entraria numa guerra se fosse atacado, mas não acredita que a Venezuela chegue a esse ponto. Analistas políticos são da mesma opinião, e acreditam que as chances de conflito são mínimas. O Exército Brasileito tem intensificado o controle na fronteira com a Venezuela desde que aumentou o fluxo migratório daquele país

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