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10 fatos que agitaram a indústria automotiva brasileira nos últimos 10 anos

 Funcionários da Ford protestam contra fechamento da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) - MARCELO GONCALVES/SIGMAPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Funcionários da Ford protestam contra fechamento da fábrica de São Bernardo do Campo (SP)
Imagem: MARCELO GONCALVES/SIGMAPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
do UOL

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

01/01/2020 04h00

A indústria automotiva passou por altos e baixos nos últimos 10 anos. Ainda sob os efeitos da animação causada pelos sucessivos recordes de produção de automóveis no fim dos anos 2000, as montadoras investiram pesado e anunciaram planos ousados, que nunca se concretizariam.

Aí veio a crise que abalou as estruturas do setor e causou cortes e mais cortes. O furacão ainda não passou totalmente, mas as montadoras já sinalizam com dias melhores, ainda que a recuperação vá levar alguns bons anos.

De toda maneira, o setor viu alguns momentos importantes que estão listados logo abaixo. Confira!

Fatos que marcaram a década no Brasil

  • O começo da crise (2011)

    A indústria automotiva vivia um sonho no começo da década. As vendas de 2010 registraram recorde pelo quarto ano consecutivo, com 3,5 milhões de automóveis emplacados, um aumento de 11,91% em relação a 2009. O Salão do Automóvel de 2010 foi um dos maiores da história, e até as importadoras tinham motivos para comemorar. A crise internacional, porém, atingiu o Brasil no final de 2011, quando houve uma grande desaceleração nas vendas de veículos e o aumento de 30 pontos percentuais no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Um alento surgiu quando a indústria cresceu 9,9% em 2013, mas o setor desceu ladeira abaixo nos anos seguintes. Resultado: em 2016, as vendas e produção de carros caíram quase pela metade em apenas quatro anos. A recuperação veio apenas em 2017, especialmente por conta do recorde de exportações, e o setor voltou a crescer desde então.

  • Murilo Góes/UOL

    O auge e o declínio dos chineses (2011)

    As chinesas começaram a se aventurar no mercado brasileiro ainda em 2008, quando Lifan e Hafei participaram do Salão do Automóvel daquele ano. O auge aconteceu na edição seguinte, quando 9 empresas expuseram em oito estandes: Chery, JAC, Effa, Lifan, Chana, Haima, Hafei, Brilliance e Jinbei. Só que o aumento de 30% no IPI acabou com os planos da maioria das chinesas. Das oito empresas que já venderam carros no Brasil, apenas Lifan, JAC e Chery permanecem com atividades regulares no país. E a história poderia ser ainda pior se não fosse o grupo Caoa, que em 2017 adquiriu 50% das operações da empresa no Brasil e deu uma guinada na marca sob o nome de Caoa Chery.

  • Divulgação

    JAC Motors e a fábrica que nunca existiu (2011)

    Por muito tempo a JAC despontou com a marca chinesa mais promissora no mercado brasileiro. Representada pelo empresário Sérgio Habib (o mesmo que trouxe a Citroën para o país), a empresa estreou no Brasil em 18 de março de 2011, quando inaugurou 28 das 80 concessionárias prometidas para aquele ano - totalizando investimento de R$ 210 milhões nas lojas. Além disso, Habib injetou R$ 145 milhões em campanhas de marketing. Investiu pesado com várias inserções na televisão e contratou até o apresentador Fausto Silva para ser garoto-propaganda. A marca projetava vender 35 mil carros por ano, mas o aumento de 30% no IPI derrubou as vendas da empresa, que havia até prometido construir uma fábrica no país, algo que até hoje não aconteceu. Hoje a JAC aposta nos veículos elétricos e tem vendas muito mais tímidas.

  • Divulgação

    Marcas de luxo com fábricas no Brasil (2014)

    O Inovar-Auto foi decisivo para os planos das marcas que vendiam carros importados no país. Diante da promessa de incentivos para produção local (e de impostos de importações ainda mais altos), as empresas decidiram fazer carros no Brasil. A BMW foi a primeira montadora a abrir fábrica no país, em Araquari (SC), no fim de 2013. Em 2015, a Audi retomou a produção em São José dos Pinhais (PR), na mesma fábrica onde já fabricou a primeira geração do A3 até 2006. Já a Mercedes-Benz abriu sua planta em Iracemápolis (SP) em março de 2016, meses antes da inauguração da fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ), realizada em junho do mesmo ano.

  • J. Scott Applewhite/AP

    O megarecall dos airbags mortais da Takata (2015)

    O problema nos airbags da Takata já era conhecido muito tempo antes de a empresa admitir a falha em 2015. Mais de 30 milhões de veículos saíram de fábrica com as bolsas infláveis defeituosas no mundo inteiro. O maior recall da história também teve reflexos no Brasil, onde estima-se que quase 3,5 milhões de veículos precisam ser reparados.

  • John MacDougall/AFP

    O escândalo do dieselgate chega ao país (2015)

    A VW se envolveu no maior escândalo de sua história em 2015, quando admitiu ter equipado mais de 11 milhões de carros com um software para burlar testes de emissões de motores a diesel. O caso chegou ao Brasil em outubro daquele ano, quando a empresa reconheceu que 17.057 unidades da Amarok tinham o equipamento ilegal. A montadora fez o recall apenas em 2017 e recebeu multas que, juntas, passam de R$ 65 milhões.

  • Marcos Camargo/UOL

    Carros elétricos começam a ganhar o Brasil (2018)

    O carro elétrico ainda é uma incógnita até nos países que possuem maior frota e melhor infraestrutura do que o Brasil. Por aqui, o BMW i3 era a única opção 100% elétrica no mercado desde 2014. Foi só a partir de 2019 que os modelos movidos a eletricidade (não estamos considerando os modelos híbridos) vieram para cá em maior volume. Atualmente, além do i3, Nissan Leaf, Renault Zoe, JAC iEV40 e Chevrolet Bolt estão no mercado nacional.

  • Leonardo Benassatto/Reuters

    GM ameaça deixar o Brasil (2019)

    Foi no começo deste ano que o presidente da GM, Carlos Zarlenga, enviou um comunicado aos empregados no qual sinalizava a possibilidade de deixar o país. Diante da evidente preocupação dos funcionários, o executivo se pronunciou e reclamou da falta de incentivos para empresas que investem no país. No fim das contas, a montadora conseguiu fazer acordos com fornecedores e o governo de SP (que prometeu abatimento de até 25% no ICMS), e anunciou um investimento de R$ 10 bilhões pelos próximos cinco anos.

  • Divulgação

    Crise na Ford fecha fábrica no ABC (2019)

    O ano de 2019 marcou o fechamento de uma das fábricas mais antigas do país. A Ford anunciou em fevereiro o fim das atividades em São Bernardo do Campo, onde eram produzidos caminhões e o hatch Fiesta. No total, 1.350 pessoas foram demitidas e o último caminhão deixou a linha de montagem em outubro. Apesar das promessas, até agora nenhuma empresa comprou a fábrica de 52 anos.

  • Murilo Góes/UOL

    O lançamento do carro híbrido flex (2019)

    Se a estreia do primeiro carro bicombustível do mundo foi um dos fatos marcantes dos anos 2000, esta década teve o lançamento do primeiro veículo híbrido flex do planeta. O Toyota Corolla trouxe a novidade juntamente com sua 12ª geração, que é fabricada em Indaiatuba (SP). A tecnologia foi desenvolvida pela empresa por mais de um ano juntamente com universidades do Brasil e chegou a ser testada em um Prius, mas acabou sendo adotada no sedã mais vendido da marca japonesa no país.

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