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Presidente do Fluminense explica demissão de Diniz: 'Rompimento doloroso'

Mário Bittencourt, presidente do Fluminense, em entrevista coletiva - Lucas Merçon / Fluminense
Mário Bittencourt, presidente do Fluminense, em entrevista coletiva Imagem: Lucas Merçon / Fluminense
do UOL

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

25/06/2024 12h24

O presidente do Fluminense, Mário Bittencourt, concedeu entrevista coletiva na manhã desta terça-feira (25), dia seguinte à demissão do técnico Fernando Diniz.

Estávamos tentando encontrar o caminho, mas não há nada mais importante que o Fluminense. Tentamos resgatar a performance para voltar a vencer e ver a torcida parar de sofrer. Precisamos tomar a decisão, sabendo que seria um rompimento doloroso Mário Bittencourt

O que mais ele falou

Motivos para a demissão: "Acreditávamos que iríamos retomar performance e, consequentemente, os resultados. Não existe número de derrotas ou avaliação de um jogo específico. O trabalho vinha sendo analisado. Estávamos classificados na Libertadores, Copa do Brasil, e mal no Brasileiro, mas ainda no início. Acreditávamos que poderia voltar a ter performance. Já era meio ano tentando reencontrar um elo, e isso conversávamos no dia a dia. Chega um momento que, no futebol, tem o trabalho, o dia a dia, performance e resultado.

Tentamos resgatar a performance, precisávamos ver caminhos para o time voltar a vencer e parar de ver a torcida sofrer, sangrar. A gente sofre também. Foi uma decisão difícil, sabendo que seria um rompimento doloroso. A vida é feita de rompimentos dolorosos. Neste momento, era preciso romper. A que tem de ficar é o que a gente construiu".

Renovação até 2025 anunciada há três meses. "Quando comandamos uma instituição, um clube, uma empresa, não importa, toma as decisões baseadas em conceitos que tem. No caso, quando fizemos o alongamento do contrato até o final de 2025, ela foi baseada naquilo que a gente acredita, que é tentar dar longevidade ao trabalho aos treinadores do Fluminense.

A renovação foi feita até o fim do meu mandato porque acreditava que o trabalho voltaria a dar os resultados que a gente vinha tendo. Se o contrato não fosse por tempo determinado, poderíamos ter perdido ele durante a Libertadores. Se, naquele momento, fosse contrato por prazo indeterminado, qualquer poderia ter tirado. A multa é um resguardo para os dois lados. para o clube não perder o treinador e para o treinador se o trabalho for paralisado. Quando discutimos a saída, negociamos um acordo para redução da multa e o parcelamento dela".

Novo treinador: "O futebol tem algumas nomenclaturas antigas, "interino, auxiliar permanente", mas o que temos aqui é um técnico permanente do Fluminense, que é o Marcão. O Marcão é um técnico muito qualificado, competente, estudioso. Tem todas as licenças e resultados importantes aqui no Fluminense.

Há um acordo para não assumir, veio para ser um cara importante nestes momentos do Fluminense. Por que sempre se efetiva o Marcão após saídas de treinadores? Porque é um trabalho diário de treinador, junto com o treinador que está aqui. Em todas as vezes que conversamos, ele sempre falou que a função é ser técnico permanente do clube.
Não conversamos com técnico algum ou estafe de técnico. Não trabalhamos assim. A tendência é que o Marcão siga. As coisas podem mudar? Podem, como há um mês e três dias anunciei a renovação do treinador e hoje estou falando da saída dele".

Torcida: "Sei que o torcedor está sangrando, que está pedindo promoção. Para o jogo de quinta, eu não consigo. Mas estou prometendo para o jogo contra o Inter. O time está precisando de ajuda, de carinho. Eles estão se dedicando demais. O nosso choro ontem não foi só porque a gente se despediu, mas porque sabemos que não estamos entregando o que o torcedor merece".

Perfil do elenco: "A gente monta elenco de acordo com o treinador. Por isso, tentamos manter o maior tempo possível. A maioria dos jogadores terminam contrato no final de 2024, 2025. Nenhuma decisão é tomada assim: "eu quero esse jogador". O time foi montado com a indicação ou a aceitação do treinador. Agora, não adianta olhar a sequência de derrotas e achar que o trabalho não foi bem feito. Ganhamos uma Libertadores e Recopa. Nenhum time é vitalício. Uma das ideias de manter o Marcão são as peças que ele já conhece. Se ele quiser jogar de outra forma, já conhece as peças. Não significa que vai dar certo sempre, mas tentamos minimizar as chances de dar errado. [Marcão] Conhece os 35 jogadores".

Reforços: "Estamos olhando o mercado. Hoje, não temos propostas por André e Arias. Às vezes, a proposta vem por três dias. Ano passado, o Arias recebeu uma proposta de um clube russo, que era boa para o Fluminense, e o jogador não quis ir. Se chegar outra proposta que ele tenha o desejo de ir, e não for tão boa para o Fluminense, o desejo do jogador, normalmente, prevalece. Isso aconteceu outras vezes, como quando o Kayky foi para o [Grupo] City. Vamos olhar a janela. Vai depender muito se não tivermos proposta por Arias e André, vamos ter o time da Libertadores e com o Thiago Silva. Estamos atentos para procurar jogadores imaginando uma possível saída. É monitoramento. Mas a gente precisa esperar o baralho mexer. Este ano a tendência é que a gente venda o André. Conseguiríamos no mercado um substituto à altura? Talvez, teria que gastar o mesmo valor"

Diniz não teve força máxima do time. "A dificuldade que estamos passando fazem parte de um conjunto. Não é um fator que faz o Fluminense jogar mal. Estamos há seis meses procurando o que está nos atrapalhando. Tivemos um mês a menos [de pré-temporada], lesões do Cano, do André... A maioria saiu por problemas que não foram musculares, foram de impacto. Só reclama de calendário quem está nas grandes competições. Nesse momento, temos um jogador importante na seleção da Colômbia, o André machucado, o Thiago [Silva] só pode jogar em julho. O time nunca teve força total nos últimos seis meses, mas achávamos que poderia estar melhor, mesmo com todas essas dificuldades. Não para estar entre os quatro melhores, mas melhor do que a gente está".

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