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Diniz vai de seleção e Mundial à demissão no Fluminense em seis meses

Fernando Diniz passou pela seleção e deixou o Fluminense seis meses após o Mundial de Clubes - Jorge Rodrigues/AGIF
Fernando Diniz passou pela seleção e deixou o Fluminense seis meses após o Mundial de Clubes Imagem: Jorge Rodrigues/AGIF
do UOL

Do UOL, no Rio de Janeiro

24/06/2024 14h45

Um intervalo de seis meses separa o Fernando Diniz técnico da seleção e na final do Mundial de Clubes com o Fluminense para o, agora, demitido treinador do tricolor.

Por mais consistente que tenha sido o modelo de jogo no Flu campeão da Libertadores, com um jeito característico de tratar a bola, a fórmula se esgotou em 2024 e a diretoria achou por bem interromper o trabalho.

Diniz deixou o Flu como lanterna do Brasileirão, apesar de classificado às oitavas de final da Libertadores.

Na seleção, a saída dele se deu, de forma antecipada, com o Brasil na sexta posição das Eliminatórias. Colocação incômoda, ainda que dentro da zona de classificação para o Mundial de 2026.

Os últimos momentos de brilho

Diniz chegou a ser elogiado por Pep Guardiola, adversário na final do Mundial — deu 4 a 0 para o Manchester City.

E por mais que na seleção houvesse quem tratasse a proposta de jogo como interessante, o trabalho jamais engrenou.

Era um contrato de um ano (até julho de 2024), enquanto a CBF buscava Carlo Ancelotti. A solução emergencial não deu certo e muito menos o plano de tirar o italiano do Real Madrid. A vira dupla entre clube e seleção acabou em janeiro.

Com Diniz, a seleção perdeu pela primeira vez um jogo de Eliminatórias em casa. E logo para a Argentina, no Maracanã. Em seis jogos, foram duas vitórias, um empate com a Venezuela e derrotas para Uruguai e Colômbia, além dos argentinos.

Os problemas na seleção, até então, contrastavam com um Fluminense vencedor. A vitória inédita na final da Libertadores, sobre o Boca, no Maracanã, colocou Diniz no panteão do Flu.

Mas 2024 chegou e o trabalho degringolou.

O trabalho ruiu

As derrotas para o Flamengo nas semifinais do Carioca, com produção ofensiva quase nula, foram um alerta.

O que era uma questão física, por causa das férias esticadas em decorrência da participação no Mundial, virou uma crise técnica e tática da qual Diniz não conseguiu mais tirar o Fluminense.

Curiosamente, um dos piores jogos, totalmente ao avesso da filosofia de Diniz, foi a vitória sobre o Colo Colo, na Libertadores. O time tomou um amasso e achou um gol improvável com Manoel.

A mescla entre juventude e experiência deixou de brilhar. O artilheiro Germán Cano, por exemplo, está irreconhecível. André se machucou. Arias está com a seleção.

A saída de bola a partir da defesa (seja com goleiro ou zagueiro mais recuado) gerou gols adversários. E a contrapartida do risco, que é a geração de jogadas bem construídas no ataque, sumiu.

Nesse contexto, a saída de Nino abriu uma lacuna que não foi preenchida. Tanto na saída de bola, quanto na recuperação das jogadas em velocidade, bolas longas e lances de bola parada. Thiago Silva certamente vai amenizar isso. Mas ele ainda nem estreou por causa da abertura da janela e já vai ter chefe novo.

As contratações do Flu neste ano também não vingaram sob a tutela de Diniz. Trata-se de um estilo de jogo único, que alguns têm dificuldade de se adaptar — era uma questão pertinente até na seleção, com a turma do primeiro escalão. Os treinos são longos, de 2h para cima.

Quando confrontado nas coletivas, Diniz foi reativo algumas vezes para defender seu ponto de vista. Mas as variações na formação não surtiram efeito.

A renovação contratual de Diniz com o Fluminense foi anunciada há cerca de um mês. O time já não estava um primor. Mário Bittencourt cumpriu, inicialmente, a promessa de estender o contrato do técnico até o fim do seu mandato na presidência do clube, em dezembro de 2025.

Só que a derrota por 1 a 0 para o Flamengo foi a gota d'água. A torcida já tinha xingado o treinador, exibido faixas na arquibancada e pichado o muro das Laranjeiras com "Fora, Diniz".

A lanterna do Brasileirão é uma realidade dura, enquanto há concorrentes se distanciando, mesmo ainda na 11ª rodada.

"Não sou eu que me demito e me contrato. Não vou ter medo de ser demitido", disse Diniz, na última coletiva.

O trabalho autoral de Fernando Diniz vai ter que continuar em outro lugar. E o Fluminense vai tentar sair do buraco com Marcão.

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