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Estádio, controle e Landim: o que sabemos sobre a SAF do Flamengo

O Flamengo está cada dia mais próximo de tirar do papel o sonho do estádio próprio. Para o presidente do clube, Rodolfo Landim, o modelo ideal para construção seria a SAF, embora admita usar outros mecanismos. No entanto, o assunto tornou-se alvo de preocupação nos corredores da Gávea.

Se Landim é totalmente favorável ao projeto, oposição e até aliados se movimentam contra. Alguns veem com "zero chance" de passar, pois a maioria não concorda. Grupos de conselheiros fizeram uma proposta de emenda "para evitar insegurança jurídica no eventual processo de modificação" do Flamengo nesse tema. Eles já conseguiram mais de 50 assinaturas necessárias.

Mas o que jám se sabe sobre a SAF? O UOL mostra.

Por que Landim quer a SAF?

Rodolfo Landim não esconde ser favorável à SAF. Ele, porém, quer em moldes diferentes das existentes no futebol brasileiro atualmente. O presidente tem se apoiado à ideia de que uma eventual venda de 25% de uma SAF rubro-negra com controle da associação permitiria que o clube erguesse o estádio próprio sem perder a competitividade no futebol e/ou aumentar a dívida com empréstimos.

O mandatário conversou com possíveis investidores de fora do Brasil. Ele afirma ter empresas interessadas. O modelo do Bayern de Munique é visto hoje como o ideal.

O modelo de SAF proposto também não permitiria que sócios-proprietários vendessem seus títulos como se fossem ações da empresa.

Landim teria participação na SAF?

O atual presidente do Flamengo afirma que, se necessário, assinaria um documento comprometendo-se a não ser CEO da eventual empresa. Ele, no entanto, quer seguir no clube e anunciou que é pré-candidato à presidência do Conselho Deliberativo.

A SAF teria controle no futebol?

Rodolfo Landim descarta qualquer cessão do controle do futebol que continuaria com o clube: "Claro que não", disse ao UOL, em dezembro de 2023.

O que dizem os possíveis candidatos?

Os candidatos da próxima eleição ainda não estão todos definidos, mas há três nomes despontando: Rodrigo Dunshee, apoiado por Landim, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, e Maurício Gomes de Mattos. Os três se manifestaram contrários a uma possível SAF no clube.

A maioria dos grupos políticos do Flamengo é contra a ideia da SAF. Landim já abriu o clube para palestras, fez estudos e visitou clubes europeus que podem ser modelo no assunto.

Quanto custaria um estádio?

A projeção atual da diretoria é que, entre terreno e construção, o Flamengo gastaria cerca de R$ 2 bilhões. Landim acredita que construir essa arena com recursos que não sejam obtidos a partir de uma SAF poderia levar o clube ao descrédito.

Por que não poderia ser feito um projeto de estádio com uma empresa separada?

Se fizéssemos uma empresa separada no estádio, o que acontece com essa empresa? Todo resultado econômico que esta empresa viesse a ter seria dividido entre o Flamengo e esse sócio. Um sócio que quisesse entrar no estádio, certamente entraria no estádio para ganhar dinheiro e para dividir o resultado econômico com o Flamengo. Já um sócio para participar de uma SAF, o que nós vimos no exemplo do Bayern de Munique, são empresas que têm interesse estratégico de estar naquilo. Desde que foi criada a SAF do Bayern, continua controlada pelo clube e tem três sócios Landim

Como seria a votação da SAF?

Esse é um tema que gera dúvida até entre os conselheiros. Para alguns, precisaria de maioria simples na Assembleia Geral (isto é, o conjunto dos associados com direito de voto). Outros acreditam que seria uma maioria simples somente no Conselho Deliberativo.

O que diz parecer da oposição?

A proposta de março deste ano sugere que o Conselho Deliberativo tenha a possibilidade de adequar o estatuto e criar regras mais rígidas para a aprovação de uma SAF, que precisaria ser votada na Assembleia Geral, com quóruns qualificados de deliberação e votação para aprovação.

O documento quer incluir que dirigentes eleitos e nomeados da associação que ocupem cargos no clube nos 36 meses precedentes à aprovação da SAF e constituição estejam impedidos de assumir quaisquer cargos de direção ou administração da nova sociedade por um período de seis anos.

Com relação aos quóruns, a decisão na Assembleia Geral seria aprovada por decisão de dois terços dos associados presentes. No entanto, seria necessária uma presença mínima de 60% da totalidade dos membros da assembleia geral.

A votação no Deliberativo só poderia ser aprovada por decisão de dois terços dos conselheiros presentes. Também haveria uma presença mínima de 60% dos membros do Conselho.

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