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"Perdido" devido à pandemia, 'Buchecha' admite que pode não lutar em 2020

Carlos Antunes, no Rio de Janeiro (RJ)

Ag. Fight

26/03/2020 08h00

A pandemia de coronavírus afetou todos os esportes ao redor do mundo. Campeonatos de futebol, basquete, tênis, eventos de MMA, entre outros, foram adiados por tempo indeterminado. Até os Jogos Olímpicos de Tóquio, marcados para julho deste ano, foram postergados. Como não poderia ser diferente, o jiu-jitsu também foi uma modalidade afetada pela doença e seus principais torneios estão sem data para acontecer. Principal estrela da arte suave, Marcus 'Buchecha' lamentou essa situação e admitiu que se sente perdido por não poder lutar e treinar normalmente.

Em entrevista exclusiva à reportagem da Ag.Fight, o faixa-preta e multicampeão da arte suave revelou que todos os campeonatos da modalidade foram adiados, principalmente o Mundial, que normalmente é realizado no fim de maio, na Califórnia (EUA). Com todas essas mudanças, o lutador admitiu que não sabe se vai competir em cima do tatame ainda este ano, já que pelo seu planejamento ele não costuma atuar em muitas competições.

"Nunca aconteceu na história. Até a Olimpíada mudou (de data). O Mundial já foi adiado, mas nem tem ideia de quando vai ser ainda. Não luto muitos campeonatos durante o ano. Só luto um ou dois no máximo. Me sinto meio perdido, sem saber o que fazer. É esperar e ver o que vai acontecer. Se (o Mundial) for no final do ano, não sei se vou lutar. Estamos todos no escuro", admitiu o recordista de títulos do Mundial da modalidade, com 13, incluindo na categoria pesadíssimo e no absoluto (divisão sem limite de peso), antes de lamentar nem poder ir à academia.

"É uma situação bem complicada. Como todo mundo tem que seguir as ordens do governo, das entidades de saúde, nenhuma academia está abrindo. Tanto de musculação, quanto de jiu-jitsu. É difícil. Não estou treinando faz um tempo. A preparação física a gente tenta como dá, mas sempre gostei de treinar forte, então fazer em casa e sozinho está complicado para mim. É rezar para isso tudo acabar logo", completou 'Buchecha', ao garantir que vai seguir todas as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e se manter dentro de casa.

Além de não poder competir normalmente, 'Buchecha' ainda lamentou também não poder dar seminários, uma fonte de renda constante para lutadores de jiu-jitsu, que rodam o mundo ensinando técnicas da modalidade. O faixa-preta ainda ressaltou que, com esse episódio, as academias também estão enfrentando uma crise, pois como muitos alunos não podem sair de casa, cancelam suas matrículas.

"Todos os seminários foram cancelados. Por enquanto os de julho ainda não, mas acho que serão também. Não temos ideia quando vai ficar tudo normal. Além dos seminários tem problemas maiores que são os donos das academias, já que muito aluno vem cancelando ou congelando os planos. Está todo mundo assustado. Isso afetou o mundo inteiro", analisou o atleta, antes pedir pela união da comunidade do jiu-jitsu neste momento.

"Cada um tem que fazer sua parte. Tem muito evento que quer ser o esperto na situação, porque não vai ter muita competição, então quer fazer um campeonato que vai ser o único, como já aconteceu nos Estados Unidos. Isso é negativo. Se todo mundo está fazendo, seguindo as normas e um não faz, vai ser criticado. A grande maioria está fazendo o certo, ficando em casa, sem treinar, já que é a solução que todo mundo achou, então só podemos acatar. Como não tem campeonato à vista, ninguém precisa ter pressa para treinar. Claro que todo mundo tem que se manter ativo, mas não precisa de preocupação. Acho que todo mundo está unido nessa causa dessa vez", completou.

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