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Entenda manobra financeira que motivou punição ao Manchester City

REUTERS/Darren Staples
Imagem: REUTERS/Darren Staples
do UOL

Do UOL, em São Paulo

14/02/2020 16h34

A Uefa anunciou na tarde de hoje (14) a suspensão do Manchester City de qualquer competição europeia por dois anos. Os detalhes da decisão são mantidos sob sigilo, mas a investigação do caso nasceu a partir do escândalo "football leaks", em novembro de 2018. Em resumo, o clube omitia a verdadeira origem do dinheiro que arrecadava: o valor contabilizado como patrocínio era, na verdade, do próprio dono do clube.

O dono do Manchester City é o xeque Mansour bin Zayed Al Nahyan, vice-primeiro ministro dos Emirados Árabes Unidos (EAU) e membro da família real de Abu Dhabi. Os e-mails vazados no "football leaks" e publicados pela revista alemã Der Spiegel sugerem que o patrocínio real da Etihad Airlines seria apenas 11% do que o balanço financeiro do clube inglês contabilizava. Algo que infringe a regulamentação do "fair play" financeiro no futebol europeu.

O drible financeiro funcionava como um "troco". A Etihad, uma companhia aérea dos EAU, depositava ao City 67,5 milhões de libras esterlinas todos os anos (quase R$ 379 milhões), mas recebia quase tudo de volta do grupo que controla o clube, o Abu Dhabi United Group. Segundo a Uefa, as manobras aconteceram entre 2012 e 2016.

Os e-mails vazados sugerem que, na prática, o próprio xeque Mansour era quem injetava dinheiro no clube — mas maquiava as contas para a verba parecer patrocínio da Etihad. Esta manobra se explica pelos mecanismos do chamado 'fair play financeiro' da Uefa, que nasceu para evitar que os clubes se tornem insustentáveis financeiramente e acabou impedindo gastos descontrolados por parte dos donos bilionários.

Desde 2011 a Uefa monitora as contas de todos os clubes que jogaram suas competições —Liga dos Campeões e Europa League. Nos primeiros três anos, o 'fair play financeiro' permitiu que os donos cobrissem até 45 milhões de euros em perdas (R$ 210 milhões hoje). Um dos e-mails vazados do Manchester City trata abertamente do aumento artificial das receitas em 30 milhões de euros, justamente para cumprir as exigências da Uefa.

Entre os documentos vazados, uma declaração do advogado do Manchester City, Simon Cliff, dizia que o xeique Mansour preferiria "gastar 30 milhões nos 50 melhores advogados do mundo para processar a Uefa" em vez de aceitar alguma sanção por descumprir as regras financeiras.

A decisão divulgada hoje é a segunda sanção sofrida pelo clube inglês em relação ao 'fair play financeiro'. Na primeira delas, em 2014, o City evitou banimento da Liga dos Campeões ao fechar acordo e pagar uma multa após inflar patrocínios.

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