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Kobe: Órgão cita "investigação complexa" e corpos ainda não identificados

Visão aérea da região do acidente que matou Kobe Bryant - MARK RALSTON/AFP
Visão aérea da região do acidente que matou Kobe Bryant Imagem: MARK RALSTON/AFP
do UOL

Juliana Garbo

Colaboração para o UOL, em Los Angeles (EUA)

27/01/2020 23h04

Para quem esperava informações substanciais sobre uma possível causa para o acidente de helicóptero que tirou a vida do ex-jogador do Los Angeles Lakers, Kobe Bryant, um dia após a tragédia, o cenário é incerto. Em uma curta coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira em Calabasas, no estado da California (EUA), o National Transportation Safety Board (NTSB), principal órgão federal responsável pela investigação, disse que ainda é muito cedo para apontar as verdadeiras razões do acidente.

"As condições meteorológicas são apenas uma pequena parte de toda uma investigação complexa e extensa", respondeu Jennifer Homendy, membro do NTSB, uma organização independente criada em 1967 e responsável pela investigação de acidentes nos EUA. Relatos de moradores da região no último domingo davam conta de uma densa névoa encobrindo os céus no local onde o helicóptero se acidentou.

"Nós focaremos nossa investigação no piloto, na empresa, no controle de tráfego aéreo, nas condições da aeronave e de seus dois motores, e nas condições meteorológicas na hora do acidente", comentou Homendy.

O que se tem até agora são alguns dados do voo: ele decolou de Orange County, inicialmente em condições visuais, até que em determinado momento recebeu permissão para sobrevoar a área de Burbank apesar da névoa, no que é chamado de Special Visual Flight Rules (ou Regras Especiais para Vôo Visual, em tradução livre). Pouco depois, o piloto requisitou permissão para subir de altitude e, assim, evitar uma camada de nuvens mais densas. Informações do radar sugerem que a aeronave ascendeu para 2.300 e, logo em seguida, começou a descer, curvando para a esquerda.

Para ajudar a montar um panorama mais claro das condições dos céus na região na hora do impacto, a especialista pediu às pessoas que eventualmente tiraram foto da névoa de ontem, próximo ao horário do acidente, que as compartilhem com o órgão federal. Quanto ao piloto,
Homendy confirmou que, com mais de 8.200 horas de voo, ele era altamente treinado e também atuava como instrutor.

A especialista do NTSB afirmou que a equipe deve continuar no local pelos menos pelos próximos cinco dias para a coleta de materiais da aeronave e restos humanos. Nenhuma das nove vítimas foi oficialmente identificada até agora. Questionada se outras aeronaves reportaram condições semelhantes, Homendy disse que ainda não é possível saber. Ela explicou também que partes do helicóptero se espalharam em três locais diferentes dentro do perímetro do acidente.

Helicóptero não tinha caixa-preta

O NTSB admitiu que o helicóptero não possuia o cockpit voice recorder (CVR), dispositivo que grava o áudio nas cabines de aeronaves por não ser mandatório para esse modelo de aeronave nos Estados Unidos. Havia, no entanto, um iPad com o plano de voo e dados meteorológicos. A existência de outros recursos eletrônicos que possam ajudar na coleta de dados sobre o voo ainda será investigada.

Policiamento afasta invasores na área do impacto

O xerife do condado de Los Angeles, Alex Villanueva, admitiu que curiosos e paparazzi tentaram invadir a região do acidente a pé e que a polícia teve que reforçar o policiamento no por conta de drones que tentavam sobrevoar o local.

"Por conta do terreno dificultoso e íngreme, o policiamento na região tem sido feito a cavalo. A área é perigosa e está fechada ao público", disse ele. Questionado se os helicópteros da polícia haviam sido mantidos em solo por causa do mau tempo na mesma hora do acidente, Villanueva confirmou que sim, mas que o motivo seria "o fato de os helicópteros da polícia serem muito menores, comportarem apenas quatro pessoas e poderem voar apenas em condições visuais (mais de 2 mil pés de visibilidade)".

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