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Como Modric foi de melhor do mundo a fora do top 30 da Bola de Ouro

Com um 2019 que não chegou nem perto de 2018, Modric teve queda brusca na Bola de Ouro -  JOSE JORDAN / AFP
Com um 2019 que não chegou nem perto de 2018, Modric teve queda brusca na Bola de Ouro Imagem: JOSE JORDAN / AFP
do UOL

Brunno Carvalho, Bruno Grossi e Leandro Miranda

Do UOL, em São Paulo

03/12/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Vencedor da Bola de Ouro em 2018, Modric ficou fora até dos 30 finalistas em 2019
  • Temporada ruim do Real Madrid, queda individual e ano excepcional de Copa explicam
  • Modric tem encarado até a reserva no Real, ofuscado pelo uruguaio Valverde
  • Croata aceitou bem a derrota e entregou o prêmio a Messi, vencedor pela sexta vez

Das dezenas de jogadores presentes à cerimônia de ontem da entrega da Bola de Ouro 2019, em Paris, quase todos estavam disputando alguma coisa na premiação mais tradicional do futebol europeu. Mas um deles era exceção: Luka Modric, justamente o vencedor do principal prêmio do ano passado. De melhor jogador do mundo de 2018, o croata não figurou nem entre os 30 mais bem votados deste ano e foi ao evento apenas para entregar o troféu para Lionel Messi, vencedor pela sexta vez.

A queda brusca de Modric de uma temporada para outra encontra poucos paralelos na história do prêmio. A última vez em que um vencedor da Bola de Ouro ficou fora até dos indicados do ano seguinte foi quando o holandês Marco van Basten, melhor do mundo em 1992, sofreu com muitas lesões e não ficou nem entre os 30 melhores de 1993.

A explicação para o declínio de Modric passa não só por uma piora individual do desempenho do meio-campista, mas também pela temporada decepcionante do Real Madrid e pela excepcionalidade de 2018, ano de Copa do Mundo.

O fato de ter sido eleito o melhor jogador da Copa do ano passado, quando foi vice-campeão pela Croácia, fez Modric chegar à Bola de Ouro em dezembro como um dos favoritos a desbancar a dinastia de 10 anos de Cristiano Ronaldo e Messi. O meia também foi peça-chave do Real Madrid tricampeão europeu em 2018, mas o mesmo podia ser dito sobre CR7, que terminou em segundo. O que fez a diferença em favor do croata foi a participação mais fraca do português na Copa, eliminado nas oitavas de final pelo Uruguai.

Já em 2019, sem Copa do Mundo, o peso do desempenho nos clubes foi muito maior. E aí falou mais alto a queda de rendimento de Modric em meio a um Real Madrid que fez uma de suas piores temporadas recentes. O time de Zinedine Zidane ficou apenas em terceiro no Espanhol e caiu nas oitavas de final da Liga dos Campeões para o Ajax. Tanto que, entre os 30 finalistas, só dois representaram o time da capital espanhola: Benzema e Hazard (este último, muito mais pelo que fez no Chelsea no primeiro semestre).

A situação piorou no segundo semestre. Aos 34 anos, Modric enfim deixou de ser um titular absoluto e indispensável no Real. O croata tem visto seu lugar no meio-campo ocupado com frequência pelo uruguaio Federico Valverde, de 21 anos. Se não tem o mesmo refino técnico e visão de jogo de Luka, o sul-americano compensa com presença física e energia para percorrer o campo todo, defendendo com vigor e ainda chegando à área adversária.

Na cerimônia, Modric mostrou cavalheirismo para aceitar a perda do status de melhor do mundo. Disse que as expectativas criadas por seu ano de 2018 foram muito altas, mas que nem sempre é possível vencer no futebol. Ao passar o troféu para Messi, disse que o argentino, agora recordista de Bolas de Ouro com seis conquistas, era merecedor do prêmio. O croata sabe que dificilmente conseguirá reconquistar a honraria. Mas, para ele, valeu enquanto durou.

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