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CBF faz pesquisa com jogadores e técnicos: 94% aprovam continuidade do VAR

Chapecoense x Internacional VAR  - Matheus Sebenello/Agif
Chapecoense x Internacional VAR
Imagem: Matheus Sebenello/Agif
do UOL

José Edgar de Matos e Pedro Ivo Almeida

Do UOL, em São Paulo (SP)

21/11/2019 08h00

Resumo da notícia

  • A comissão de arbitragem da CBF entrevistou 584 pessoas, de 17 times da Série A, para saber se aprovam a continuidade do VAR para 2020.
  • Segundo Leonardo Gaciba, presidente da comissão, a aprovação do recurso do vídeo ficou na casa dos 94,1%.
  • Gaciba falou sobre o VAR em sessão na Câmara dos Deputados, em Brasília. Dirigente da CBF foi questionado sobre o uso do recurso tecnológico.
  • Das 20 equipes da Série A, apenas Bahia, CSA e Santos não entraram na pesquisa qualitativa, por questões de calendário.
  • Leonardo Gaciba ainda afirmou que o número de erros capitais caiu de 161 para 30.
  • Ainda sobre os erros, o ex-árbitro disse: "Em momento algum, a CBF ou a Fifa prometeram perfeição, porque sabem que não existe".

Diante das críticas constantes do árbitro de vídeo, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) realizou uma pesquisa com os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro para analisar o uso do recurso nesta primeira temporada. De acordo com Leonardo Gaciba, presidente da comissão de arbitragem da entidade, as equipes quase aprovam a tecnologia por unanimidade. A informação foi repassada pelo ex-árbitro na Câmara dos Deputados, em sessão ocorrida anteontem (19), em Brasília.

Durante a apresentação que marcou a defesa do recurso por parte da CBF, em meio aos questionamentos dos deputados na capital do país, Gaciba revelou o "Tour do VAR", que entrevistou 584 pessoas, entre jogadores, membros de comissão técnica e dirigentes, de 17 times. Segundo o ex-árbitro, a taxa de aprovação para a continuidade do árbitro de vídeo é de 94,1%.

A pergunta da comissão de arbitragem era simples: "se a continuidade do VAR é positiva para o futebol brasileiro nas próximas temporadas". Dos 584 ouvidos, de acordo com Gaciba, a grande maioria quer a continuidade do recurso para as competições nacionais do ano que vem.

Por questões de calendário, Santos, CSA e Bahia ficaram fora da pesquisa de qualidade do VAR que destacou dois tipos de aprovação (concorda ou concorda plenamente) para a atuação do vídeo na atual edição do Brasileirão. Gaciba, inclusive, classificou o primeiro ano da tecnologia na competição como "uma vitória dos clubes".

"[Os clubes] Aprovaram por unanimidade. Se acharem que não é mais útil é só chegar dentro da nossa reunião técnica e dizer 'não queremos o árbitro de vídeo'. Assim, voltamos para a arbitragem raiz e voltamos para o número violento de erros", destacou Gaciba, que usou o número de erros capitais da temporada passada para justificar a tecnologia.

Gaciba quebrou o protocolo da Casa, levantou-se da cadeira e deu uma palestra aos deputados sobre o VAR - Reprodução
Gaciba quebrou o protocolo da Casa, levantou-se da cadeira e deu uma palestra aos deputados sobre o VAR
Imagem: Reprodução

"Assim, volto a ter que receber 161 visitas na minha sala de dirigentes reclamando de impedimento de três metros, gols com a mão e pênaltis escandalosos não marcados. (...) O VAR é uma escolha dos clubes. Não é uma escolha da arbitragem", afirmou Gaciba na sessão com os deputados.

O ex-árbitro assegurou que os erros capitais nos jogos caíram de 161, citado na fala sobre as "visitas dos clubes", para apenas 30 nos primeiros 320 jogos da competição. Gaciba ressaltou que o VAR jamais zerará absolutamente os erros da arbitragem na principal competição do calendário nacional.

"Em momento algum, a Confederação Brasileira de Futebol ou a Fifa prometeram perfeição, porque sabem que não existe. A busca incessante é pelo maior índice de acerto possível. Perfeição é impossível pois somos seres humanos", justificou o dirigente da CBF.

"A regra do jogo é interpretativa. Se tivermos respeito pela decisão do árbitro dentro do campo de jogo, temos muito a crescer", completou, em meio à sessão na qual também respondeu a questionamentos dos deputados federais.

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