Topo

Jorge Jesus já peitou 50 Cent e acabou com ensaio: "Para com essa m..."

Jorge Jesus, técnico do Flamengo, durante clássico contra o Fluminense - Thiago Ribeiro/AGIF
Jorge Jesus, técnico do Flamengo, durante clássico contra o Fluminense Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
do UOL

Marcus Alves

Colaboração para o UOL, em Lisboa

22/10/2019 14h08

Às 21h45 (de Brasília) de amanhã (23), o Flamengo recebe o Grêmio no Maracanã para seu jogo mais importante do ano e tenta confirmar a vaga na final da Libertadores após empate por 1 a 1 no primeiro confronto. Seria mais um passo na coroação de um projeto que contou com uma mudança no meio do percurso que não poderia ter funcionado melhor: a chegada do português Jorge Jesus. Reverenciado pela torcida, o técnico de 65 anos conquistou a todos com o seu ritmo alucinante de trabalho e estilo caricato e espontâneo. Este mesmo estilo já até o levou a peitar o rapper 50 Cent.

É impossível ficar indiferente à presença do treinador. A cada partida, ele tem protagonizado um show à parte na beira do campo. Não é diferente também nas entrevistas, abusando sempre da sinceridade.

Na prática, é o mesmo Jesus que construiu uma fama no futebol português rivalizada no cargo somente pelo compatriota José Mourinho. Ao longo do tempo, sua postura se manteve a mesma, não importando se estava à frente do Flamengo ou do Belenenses.

"Jesus sempre foi assim. Ninguém pode dizer que ele faz isso ou aquilo para as câmeras ou para a torcida. Ele é desse jeito e às vezes até pode ter problemas por ser assim. Ele não vende o produto como as pessoas querem que ele venda. Ele é fiel às suas convicções", afirma o ex-meio-campista Cândido Costa, atual comentarista da TVI, ao UOL Esporte.

Os dois estiveram juntos no Belenenses, modesto clube de Lisboa, entre 2006 e 2008. Foi uma fase de bastante sucesso, com o segundo lugar na Taça de Portugal, vaga na Copa da UEFA e duelos históricos contra Bayern de Munique, Real Madrid e outros gigantes.

Jesus nunca esmoreceu em nenhum desses momentos. Nem mesmo quando teve à sua frente um dos principais rappers do mundo, o americano 50 Cent.

Em março de 2007, o artista se preparava para um festival no estádio do Restelo, que pertence ao Belenenses, e fazia o seu ensaio no próprio local. Em determinado dia, Jesus e 50 Cent foram obrigados, no entanto, a dividir o campo. De um lado, a banda repassava o seu repertório, enquanto o treino corria solto do outro.

Não deu liga, no fim das contas. Sem conseguir se fazer ouvido pelos jogadores, Jesus largou o apito e foi peitar o músico para acabar com o ensaio.

"Foi, de fato, uma situação muito engraçada. Para o bem ou para o mal, Jesus não leva nada para casa. O que tem a dizer, ele vai dizer, às vezes com razão, às vezes menos, mas vai para frente. Não é dono da verdade, claro. Naquele dia, o nosso diretor foi ao vestiário pedir ao 'mister' para ter paciência que o 50 Cent estava fazendo o ensaio com a banda e que isso ocuparia metade do campo", relembra Cândido.

"Na mesma hora, Jesus já não gostou muito, olhou meio chateado para o diretor, mas chamou todo mundo e falou para irmos treinar: 'Aqui é uma equipe de futebol'. No início, não fizeram muito barulho, mas, depois de 15, 20 minutos, praticamente não escutávamos mais as instruções dele", prossegue.

"A dada altura, Jesus se alterou e começou a caminhar em direção ao palco. O 50 Cent estava com o microfone e ele gritando embaixo: 'Que música é essa? Para com essa m... Aqui é futebol. Queremos treinar.' Foi uma confusão do c... Houve uma tensão, mas depois se resolveu tudo", acrescenta, aos risos.

O próprio Jesus, em entrevista à emissora SIC, já deu risadas do episódio ao recordar a briga com o famoso rapper.

"Eu acabei com o ensaio. Ele estava ensaiando, e eu entrei dentro do campo com aquele barulho e pensei: 'Quero isso tudo fora daqui.' E falaram que era impossível, que pagaram cachê, era uma banda muito conhecida. Cheguei ao pé do palco e mandei parar. Ele [50 Cent] sentiu-se um pouco humilhado. 'Mas quem é esse tipo para estar me mandando embora?', deve ter pensado. Foi-se embora e nem o vi sair", afirmou.

Cândido ainda segue em contato com o técnico rubro-negro e acredita que ele não poderia estar mais feliz com a repercussão que seu trabalho no Ninho do Urubu tem tido nos dois países.

"Ele tem um coração muito bom. É rígido, mas uma pessoa muito boa, extremamente religiosa, tem delicadeza, quando necessária, no trato. Ele é amigo de quem é amigo dele, engraçado e acabou sedimentando essa imagem. Mas ali dentro de campo, não gosta de frescura, é tudo da forma dele", elogiou.

Esporte