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Iranianas assistem primeira partida de futebol da seleção em 40 anos

10/10/2019 12h05

Por Simon Evans

(Reuters) - Mulheres iranianas entraram no estádio nacional de Teerã nesta quinta-feira depois de receberem permissão para comprar ingressos para um jogo de futebol da seleção pela primeira vez em 40 anos.

As mulheres estão proibidas de assistir a partidas masculinas desde pouco depois da Revolução Islâmica de 1979, e só algumas exceções foram feitas a pequenos grupos em ocasiões raras.

Mas graças à pressão da Fifa, a entidade mundial do futebol, e de defensores dos direitos das mulheres, as autoridades iranianas lhes destinaram cerca de 3 mil ingressos para a eliminatória asiática da Copa do Mundo contra o Camboja nesta quinta-feira no Estádio Azadi de 78 mil lugares.

As entradas são para um setor especial reservado às mulheres, uma decisão que foi criticada por alguns ativistas que prefeririam que elas pudessem assistir ao jogo com seus familiares do sexo masculino.

Imagens publicadas em redes sociais mostraram mulheres chegando ao estádio mais de duas horas antes do início programado da partida.

Elas acenavam com bandeiras e tocavam vuvuzelas na arena ainda quase vazia. 

Embora os ativistas tenham saudado o acesso concedido para a disputa, não está claro se tais cenas se tornarão a norma no Irã.

Uma reportagem publicada pela agência de notícias semioficial Fars alertou que as mulheres podem ser expostas a linguagem indecente, uso de drogas e até violência.

"Agora que o governo decidiu deixar mulheres entrarem no Estádio Azadi... precisamos ter esperança de que os espectadores tentarão respeitar as mulheres iranianas para mudar a atmosfera pública do estádio", diz a reportagem.

A Fifa aumentou a pressão para que o Irã cumpra seus compromissos permitindo que as mulheres assistam às eliminatórias da Copa do Mundo após a morte de Sahar Khodayari, que ateou fogo em si mesma no mês passado para protestar por ter sido presa ao tentar entrar em uma partida.

Apelidada de "Garota Azul" na internet por causa das cores de seu time favorito, Esteghlal, Sahar temeu ser condenada pelo Tribunal Revolucionário Islâmico a seis meses de prisão por tentar entrar em um estádio vestida como um homem.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, fez um apelo às autoridades iranianas que abram os estádios às mulheres em todos os jogos, e não somente nas eliminatórias do Mundial.

(Reportagem adicional de Babak Dehghanpisheh em Genebra)

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